quarta-feira, 6 de agosto de 2014

6. New Friends.

- Vou tirá-la daqui – Nick dizia.
 Já fazia 24 horas que eu estava naquela prisão de Dallas, eu mal tinha pregado o olho, novamente. Pelo menos, Nick já tinha entrado em contato com meu advogado, Henry. Estávamos na sala de interrogatório, esperando o policial Adams.
- Eles não podem te prender, (SeuNome) – o advogado Henry disse – Não tem provas contra você
- É – respondi e olhei para Nick. – Não aquento passar nem mais um dia aqui, quando vou sair?
- Se depender de mim, você não demora nem mais cinco minutos aqui. – o advogado respondeu – Não se preocupe, vou tirá-la daqui o mais rápido possível.
- Eu espero – respondi, ele olhou para mim e para Nick.
- Antes de tudo, vocês não estão escondendo nada de mim. certo? – ele perguntou, pensei em contar sobre a pulseira.
- Contaríamos se tivesse algo – Nick respondeu rapidamente, o advogado assentiu e logo ouvimos a porta da sala abrir, era o policial Adams.
- Sou o advogado da Senhorita Harris – Henry disse levantando-se e estendo a mão em direção ao policial, que logo a cumprimentou, então voltou a sentar-se – Qual é a situação dela?
- Conversamos com alguns alunos que estavam na festa da vitima, e segundo eles, a srta. Harris e sr. Sullivan tiveram uma briga – o policial disse.
- Isso eu sei, mas não é o bastante para o senhor prender minha cliente – ele disse.
- Não é, porém nossos legistas nos enviaram essas fotos – ele disse entregando algumas fotos para Henry.
- Eu ainda não entendi. – Henry disse ainda olhando as fotos.
- Perto da mão do Sr. Sullivan – o policial disse apontando na foto – Essa pulseira.
- Uma pulseira? É tudo o que o senhor tem? – Henry disse debochado.
- É a pulseira da srta. Harris – ele respondeu e olhou-me – Que sumiu do local do crime.
- E quem garante que essa pulseira é de minha cliente? – Henry disse.
- Essa foto – o policial disse entregando mais uma foto para Henry, porém fui rápida e peguei. Realmente era uma foto minha usando a pulseira.
- Ora, policial Adams, essa foto é de cinco anos atrás – Henry disse – A srta. Harris nem mesmo lembra dessa pulseira.
- Mesmo assim... – o policial Adams continuou, porém foi interrompido por Henry.
- São fotos, policial – ele disse – E essa pulseira, pelo o amor de Deus, qualquer um pode ter essa pulseira, sejamos sinceros, o senhor não tem motivos nenhum para prender minha cliente.
 O policial Adams mordeu o lábio e encarou-me.
- Vou liberar a senhorita, porém estaremos investigando – ele respondeu e respirei aliviada. 
***
- Obrigado, Henry – Nick disse assim que chegamos em casa.
- Só fiz meu trabalho – ele respondeu sentando-se no sofá – Precisamos conversar sobre a tal pulseira.
- Eu não sei como ela foi parar lá, Henry – respondi – Eu nem mesmo sabia onde ela estava, eu havia perdido-a no dia do enterro do meu pai e de Tom.
- De alguma forma alguém esta aprontando para cima de você – ele respondeu.
- E eu não faço a mínima idéia de quem seja – respondi.
- Bem, precisamos tomar muito cuidado, porque se essa pulseira for encontrada – ele disse dando uma pausa em seguida – Você sabe.
- Sim – respondi assentindo, ele olhou o relógio de pulso e olhou-me.
- Já esta em minha hora – ele respondeu levantando-se.
- Obrigada, Henry – respondi e ele sorrindo, pegando em meu ombro e apertando.
- Como disse ao seu irmão, só fiz meu trabalho – disse e logo se despediu.
- Foi ela – Nick disse voltando para sala.
- Quem?
- Demetria, ela cumpriu o que disse – Nick disse com certa raiva em sua voz.
- Não foi ela, Nick – respondi – Você mesmo ouviu que foi as fotos do legista, sei lá.
- E você acha que eles mandaram as fotos por quê? Não adianta defende-la, essa garota denunciou você, (SeuNome).
- Nicholas, não foi ela, okay? Demi não...
- Eu não acredito! – ele disse irritado – Você acha que ela não teria coragem? Por favor, né, (SeuNome)!
- Não quero discutir Nicholas – disse andando em direção a escada.
 Eu estava certa, certo? Demi não teria coragem de me denunciar, já fomos amigas e estávamos começando a ter um bom relacionamento, a minha Demi não faria isso, não mesmo.

***
 Nicholas disse que eu não precisava ir à escola, o que foi uma coisa boa, odiaria ver aqueles idiotas me olhando como se eu fosse uma assassina. Passei a manha toda no quarto lendo, na verdade tentando. Minha cabeça estava cheia de perguntas, quem teria colocado minha pulseira ao lado do corpo do Matt, quem teria mandado aquela mensagem, o bilhete do tal T.P.H... Olhei para o relógio e vi que eram três da tarde, levantei-me e deixei o quarto.
- Onde você vai? – Nick perguntou assim que me viu.
- Andar por ai – respondi.
- (SeuNome)... – ele começou, porém logo eu o interrompi.
- Só vou andar, Nick, não vou matar ninguém – respondi e sai. Não sabia onde iria, na verdade, eu só queria pensar. Então me lembrei da cafeteria que eu e meu pai costumávamos ir. Não estava tão diferente, coloquei a mão na maçaneta e entrei, respirei aliviada em ver que a cafeteria não estava tão cheia, segui em direção a uma mesa. Assim que sentei percebi que a algumas mesas, Demi encarava algo na mesa, seu cabelo estava amarrado em um coque e ela parecia pensativa. Será que ela tinha mesmo me denunciado? Demi, minha melhor amiga? Não, ela não... Não teria coragem.
- O que vai querer? – fui acordada de meus pensamentos por alguém, levantei o olhar e percebi um garoto com expressão cansada perguntar.
- Café – respondi, ele assentiu e saiu, voltei a olhar para Demi que agora me encarava, sua expressão diferente, ela mordeu o lábio e levantou-se, vindo em minha direção.
- Posso sentar? – ela perguntou com a voz rouca, encolhi os ombros e logo ela sentou-se – Soube que você...
- Fui presa, é verdade – respondi rapidamente e ela assentiu, respirei fundo e depois de alguns minutos, engoli o seco e perguntei. – Foi você? Você me denunciou?
- Não – ela respondeu sem olhar-me – Não fui eu... Não consegui.
- Não conseguiu? – perguntei encarando-a, Demi colocou uma mecha ruiva atrás da orelha e encarou-me.
- Eu ia denunciar você, realmente ia, mas não... – ela engoliu o seco – Não consegui fazer, estava em frente à delegacia e simplesmente eu...
- Eu sabia – respondi sorrindo e ela encarou-me.
- Sabia o que?
- Que não foi você – disse sorrindo, levei minha mão até a sua em cima da mesa, Demi olhou para nossas mãos e depois olhou para mim, a afastei rapidamente. – Oh desculpe.
- Não tem problema – ela respondeu dando um sorriso de lado, então ouvimos a porta da cafeteria abrir, virei-me e vi um grupo de pessoas entrando, e uma delas era Rose.
- Demi? – ela disse assim que nos viu, Demi olhou-me e logo levantou-se – O que você ta fazendo com essa assassina?
- Estou... – ela olhou-me mais uma vez – Estávamos apenas conversando.
- Ah esqueci, vocês eram amigas antes – ela disse irônica, balancei a cabeça negativamente – Quer saber? É bom você ficar ai mesmo.
 E assim saiu com o grupo, indo em direção a uma mesa, olhei para Demi que encarava as mãos.
- Como você consegue ser amiga de uma pessoa como ela? – perguntei.
- Rose às vezes é insuportável, porém é uma boa pessoa – Demi respondeu sem olhar-me.
- Na verdade, como você consegue ser amiga de pessoas como aquelas? Você é tão mais inteligente que eles.
- Ela estava aqui quando eu não tinha nenhuma amiga – ela respondeu finalmente olhando-me – Eu precisava de amigos e eles estavam lá.
- Entendi – respondi, logo o garoto veio deixar meu café, Demi suspirou e levantou-se.
- Eu já vou... – assenti e tomei um gole de café, Demi suspirou e seguiu em direção a saída da cafeteria. Enquanto tomava meu café e encarava os novos amigos de Demi, fiquei pensando se tudo fosse diferente. Se nada tivesse acontecido. Demi, Megan e eu, sentadas em uma dessas mesas conversando sobre algo sem importância, talvez sobre roupas ou garotos ou talvez não. Talvez nem fossemos amigas mais, mesmo assim nunca saberia, porque Megan esta morta e Demi, bem, Demi tinha novas amigas agora. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

5. Easy Choices.

 Abri os olhos rapidamente sentando-me na cama, demorou alguns minutos até eu finalmente me acalmar, passei as mãos pela testa e percebi que estava suando, levantei-me e segui em direção para fora do quarto.
 Por cinco anos eu sempre sonhava o mesmo sonho, a morte de Megan. Porém agora o sonho era diferente, era com o T.P.H. Enquanto seguia em direção a cozinha, pensava no sonho. Eu estava em uma sala vazia e ele estava sentando em minha frente, sorrindo e eu gritando, mas não conseguia ouvir som nenhum. Ele sempre falava a mesma coisa.“Você devia ter feito isso”. Abri a porta da geladeira, pegando uma garrafa de água logo em seguida. Não contei a ninguém sobre o bilhete e aquilo estava mexendo comigo de um jeito, mas o que poderia fazer? Se contasse a Nick ele com certeza diria que era alguém tentando fazer uma brincadeira de mal gosto, a policia nem pensar, Lauren eu tinha acabado de conhecer e Demi... Ela era minha melhor amiga, ela foi minha melhor amiga, não poderia metê-la nisso novamente. Enquanto colocava o copo na pia, vi algo se mexer entre o jardim, continuei olhando e novamente a coisa se mexeu. Mordi o lábio e abaixei-me pegado uma lanterna debaixo da pia, eu poderia subir e voltar para o quarto ou chamar o Nick, isso eram as escolhas fáceis, mas eu odiava coisas fáceis, então andei até a porta da cozinha abrindo-a em seguida.
- Quem está ai? – perguntei com a lanterna ligada – Quem está ai?
 Andei em direção ao jardim com passos lentos, se estava com medo? Muito, mas eu não me importava, iluminei o jardim, porém não havia ninguém ali. Então escutei um barulho, de uma pessoa, na verdade.
- Merda – ouvi, olhei para o lado e andei até lá.
- O que esta fazendo? – perguntei iluminando-a com a lanterna. Demi tirava algumas folhas da roupa.
- Meu Deus! – ela deu um grito assustada.
- Desculpe – respondi, Demi colocou uma mão sobre o peito e apoiou a outra no joelho. – O que estava fazendo?
- O que eu...? Estava... – ela olhou-me – O que você estava fazendo?
- Insônia – respondi encarando-a – Você não respondeu minha pergunta.
- Eu estava... – ela mordeu o lábio e encarou o chão – Insônia, também.
 Ficamos no encarando, eu sabia que Demi estava mentindo, ela não me encarava nos olhos e era um sinal.
- Vou voltar – disse quebrando o silencio, ela assentiu nervosa – Boa noite.
- Boa noite – ela respondeu, assenti e virei-me indo em direção a porta da cozinha – (SeuNome)!
- Sim? – respondi encarado-a, Demi mordeu o lábio e encarou-me.
- Porque você mentiu? – ela perguntou.
- Eu menti? Sobre o que?
- Você não ficou o resto da noite comigo – ela respondeu cruzando os braços.
- Eu não...
- Você me disse que não tinha falado com os policias, sabe, sobre ter ficado comigo depois da festa, mas você não ficou, você mentiu.
- Não menti, eu fiquei com você, no balanço, lembra? – disse.
- É, mas você saiu depois da mensagem – ela respondeu e pude ver um olhar desapontado, engoli o seco.
- Era o Nick, eu disse – respondi, ela balançou a cabeça negativamente e deu um sorriso infeliz.
- Certo, era o Nick – Demi disse e levantou sua mão, balançando algo no ar, uma pulseira – Enquanto a isso?
- O que... – era uma pulseira realmente, minha pulseira, arregalei os olhos e segui até lá. – Onde você conseguiu isso?
- Adivinha – ela disse – Na casa do Matt.
- Na casa... Do Matt? – perguntei, Demi passou uma mão pelo o cabelo e balançou a cabeça negativamente.
- Rose estava certa – ela disse e percebi sua voz embargada – Você matou o Matt.
- Demi, eu não matei ninguém – respondi sentindo um nó na garganta.
- Velhos hábitos nunca morrem, não é mesmo? – ela disse irônica – Porque você voltou? A cidade estava tão melhor sem você, todos tinha esquecido o assassinato da Megan, até você... – Demi disse com a voz falha.
- Eu não matei ninguém, Demi, eu juro.
- Não acredito que por um segundo deixei você entrar na minha vida de novo – ela disse, baixei a cabeça, vi a pulseira cair bem perto de meus pais, abaixei-me e a peguei. Levantei a cabeça, porém Demi já estava seguindo em direção a sua casa.
***
- Você esta bem? – Nick perguntou, olhei para ele e assenti rapidamente – Não parece.
- Não dormi bem, só isso – disse.
- Você nem tocou na comida, aconteceu alguma coisa, (SeuNome)?
- Porque não fomos para outro lugar? – perguntei.
- Como assim? – Nick perguntou confuso.
- Porque não mudamos de cidade depois que sai do reformatório? Seria muito melhor, sabe, recomeçar uma vida em outro lugar, com outras pessoas.
- O que houve, (SeuNome)? Porque esta falando essas coisas...
- Quer saber? Vou para aula – disse levantando-me e indo em direção a sala, peguei minha bolsa e tratei de sair daquela casa.
 Não consegui pregar o olho, comer ou fazer qualquer coisa. Passei o resto da noite só encarando aquela pulseira e pensando em como ela foi parar lá. Eu realmente não passei o resto da noite com Demi, ficamos nos balançando e logo depois recebi uma mensagem: 
“Uma Harris nunca deixa isso barato, não desonre sua família”. 
 Não era o Nick, era um número confidencial, Demi perguntou quem era, eu tive que responder que a mensagem era do Nick, então segui em direção pra casa, apenas isso. Quando éramos criança, mamãe sempre guardava uma chave reserva em um vaso ao lado da porta dos fundos, então peguei a chave e entrei em casa. Não voltei para a casa do Matt e não o matei, eu estava tentando refazer minha vida, porque eu mataria um cara que... Que me bateu. Era isso. Por isso que o policial me chamou e Rose disse que eu tinha matado-o. Vingança. 
 Nem percebi que já estava em frente da escola, passei tanto tempo pensando que mal percebi. Andei pelo os corredores de cabeça baixa, não por causa dos olhares, e sim, por causa de Demi, não queria encará-la, não com ela pensando que eu matei seu amigo.
- (SeuNome) – olhei para o lado e vi Lauren parada ao meu lado, encarando-me.
- Hey – disse forçando um sorriso.
- Como está? – ela perguntou enquanto abria meu armário.
- Péssima – respondi – E você?
- Levando – ela respondeu – Soube que você falou com o policial.
- Pois é, parece que eu sou a principal suspeita – disse com um tom irônico.
- São todos uns idiotas – Lauren disse – Matt não era uma pessoa maravilhosa, vivia se metendo em briga e tinha vários inimigos.
- Mas para eles eu sou a única – respondi, Lauren mordeu o lábio e encarou-me.
- Não acho que você tenha matado o Matt – ela respondeu e eu sorri, pela primeira vez naquele diz.
- Obrigada – respondi sorrindo, ela retribuiu – Pelo menos alguém.
- Mas a investigação ainda esta acontecendo, certo? Daqui a pouco vão achar o culpado – Lauren disse e eu suspirei.
- Espero que esteja certa – respondi, então o sinal tocou – Nos vemos no refeitório.
- Claro – ela respondeu, sorri e segui para sala de aula.
***
 Sentei ao lado de Lauren e olhei o refeitório a procura de Demi, e lá estava ela. Rose estava com a cabeça em seu ombro e parecia chorar, Demi também estava com os olhos inchados, nossos olhares se encontraram e pude sentir o ódio e a magoa trasbordando por eles.
- Problemas no paraíso? – Lauren perguntou fazendo com que eu desviasse o olhar.
- O que? – perguntei, ela deu um sorriso de lado e bebeu um pouco de seu suco – Cadê a Ally?
- Deve esta em alguma reunião do jornal – Lauren respondeu revirando os olhos – Com certeza estão discutindo sobre a próxima matéria do jornal.
- Você e Ally são amigas há muito tempo? – perguntei.
- Há dois anos, ela me ajudou com tudo isso aqui quando cheguei – ela respondeu.
- Chegou de onde? – perguntei e vi Lauren ficar tensa.
- Los Angeles – ela respondeu, mordeu o lábio e encarou-me – Reformatório de Los Angeles.
- Oh – murmurei surpresa – Nossa.
- Pois é – ela disse forçando um sorriso – Temos uma coisa em comum.
- E o que você fez para ir, sabe, para um reformatório?
- Briga de rua – ela respondeu e arquei as sobrancelhas surpresa – Não pense que eu sou disso, minha mãe tinha acabado de morrer e eu estava naquela fase de revolta, então comecei a sair com pessoas desse tipo e acabei me metendo e você sabe como acontece.
- E você mora com quem hoje?
- Minha tia, ela me tirou de lá – respondeu – Sabe, você e Ally são as únicas que sabem disso.
 Sorri e assenti, Lauren tinha confiado em mim para contar isso, será que eu não deveria confiar nela também? Contar sobre o bilhete, talvez me ajudasse um pouco. Abri a boca para contar sobre o bilhete, porém fui interrompida por Ally.
- Hey – Ally disse sentando-se na mesa.
- Oi – respondi e ela olhou-me.
- Então, como foi à reunião? – Lauren perguntou rapidamente.
- Vamos fazer um especial em homenagem ao Matt – ela respondeu olhando para seu prato.
- E a entrevista da (SeuNome)? – Lauren perguntou.
- Vamos ter que adiar – Ally disse e finalmente olhou-me – Vamos fazer a homenagem ao Matt primeiro.
- Justo – respondi e ela apenas assentiu e encarou seu prato. Comemos em silencio e de vez em quando percebia alguns olhares de Lauren para Ally, mas minha cabeça estava tão longe que eu nem mesmo comi nada.
- Nos vemos por ai – disse para Lauren levantando-me.
- Onde você vai? – ela perguntou.
- Não estou com muita fome, vou andar por ai – respondi, ela assentiu, deixei minha bandeja e segui para fora do refeitório, andei até meu armário, porém parei assim que vi. Demi estava parada em frente a ele, olhou-me e começou a andar em minha direção.
- Campo de futebol – ela sussurrou ao passar por mim, assenti entendo o recado. 
 Depois de alguns minutos segui em direção ao campo de futebol, olhei em direção as arquibancadas e lá estava Demi.
- Oi – respondi, Demi encarou-me e cruzou os braços.
- Você precisa se confessar – ela disse.
- Confessar o que?
- Não se faça de idiota – ela respondeu ríspida – Confessar a policia o que você fez.
- Eu não fiz nada, Demi – respondi.
- Fala a verdade pelo menos uma vez na vida, (SeuNome) – ela disse – Ou você diz a policia o que fez ou eu vou ter que dizer.
- Você... – comecei, porém ela interrompeu-me rapidamente.
- Você vai fazer isso hoje, ou então... – ela disse encolhendo os ombros e logo saindo dali.
***
- Nick? Podemos conversar? – disse adentrando na cozinha.
- Claro, o que houve? – ele respondeu cruzando os braços, engoli o seco e sentei-me na cadeira.
- Quero que você me escute, até o fim, sem dizer nada, okay? – disse, Nick franziu o cenho e sentou-se a mesma também.
- Você esta me assustando – ele respondeu – O que houve, (SeuNome)?
- Sabe quando eu fui chamada à delegacia? Ser interrogada sobre a morte do Matt? – disse encarando minhas mãos em cima da mesa – Eu disse para você que todos os alunos que estavam na festa foram chamados, eu estava mentindo.
- (SeuNome)... – ele começou.
- Me deixa terminar – pedi – Eu fui chamada porque sou a principal suspeita da morte do Matt.
- O que?
- Como você sabe, eu tinha brigado com ele – disse ainda encarnado minhas mãos, não conseguia encara-lo – E como eu apanhei, eu fui a principal suspeita, essas coisas de vingança.
- Mas você não fez isso – Nick disse – Ou...
- Não! Mas eu menti em relação a isso – disse – Não passei o resto da noite com a Demi, ela me trouxe até aqui, depois ficamos conversando, então recebi uma mensagem.
- De quem?
- Não sei, não tinha nome algum – respondi – Nick, eu juro que não matei o Matt, porque eu mataria aquele garoto?
- Eu acredito em você – ele respondeu pegando em minha mão, então finalmente eu o encarei.
- E tem mais – respondi, abri a bolsa e peguei a pulseira, colocando em cima da mesa, Nick arregalou os olhos e pegou.
- Onde...?
- Demi me entregou ontem – respondi e ele encarou-me – Ela disse que estava na casa, junto com o corpo do Matt.
- Meu Deus – ele disse passando as mãos pelos cabelos – Como essa pulseira foi parar lá?
- Você acha que eu sei? Não via essa pulseira há sete anos, Nick – respondi – O que vou fazer agora?
- O que vamos fazer – ele respondeu – Vamos escondê-la, quebra-la, fazer alguma coisa.
- Não adianta – respondi e ele franziu o cenho – Demi me confrontou hoje e disse que se eu não confessasse a policia, ela...
 Fui interrompida por batidas na porta, olhei para Nick já sabendo o que aquilo significava, levantei-me e segui em direção a porta. Coloquei a mão na maçaneta e olhei para Nick.
- Não... – ele sussurrou, mas já era tarde, a porta já estava sendo aberta.
- Senhorita Harris, você esta presa pelo o assassinato de Matthew Sullivan. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

4. T.P.H

 Acordei aquela manha com a sensação de dever cumprido. Assim que cheguei à cozinha, Nick estava deitado no sofá com uma caneca de café em cima da mesinha de centro.
- Parece que se divertiu até demais ontem, hein – disse encarando-o, Nick abriu um olho e gemeu.
- Fale baixo, por favor – ele pediu, sorri e fui até a cozinha.
- Você não esta atrasada pra escola? – o ouvi perguntar, olhei por cima do ombro e lá estava ele sentando-se a mesa.
- Acordei cedo – disse colocando um pouco de café na xícara – Tenho alguns minutos.
- E como foi à festa? – ele perguntou, engoli o seco e virei-me encarando a janela.
- Legal – respondi, com certeza a ressaca dele era tão grande que não prestou atenção no corte em meu lábio.
- Parece que foi sim, afinal você e Demi estavam... – ele não completou porque minha atenção era na tv.
 “...Matthew Sullivan, mais conhecido como Matt, foi encontrado morto pela empregada em sua casa, segundo a policia, ele foi encontrado com marcas enforcamento e um corte do lado esquerdo da cabeça...”
- Você não foi a festa desse...? – Nick começou, porém logo eu o interrompi.
- Você acha que eu... – respirei fundo – Não, eu não...
- Ei calma – Nick disse – Eu não estou dizendo nada, okay? Só fiz uma pergunta.
- Certo – disse e virei-me, bebi um pouco de café e vi que Nick me encarava.
- Você quer me dizer alguma coisa?
- Você acha que eu o matei? Ai meu Deus, Nick! – disse jogando as mãos para cima.
- Eu não estou dizendo que você o matou, (SeuNome) – Nick disse já irritado – Só quero que você me con...
- Nós brigamos – disse e vi Nick ficar tenso – Ele me chamou de assassina, ai eu o empurrei, depois ele me deu um soco, dois, na verdade e pronto, eu fui embora, eu juro, Nick, eu não o matei.
- Eu acredito em você – Nick disse depois de alguns minutos me encarando – Mas você sabe que isso...
- Eu sei, mas eu não o matei – respondi, ele assentiu e pegou em meu rosto.
- Vou deixar você na escola – ele respondeu, levantando-se e dando um beijo em minha testa – Vou pegar meu casaco.
***
  ‘ASSISSANA!’ Em grandes letras vermelhas, esse era o nome escrito na porta do meu armário, olhei em volta e todos me encaravam, respirei fundo e o abri o armário, peguei os livros de Geografia e os coloquei na bolsa. Aquilo sim era um inferno, eles só me encaravam, sem dizer uma palavra, com certeza pensando que eu matei o amigo deles. Respirei fundo, segui em direção a sala, porém parei assim que a vi. Ela abraçava a garota Rose, nossos olhares se encontraram, no mesmo estante que os de Rose.
- Você! – ela falou assim que me viu, andando em minha direção, sua expressão era de dor e ao mesmo tempo de raiva – Você o matou! Você matou o Matt!
- Eu... – comecei a falar, mas nenhuma palavra saia de minha boca, vi as mãos de Demi pegar em seus braços.
- Rose, não – Demi sussurrou, ela soltou-se dos braços de Demi e a encarou.
- Ta defendendo sua amiga de infância, Demi? Conte para todos que você era amiga dela e estava lá no dia que... – Rose foi interrompida pela mão de Demi em seu rosto.
- Cala a boca – e assim saiu, deixando Rose com a mão no rosto, respirei fundo e segui em direção a sala de aula.
- Hey! – ouvi, porém continuei andando – (SeuNome), espera!
- O que é? – virei-me rapidamente fazendo-a parar bruscamente.
- Você esta bem? – ela perguntou.
- Não, Lauren – respondi e comecei a andar novamente, ouvi seus passos e senti sua mão tocar meu ombro. – O que você quer, Lauren? Me deixa ir pra aula, antes que eles venham aqui e me levem algemada.
 Nem mesmo pedi licença quando entrei na sala, apenas entrei e sentei na ultima cadeira, o professor não falou nada, afinal ele estava tão concentrado em ler o livro no qual ninguém prestava atenção, peguei o caderno na bolsa e vi um bilhete cair do mesmo, olhei para lado conferindo se ninguém tinha visto, inclinei-me e o peguei do chão, logo o abrindo.
 “Estou orgulhoso. – T.P.H.”
***
- Senhorita Harris? – ouvi enquanto colocava os livros no armário, virei-me e o vi encarando-me.
- Sim? – perguntei, era um policial, ele deu alguns passos e estendeu a mão em minha direção, logo o cumprimentei.
- Sou o Policial Adams e estou investigando a morte de Matthew Sullivan – ele disse – Você pode me acompanhar até a delegacia?
- Eu estou tendo aula agora e...
- Falei com o Diretor e ele a liberou – ele respondeu interrompendo-me, engoli o seco e assenti.
- Sendo assim – disse forçando um sorriso, ele assentiu e andou em direção a saída.
***
- Eu sei que parece confuso, mas vou apenas fazer algumas perguntas e quero que me responda a verdade – ele disse sentando-se na cadeira a minha frente.
- Já passei por isso – respondi, ele encarou-me por um tempo e juntou as mãos em cima da de mesa.
- Soube que a senhorita estava presente na festa de Matthew Sullivan na noite que ele foi morto, isso é verdade?
- Sim – respondi.
- E nessa mesma festa, a senhorita e Matthew Sullivan tiveram uma desavença?
- Sim, nos brigamos – respondi calmamente.
- Por quê?
- Ele chamou-me de assassina e eu o empurrei, ele levantou-se e me deu dois socos, mas antes que ele me desse o ultimo golpe, separam a briga.
- E o que fez depois da briga?
- Eu voltei para casa e dormi – respondi e o vi franzi o cenho.
- Você não voltou para casa de Matthew Sullivan naquela noite?
- Não – respondi, depois de longos minutos, ele ajeitou-se na cadeira e assentiu.
- Certo, a senhorita já pode ir – ele disse, levantei-me e o cumprimentei mais um aperto de mão e segui em direção a saída.
***
- O que você disse a ele? – Nick perguntou assim que entrei em casa.
- A verdade – respondi.
- E que verdade?
- A verdade, Nick, meu Deus – disse irritada – Será que você pode acreditar em mim?
- Eu acredito, okay? Só que sabemos que você não disse a verdade – ele respondeu – Ou disse?
- Ele não perguntou com quem eu estava, okay? Se tivesse perguntado eu diria, com a Demetria, mas ele não perguntou.
- Quando o motivo de você esta tão mal humorada? – ele disse, porém eu já estava indo em direção ao meu quarto. Fechei a porta e sentei-me na cama, enfiei a mão no bolso da calça e pequei o bilhete. O que ele queria dizer com ‘estou orgulhoso’? E quem diabos era T.P.H?
- (SeuNome)? – ouvi a voz de Nick.
- O que é?
- Você tem visita – ele respondeu, levantei-me e fui até a porta, abrindo-a. – Lá embaixo.
- Quem é? – perguntei olhando-o, Nick encolheu os ombros.
- Vai logo, garota – ele disse e assim fiz. Não havia ninguém na sala, porém a porta estava aberta.
- Demi? – perguntei assim que a vi de costas com os braços cruzados, logo que ouviu meu nome, ela virou-se.
- Oi – respondeu meio nervosa.
- Hey – disse sorrindo – Quer entrar?
- Ah não – ela respondeu rapidamente – Podemos conversar?
- Ah claro, claro – respondi, ficamos nos encarando, até ela finalmente começar a andar em direção ao balanço e logo a segui.
- Como foi lá na delegacia? – ela perguntou sentando-se em balanço.
- Normal, eles só me fizeram perguntas – respondi, ela assentiu e mordeu o lábio.
- Que tipo de pergunta eles fizeram? – ela perguntou encarando o chão, sentei-me no outro balanço e a encarei.
- Você quer saber se eu disse que fiquei com você depois da festa – disse e ela encarou-me – Pode ficar tranqüila, eu não disse nada disso.
- Desculpa, eu não... – ela começou, porém eu a interrompi.
- Tudo bem, Demi – respondi – Alias, aquele seu tapa foi incrível.
- Obrigada – ela respondeu timidamente - Rose merecia aquele tapa á muito tempo.
- Pensei que vocês fossem amigas – disse, Demi balançou a cabeça e deu um sorriso amarelo.
- Já fomos um dia – respondeu – Rose mudou, eu mudei, as pessoas mudam. 
- Eu sinto muito – disse e ela encarou-me.
- Tudo bem – ela respondeu e ficamos nos olhando, vi um sorriso tímido nascer em seus lábios – Também é bom ver você, (SeuNome).