sábado, 9 de agosto de 2014

7. Best Friends Again.

 - Isso é ridículo! – Nick disse batendo o punho contra a mesa, fazendo com que o Diretor Forman encolhe-se em sua poltrona.
- Eu sei, Sr. Harris, mas... – ele começou com a voz baixa.
- O senhor e nenhuma dessas mulheres podem tirar o direito da minha irmã de escutar! – Nicholas disse irritado, o Diretor assentiu rapidamente.
- Eu sei, mas elas insistem que a Srta. Harris seja expulsa da escola.
- Por quê? – Nicholas pergunta cruzando os braços, o Diretor o encara e depois desvia o olhar, encarando-me.
- Por causa da... Da morte de...
- Da morte de Matthew Sullivan? Não seja idiota! – Nicholas explodiu, arregalei os olhos e toquei no braço de Nicholas.
- Nick... – sussurrei, ele olhou-me e depois olhou para o Diretor, que parecia irritado.
- Desculpe, Diretor – Nick pediu – Mas é a verdade, minha irmã não matou Matthew Sullivan e isso foi mais que provado.
- Mas as mães de nossos alunos acham que sim – ele disse mais calmo agora, Nick passou as mãos nos cabelos recém cortados e suspirou.
- Tudo bem – ele disse respirando fundo – E o que o senhor vai fazer?
 O Diretor Forman olhou para Nick e logo depois para mim, suspirou e levantou-se.
- Seu pai era um grande amigo – ele começou olhando através de Nick, talvez para a porta ou um objeto qualquer – E ele era um homem bom. Vou contra todas aquelas mães lá fora e deixa-la, srta. Harris, não só pelo seu pai, mas por seu irmão e por você, porque vejo que a senhorita é uma ótima garota também.
 Olhei para Nick surpresa, ele tinha um sorrisinho vitorioso no rosto, voltei a encarar o Diretor e lancei um sorriso.
- Muito obrigada, Diretor – respondi sorrindo, ele deu um breve aceno com a cabeça.
- Obrigado – Nick agradeceu estendo a mão em sua direção, logo o Diretor Forman o cumprimentou.
 Assim que o Diretor abriu a porta, as mães ainda continuavam lá, suas placas dizendo ‘QUEREMOS A EXPULSÃO DE (SEUNOME) HARRIS’ e outras realmente ousadas ‘NÃO QUEREMOS UMA ASSASSINA ESTUANDO AQUI’.
- Então Diretor Forman? – uma perguntou assim que o Diretor fechou a porta, muitas mães ali que eu nunca tinha visto na vida, mas conhecia algumas, a maioria eram grandes amigas de minha mãe.
- A Srta. Harris fica – assim que fechou a boca, começou o cochicho algumas dizendo que isso era errado, que não admitiria isso, que não aceitaria seu filho estudando com uma assassina, etc. Baixei a cabeça para não vê-las olhando-me, porém antes mesmo de isso acontecer, reconheci um rosto ali. Cabelos loiros, talvez a mais baixa, Dianna Lovato. Lembro-me muito bem de como eu a chamava, de tia. Nick e Megan não a chamavam assim, como era mais velhos a chamavam de senhora ou senhorita, menos eu. Lembro-me de como eu a via como uma segunda mãe, de como eu gostava do jeito que ela me tratava.
- Mas ela foi presa! – uma gritou fazendo com que eu desviasse o olhar.
- Por assassinato! – outra completou.
- Do meu filho! – ouvi e procurei a dona da voz, ao lado de Dianna, lá estava à mãe de Matthew. Tirando o cabelo escuro e brilhoso, ele não parecia nada com a mãe.
- Senhoras, eu sei que todas aqui querem a segurança de seus filhos, mas não podemos culpar a Srta. Harris, ela foi presa, porém já esta livre, porque comprovaram que não é a culpada pela morte do Sr. Sullivan! – O diretor Forman disse alto.
- Ela é culpada sim! – ouvi outra falar, desviei o olhar da mãe de Matt e olhei para Nick.
- Vamos embora, daqui, dessa cidade – sussurrei para ele.
- Não podemos, não podemos da esse gostinho para eles – ele sussurrou de volta – Sabemos que você não é a culpada e eles terão que saber também.
- Mas eu não me importo, não me importo deles saberem ou não, só quero deixar isso tudo para trás – minha voz já estava falha, senti minha visão embaçar por conta das lagrimas e vi Nick pegando em meus ombros.
- Não chore, você não tem porque chorar – ele pediu e inclinou-se dando me um beijo na testa.
***

- Que barra, hein – Ally disse sentando-se ao meu lado. – Soube que algumas mães fizeram um protesto pedindo pra você sair da escola, é verdade?
- É sim – respondi vendo Lauren sentar-se a minha frente.
- E então? – Ally perguntou abrindo a garrafa de suco.
- Não conseguiram, o poder de persuasão do meu irmão é muito forte – comentei com um sorriso. Ficamos em silencio por alguns minutos, era primeira vez que Ally falava comigo, bem, falado sem nenhuma suspeita.
- E como vai à matéria especial para o Matt? – perguntei e ela lançou um rápido olhar para Lauren.
- Legal, as pessoas realmente viam Matthew Sullivan como um herói. – Ally disse.
- Um herói extremamente arrogante, esnobe e mimado – Lauren disse revirando os olhos – Hipócritas.
- Enfim, como era a cela que você ficou? – Ally perguntou mudando de assunto radicalmente.
- Te controla, Ally – Lauren pediu irritada, dei um sorrisinho e balancei a cabeça negativamente.
- Suja, silenciosa e aterrorizante – respondi. – Mas não fiquei lá muito tempo a ponto de enlouquecer, mas já esta tudo bem agora, eles não tem porque me prender, claro, se alguém for encontrado morto e eu tiver brigado com a vitima.
 Ally começou um novo assunto que eu não sabia muito bem, na verdade, eu não estava mais prestando atenção. Suas mãos estavam sobre a mesa e ela encarava-me, Demi mordeu o lábio e movimentou a cabeça em direção a porta, demorei um minuto até perceber o que ela queria. Demi levantou-se e seguiu para a saída, virei para Ally e Lauren e levantei-me.
- Você já vai? – Ally perguntou.
- Tenho que terminar alguns exercícios de Química, coisa rápida, mas preciso ir – disse pegando minha bandeja.
- Certo, nos vemos por ai – Lauren disse sorrindo, retribui o sorriso e segui em direção a esteira colocando minha bandeja lá rapidamente. Passei pela mesa de Ally e Lauren acenando, seguindo até a saída do refeitório. Já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha limpado minhas mãos em minha blusa, eu estava suando e nervosa. Fui até o armário de Demi, porém ela não estava lá, cocei o queixo pensando onde ela estaria... Campo de futebol. Andei apressadamente até lá, o que Demi queria falar comigo? Ela parecia diferente, sua expressão facial estava diferente, apesar das outras garotas sentadas na mesma mesa que ela, Demi parecia não pertencer ali, parecia esta em outro mundo.
 Assim que entrei no campo de futebol percebi Demi sentada em uma arquibancada, respirei fundo e andei até lá, tentando parecer calma. Ela encarava o chão, logo sentei-me ao seu lado.
- Eu sinto muito – ela começou levantando a cabeça e encarando-me – Pela aquela “manifestação” de mães no pátio.
- Já superei – respondi encarando-a, Demi continuou encarando-me como se soubesse o que eu iria falar.
- É, minha mãe estava lá também – ela respondeu.
- Eu a vi – disse – No meio de varias outras mães, algumas delas eu até conhecia.
- Tentei convencê-la de não ir, mas... – ela começou, porém parou – Não imagino o que você deve esta passando agora.
- Quando eu as vi com todos aqueles cartazes, eu me senti muito mal – disse encarando-a – Mas logo passou.
- Como você consegue ser assim? – ela perguntou e eu arquei as sobrancelhas – Sabe, forte.
- Nem eu sei – disse desviando o olhar e olhando para frente – Acho que passei por coisas piores que mães super preocupadas por seus filhos estarem estudando na mesma escola que uma assassina.
 Então o som da brisa que batia em meu rosto e bagunçavam os cabelos de Demi era o único som ali, passei alguns minutos olhando para frente e nem percebi que Demi me encarava.
- O que foi? – perguntei um pouco envergonhada.
- Nada, é que... – ela deu uma pausa – Você esta aqui. Depois de cinco anos você esta livre.
- E isso é estranho?
- Não, na verdade é... É maravilhoso – ela respondeu com um sorriso – Você aqui faz com que eu lembre da antiga Demi.
- Aquela que tinha cabelos castanhos e sardas? – perguntei, vendo-a sorrir.
- Também, faz com que eu... – ela me encarou nos olhos, um olhar diferente, que eu não sabia explicar, que nem por um milhão de dólares eu desviaria – É bom ter você aqui.
- Eu sei – respondi sorrindo e logo Demi acompanhou-me, então a senti entrelaçando seu braço no meu.
- Quero recomeçar – Demi disse animada – Quero voltar a ser sua amiga, para depois voltar a ser sua melhor amiga.
- Vou pensar na sua proposta – disse com um tom de brincadeira, Demi sorriu e deu um leve soco em meu braço.
- Por quê? A vaga de melhor amiga já foi preenchida? – ela perguntou e senti certo ciúme em sua voz.
- O que?
- Nada, nada – ela disse revirando os olhos, logo ouvimos o sinal bater – Acho que devemos ir.
- Também acho – disse levantando-me, eu e Demi seguimos em silencio até a saída do campo de futebol, assim que chegamos ao corredor, virei-me para ela – Pode ficar tranquila, a vaga de melhor amiga continua sendo sua.
***
  Eu e Nick estávamos assistindo um filme qualquer de ação, Nicholas adorava, porém eu só estava assistindo porque tinha prometido a ele. Senti meu celular vibrar no bolso, olhei para o lado e Nick nem piscava o olho. Cuidadosamente peguei o telefone e segui para cozinha, atendendo rapidamente.
- Pronto – disse atendendo.
- Oi, é a Lauren – escutei no outro lado da linha – É, pedi a Ally seu numero e ela me deu, também não sei como ela descobriu, mas você sempre tem que esperar coisas como essa da Ally. Enfim, queria saber se você esta livre hoje?
- Hum, acho que sim, Nicholas não disse nada sobre sair hoje.
- Ótimo então, vai ter uma festa aqui perto de casa, como a Ally disse que não iria, já que como não é de alunos lá da escola, ela prefere não ir, então pensei em chamar você, o que acha?
- Festa? Você sabe o que aconteceu na ultima – disse.
- Olha, as pessoas que vão a essa festa são pessoas bem mais maduras que o Matt, pode ter certeza – ela explicou – Mas se não quiser vim, tudo bem.
- Não, eu vou, só preciso convencer o Nick.
- Ótimo, te passo um SMS com o endereço, nos vemos em breve, eu espero – e logo Lauren desligou. Espiei Nick sentando no sofá super concentrado no filme, eu teria que pedir a ele, afinal ele é responsável por mim. Porém, sei que ele não deixaria era uma festa. Respirei fundo e voltei para sala, sentando-me ao seu lado novamente.
- Nick – o chamei, porém ele apenas resmungou algo – Nicholas.
- O que? – ele respondeu, mas ainda olhava para a TV.
- Eu vou a uma festa – disse, porém ele não demonstrou nenhuma reação – Eu posso ir?
- Para onde? – ele perguntou sem encarar-me novamente, revirei os olhos e levantei-me, seguindo para as escadas.
 Vesti outra blusa e calcei as botas, peguei o casaco em cima da poltrona que havia em meu quarto e passei um pouco de perfume, na verdade, muito perfume e escovei os cabelos. Assim que abri a porta, senti o celular vibrar e deduzi ser o SMS de Lauren, peguei e abri, era o endereço da casa. Desci rapidamente, encontrando um Nicholas ainda estava entretido no filme, balancei a cabeça negativamente e segui para porta.
- Nicholas vou a uma festa, certo? – perguntei.
- Certo – ele resmungou, realmente era um filme muito bom, Nicholas nem reparava que eu estava indo a uma festa. Bem, já que ele deixou é meu dever ir, eu o avisei. Pego a chave do carro e saio de casa. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

6. New Friends.

- Vou tirá-la daqui – Nick dizia.
 Já fazia 24 horas que eu estava naquela prisão de Dallas, eu mal tinha pregado o olho, novamente. Pelo menos, Nick já tinha entrado em contato com meu advogado, Henry. Estávamos na sala de interrogatório, esperando o policial Adams.
- Eles não podem te prender, (SeuNome) – o advogado Henry disse – Não tem provas contra você
- É – respondi e olhei para Nick. – Não aquento passar nem mais um dia aqui, quando vou sair?
- Se depender de mim, você não demora nem mais cinco minutos aqui. – o advogado respondeu – Não se preocupe, vou tirá-la daqui o mais rápido possível.
- Eu espero – respondi, ele olhou para mim e para Nick.
- Antes de tudo, vocês não estão escondendo nada de mim. certo? – ele perguntou, pensei em contar sobre a pulseira.
- Contaríamos se tivesse algo – Nick respondeu rapidamente, o advogado assentiu e logo ouvimos a porta da sala abrir, era o policial Adams.
- Sou o advogado da Senhorita Harris – Henry disse levantando-se e estendo a mão em direção ao policial, que logo a cumprimentou, então voltou a sentar-se – Qual é a situação dela?
- Conversamos com alguns alunos que estavam na festa da vitima, e segundo eles, a srta. Harris e sr. Sullivan tiveram uma briga – o policial disse.
- Isso eu sei, mas não é o bastante para o senhor prender minha cliente – ele disse.
- Não é, porém nossos legistas nos enviaram essas fotos – ele disse entregando algumas fotos para Henry.
- Eu ainda não entendi. – Henry disse ainda olhando as fotos.
- Perto da mão do Sr. Sullivan – o policial disse apontando na foto – Essa pulseira.
- Uma pulseira? É tudo o que o senhor tem? – Henry disse debochado.
- É a pulseira da srta. Harris – ele respondeu e olhou-me – Que sumiu do local do crime.
- E quem garante que essa pulseira é de minha cliente? – Henry disse.
- Essa foto – o policial disse entregando mais uma foto para Henry, porém fui rápida e peguei. Realmente era uma foto minha usando a pulseira.
- Ora, policial Adams, essa foto é de cinco anos atrás – Henry disse – A srta. Harris nem mesmo lembra dessa pulseira.
- Mesmo assim... – o policial Adams continuou, porém foi interrompido por Henry.
- São fotos, policial – ele disse – E essa pulseira, pelo o amor de Deus, qualquer um pode ter essa pulseira, sejamos sinceros, o senhor não tem motivos nenhum para prender minha cliente.
 O policial Adams mordeu o lábio e encarou-me.
- Vou liberar a senhorita, porém estaremos investigando – ele respondeu e respirei aliviada. 
***
- Obrigado, Henry – Nick disse assim que chegamos em casa.
- Só fiz meu trabalho – ele respondeu sentando-se no sofá – Precisamos conversar sobre a tal pulseira.
- Eu não sei como ela foi parar lá, Henry – respondi – Eu nem mesmo sabia onde ela estava, eu havia perdido-a no dia do enterro do meu pai e de Tom.
- De alguma forma alguém esta aprontando para cima de você – ele respondeu.
- E eu não faço a mínima idéia de quem seja – respondi.
- Bem, precisamos tomar muito cuidado, porque se essa pulseira for encontrada – ele disse dando uma pausa em seguida – Você sabe.
- Sim – respondi assentindo, ele olhou o relógio de pulso e olhou-me.
- Já esta em minha hora – ele respondeu levantando-se.
- Obrigada, Henry – respondi e ele sorrindo, pegando em meu ombro e apertando.
- Como disse ao seu irmão, só fiz meu trabalho – disse e logo se despediu.
- Foi ela – Nick disse voltando para sala.
- Quem?
- Demetria, ela cumpriu o que disse – Nick disse com certa raiva em sua voz.
- Não foi ela, Nick – respondi – Você mesmo ouviu que foi as fotos do legista, sei lá.
- E você acha que eles mandaram as fotos por quê? Não adianta defende-la, essa garota denunciou você, (SeuNome).
- Nicholas, não foi ela, okay? Demi não...
- Eu não acredito! – ele disse irritado – Você acha que ela não teria coragem? Por favor, né, (SeuNome)!
- Não quero discutir Nicholas – disse andando em direção a escada.
 Eu estava certa, certo? Demi não teria coragem de me denunciar, já fomos amigas e estávamos começando a ter um bom relacionamento, a minha Demi não faria isso, não mesmo.

***
 Nicholas disse que eu não precisava ir à escola, o que foi uma coisa boa, odiaria ver aqueles idiotas me olhando como se eu fosse uma assassina. Passei a manha toda no quarto lendo, na verdade tentando. Minha cabeça estava cheia de perguntas, quem teria colocado minha pulseira ao lado do corpo do Matt, quem teria mandado aquela mensagem, o bilhete do tal T.P.H... Olhei para o relógio e vi que eram três da tarde, levantei-me e deixei o quarto.
- Onde você vai? – Nick perguntou assim que me viu.
- Andar por ai – respondi.
- (SeuNome)... – ele começou, porém logo eu o interrompi.
- Só vou andar, Nick, não vou matar ninguém – respondi e sai. Não sabia onde iria, na verdade, eu só queria pensar. Então me lembrei da cafeteria que eu e meu pai costumávamos ir. Não estava tão diferente, coloquei a mão na maçaneta e entrei, respirei aliviada em ver que a cafeteria não estava tão cheia, segui em direção a uma mesa. Assim que sentei percebi que a algumas mesas, Demi encarava algo na mesa, seu cabelo estava amarrado em um coque e ela parecia pensativa. Será que ela tinha mesmo me denunciado? Demi, minha melhor amiga? Não, ela não... Não teria coragem.
- O que vai querer? – fui acordada de meus pensamentos por alguém, levantei o olhar e percebi um garoto com expressão cansada perguntar.
- Café – respondi, ele assentiu e saiu, voltei a olhar para Demi que agora me encarava, sua expressão diferente, ela mordeu o lábio e levantou-se, vindo em minha direção.
- Posso sentar? – ela perguntou com a voz rouca, encolhi os ombros e logo ela sentou-se – Soube que você...
- Fui presa, é verdade – respondi rapidamente e ela assentiu, respirei fundo e depois de alguns minutos, engoli o seco e perguntei. – Foi você? Você me denunciou?
- Não – ela respondeu sem olhar-me – Não fui eu... Não consegui.
- Não conseguiu? – perguntei encarando-a, Demi colocou uma mecha ruiva atrás da orelha e encarou-me.
- Eu ia denunciar você, realmente ia, mas não... – ela engoliu o seco – Não consegui fazer, estava em frente à delegacia e simplesmente eu...
- Eu sabia – respondi sorrindo e ela encarou-me.
- Sabia o que?
- Que não foi você – disse sorrindo, levei minha mão até a sua em cima da mesa, Demi olhou para nossas mãos e depois olhou para mim, a afastei rapidamente. – Oh desculpe.
- Não tem problema – ela respondeu dando um sorriso de lado, então ouvimos a porta da cafeteria abrir, virei-me e vi um grupo de pessoas entrando, e uma delas era Rose.
- Demi? – ela disse assim que nos viu, Demi olhou-me e logo levantou-se – O que você ta fazendo com essa assassina?
- Estou... – ela olhou-me mais uma vez – Estávamos apenas conversando.
- Ah esqueci, vocês eram amigas antes – ela disse irônica, balancei a cabeça negativamente – Quer saber? É bom você ficar ai mesmo.
 E assim saiu com o grupo, indo em direção a uma mesa, olhei para Demi que encarava as mãos.
- Como você consegue ser amiga de uma pessoa como ela? – perguntei.
- Rose às vezes é insuportável, porém é uma boa pessoa – Demi respondeu sem olhar-me.
- Na verdade, como você consegue ser amiga de pessoas como aquelas? Você é tão mais inteligente que eles.
- Ela estava aqui quando eu não tinha nenhuma amiga – ela respondeu finalmente olhando-me – Eu precisava de amigos e eles estavam lá.
- Entendi – respondi, logo o garoto veio deixar meu café, Demi suspirou e levantou-se.
- Eu já vou... – assenti e tomei um gole de café, Demi suspirou e seguiu em direção a saída da cafeteria. Enquanto tomava meu café e encarava os novos amigos de Demi, fiquei pensando se tudo fosse diferente. Se nada tivesse acontecido. Demi, Megan e eu, sentadas em uma dessas mesas conversando sobre algo sem importância, talvez sobre roupas ou garotos ou talvez não. Talvez nem fossemos amigas mais, mesmo assim nunca saberia, porque Megan esta morta e Demi, bem, Demi tinha novas amigas agora. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

5. Easy Choices.

 Abri os olhos rapidamente sentando-me na cama, demorou alguns minutos até eu finalmente me acalmar, passei as mãos pela testa e percebi que estava suando, levantei-me e segui em direção para fora do quarto.
 Por cinco anos eu sempre sonhava o mesmo sonho, a morte de Megan. Porém agora o sonho era diferente, era com o T.P.H. Enquanto seguia em direção a cozinha, pensava no sonho. Eu estava em uma sala vazia e ele estava sentando em minha frente, sorrindo e eu gritando, mas não conseguia ouvir som nenhum. Ele sempre falava a mesma coisa.“Você devia ter feito isso”. Abri a porta da geladeira, pegando uma garrafa de água logo em seguida. Não contei a ninguém sobre o bilhete e aquilo estava mexendo comigo de um jeito, mas o que poderia fazer? Se contasse a Nick ele com certeza diria que era alguém tentando fazer uma brincadeira de mal gosto, a policia nem pensar, Lauren eu tinha acabado de conhecer e Demi... Ela era minha melhor amiga, ela foi minha melhor amiga, não poderia metê-la nisso novamente. Enquanto colocava o copo na pia, vi algo se mexer entre o jardim, continuei olhando e novamente a coisa se mexeu. Mordi o lábio e abaixei-me pegado uma lanterna debaixo da pia, eu poderia subir e voltar para o quarto ou chamar o Nick, isso eram as escolhas fáceis, mas eu odiava coisas fáceis, então andei até a porta da cozinha abrindo-a em seguida.
- Quem está ai? – perguntei com a lanterna ligada – Quem está ai?
 Andei em direção ao jardim com passos lentos, se estava com medo? Muito, mas eu não me importava, iluminei o jardim, porém não havia ninguém ali. Então escutei um barulho, de uma pessoa, na verdade.
- Merda – ouvi, olhei para o lado e andei até lá.
- O que esta fazendo? – perguntei iluminando-a com a lanterna. Demi tirava algumas folhas da roupa.
- Meu Deus! – ela deu um grito assustada.
- Desculpe – respondi, Demi colocou uma mão sobre o peito e apoiou a outra no joelho. – O que estava fazendo?
- O que eu...? Estava... – ela olhou-me – O que você estava fazendo?
- Insônia – respondi encarando-a – Você não respondeu minha pergunta.
- Eu estava... – ela mordeu o lábio e encarou o chão – Insônia, também.
 Ficamos no encarando, eu sabia que Demi estava mentindo, ela não me encarava nos olhos e era um sinal.
- Vou voltar – disse quebrando o silencio, ela assentiu nervosa – Boa noite.
- Boa noite – ela respondeu, assenti e virei-me indo em direção a porta da cozinha – (SeuNome)!
- Sim? – respondi encarado-a, Demi mordeu o lábio e encarou-me.
- Porque você mentiu? – ela perguntou.
- Eu menti? Sobre o que?
- Você não ficou o resto da noite comigo – ela respondeu cruzando os braços.
- Eu não...
- Você me disse que não tinha falado com os policias, sabe, sobre ter ficado comigo depois da festa, mas você não ficou, você mentiu.
- Não menti, eu fiquei com você, no balanço, lembra? – disse.
- É, mas você saiu depois da mensagem – ela respondeu e pude ver um olhar desapontado, engoli o seco.
- Era o Nick, eu disse – respondi, ela balançou a cabeça negativamente e deu um sorriso infeliz.
- Certo, era o Nick – Demi disse e levantou sua mão, balançando algo no ar, uma pulseira – Enquanto a isso?
- O que... – era uma pulseira realmente, minha pulseira, arregalei os olhos e segui até lá. – Onde você conseguiu isso?
- Adivinha – ela disse – Na casa do Matt.
- Na casa... Do Matt? – perguntei, Demi passou uma mão pelo o cabelo e balançou a cabeça negativamente.
- Rose estava certa – ela disse e percebi sua voz embargada – Você matou o Matt.
- Demi, eu não matei ninguém – respondi sentindo um nó na garganta.
- Velhos hábitos nunca morrem, não é mesmo? – ela disse irônica – Porque você voltou? A cidade estava tão melhor sem você, todos tinha esquecido o assassinato da Megan, até você... – Demi disse com a voz falha.
- Eu não matei ninguém, Demi, eu juro.
- Não acredito que por um segundo deixei você entrar na minha vida de novo – ela disse, baixei a cabeça, vi a pulseira cair bem perto de meus pais, abaixei-me e a peguei. Levantei a cabeça, porém Demi já estava seguindo em direção a sua casa.
***
- Você esta bem? – Nick perguntou, olhei para ele e assenti rapidamente – Não parece.
- Não dormi bem, só isso – disse.
- Você nem tocou na comida, aconteceu alguma coisa, (SeuNome)?
- Porque não fomos para outro lugar? – perguntei.
- Como assim? – Nick perguntou confuso.
- Porque não mudamos de cidade depois que sai do reformatório? Seria muito melhor, sabe, recomeçar uma vida em outro lugar, com outras pessoas.
- O que houve, (SeuNome)? Porque esta falando essas coisas...
- Quer saber? Vou para aula – disse levantando-me e indo em direção a sala, peguei minha bolsa e tratei de sair daquela casa.
 Não consegui pregar o olho, comer ou fazer qualquer coisa. Passei o resto da noite só encarando aquela pulseira e pensando em como ela foi parar lá. Eu realmente não passei o resto da noite com Demi, ficamos nos balançando e logo depois recebi uma mensagem: 
“Uma Harris nunca deixa isso barato, não desonre sua família”. 
 Não era o Nick, era um número confidencial, Demi perguntou quem era, eu tive que responder que a mensagem era do Nick, então segui em direção pra casa, apenas isso. Quando éramos criança, mamãe sempre guardava uma chave reserva em um vaso ao lado da porta dos fundos, então peguei a chave e entrei em casa. Não voltei para a casa do Matt e não o matei, eu estava tentando refazer minha vida, porque eu mataria um cara que... Que me bateu. Era isso. Por isso que o policial me chamou e Rose disse que eu tinha matado-o. Vingança. 
 Nem percebi que já estava em frente da escola, passei tanto tempo pensando que mal percebi. Andei pelo os corredores de cabeça baixa, não por causa dos olhares, e sim, por causa de Demi, não queria encará-la, não com ela pensando que eu matei seu amigo.
- (SeuNome) – olhei para o lado e vi Lauren parada ao meu lado, encarando-me.
- Hey – disse forçando um sorriso.
- Como está? – ela perguntou enquanto abria meu armário.
- Péssima – respondi – E você?
- Levando – ela respondeu – Soube que você falou com o policial.
- Pois é, parece que eu sou a principal suspeita – disse com um tom irônico.
- São todos uns idiotas – Lauren disse – Matt não era uma pessoa maravilhosa, vivia se metendo em briga e tinha vários inimigos.
- Mas para eles eu sou a única – respondi, Lauren mordeu o lábio e encarou-me.
- Não acho que você tenha matado o Matt – ela respondeu e eu sorri, pela primeira vez naquele diz.
- Obrigada – respondi sorrindo, ela retribuiu – Pelo menos alguém.
- Mas a investigação ainda esta acontecendo, certo? Daqui a pouco vão achar o culpado – Lauren disse e eu suspirei.
- Espero que esteja certa – respondi, então o sinal tocou – Nos vemos no refeitório.
- Claro – ela respondeu, sorri e segui para sala de aula.
***
 Sentei ao lado de Lauren e olhei o refeitório a procura de Demi, e lá estava ela. Rose estava com a cabeça em seu ombro e parecia chorar, Demi também estava com os olhos inchados, nossos olhares se encontraram e pude sentir o ódio e a magoa trasbordando por eles.
- Problemas no paraíso? – Lauren perguntou fazendo com que eu desviasse o olhar.
- O que? – perguntei, ela deu um sorriso de lado e bebeu um pouco de seu suco – Cadê a Ally?
- Deve esta em alguma reunião do jornal – Lauren respondeu revirando os olhos – Com certeza estão discutindo sobre a próxima matéria do jornal.
- Você e Ally são amigas há muito tempo? – perguntei.
- Há dois anos, ela me ajudou com tudo isso aqui quando cheguei – ela respondeu.
- Chegou de onde? – perguntei e vi Lauren ficar tensa.
- Los Angeles – ela respondeu, mordeu o lábio e encarou-me – Reformatório de Los Angeles.
- Oh – murmurei surpresa – Nossa.
- Pois é – ela disse forçando um sorriso – Temos uma coisa em comum.
- E o que você fez para ir, sabe, para um reformatório?
- Briga de rua – ela respondeu e arquei as sobrancelhas surpresa – Não pense que eu sou disso, minha mãe tinha acabado de morrer e eu estava naquela fase de revolta, então comecei a sair com pessoas desse tipo e acabei me metendo e você sabe como acontece.
- E você mora com quem hoje?
- Minha tia, ela me tirou de lá – respondeu – Sabe, você e Ally são as únicas que sabem disso.
 Sorri e assenti, Lauren tinha confiado em mim para contar isso, será que eu não deveria confiar nela também? Contar sobre o bilhete, talvez me ajudasse um pouco. Abri a boca para contar sobre o bilhete, porém fui interrompida por Ally.
- Hey – Ally disse sentando-se na mesa.
- Oi – respondi e ela olhou-me.
- Então, como foi à reunião? – Lauren perguntou rapidamente.
- Vamos fazer um especial em homenagem ao Matt – ela respondeu olhando para seu prato.
- E a entrevista da (SeuNome)? – Lauren perguntou.
- Vamos ter que adiar – Ally disse e finalmente olhou-me – Vamos fazer a homenagem ao Matt primeiro.
- Justo – respondi e ela apenas assentiu e encarou seu prato. Comemos em silencio e de vez em quando percebia alguns olhares de Lauren para Ally, mas minha cabeça estava tão longe que eu nem mesmo comi nada.
- Nos vemos por ai – disse para Lauren levantando-me.
- Onde você vai? – ela perguntou.
- Não estou com muita fome, vou andar por ai – respondi, ela assentiu, deixei minha bandeja e segui para fora do refeitório, andei até meu armário, porém parei assim que vi. Demi estava parada em frente a ele, olhou-me e começou a andar em minha direção.
- Campo de futebol – ela sussurrou ao passar por mim, assenti entendo o recado. 
 Depois de alguns minutos segui em direção ao campo de futebol, olhei em direção as arquibancadas e lá estava Demi.
- Oi – respondi, Demi encarou-me e cruzou os braços.
- Você precisa se confessar – ela disse.
- Confessar o que?
- Não se faça de idiota – ela respondeu ríspida – Confessar a policia o que você fez.
- Eu não fiz nada, Demi – respondi.
- Fala a verdade pelo menos uma vez na vida, (SeuNome) – ela disse – Ou você diz a policia o que fez ou eu vou ter que dizer.
- Você... – comecei, porém ela interrompeu-me rapidamente.
- Você vai fazer isso hoje, ou então... – ela disse encolhendo os ombros e logo saindo dali.
***
- Nick? Podemos conversar? – disse adentrando na cozinha.
- Claro, o que houve? – ele respondeu cruzando os braços, engoli o seco e sentei-me na cadeira.
- Quero que você me escute, até o fim, sem dizer nada, okay? – disse, Nick franziu o cenho e sentou-se a mesma também.
- Você esta me assustando – ele respondeu – O que houve, (SeuNome)?
- Sabe quando eu fui chamada à delegacia? Ser interrogada sobre a morte do Matt? – disse encarando minhas mãos em cima da mesa – Eu disse para você que todos os alunos que estavam na festa foram chamados, eu estava mentindo.
- (SeuNome)... – ele começou.
- Me deixa terminar – pedi – Eu fui chamada porque sou a principal suspeita da morte do Matt.
- O que?
- Como você sabe, eu tinha brigado com ele – disse ainda encarnado minhas mãos, não conseguia encara-lo – E como eu apanhei, eu fui a principal suspeita, essas coisas de vingança.
- Mas você não fez isso – Nick disse – Ou...
- Não! Mas eu menti em relação a isso – disse – Não passei o resto da noite com a Demi, ela me trouxe até aqui, depois ficamos conversando, então recebi uma mensagem.
- De quem?
- Não sei, não tinha nome algum – respondi – Nick, eu juro que não matei o Matt, porque eu mataria aquele garoto?
- Eu acredito em você – ele respondeu pegando em minha mão, então finalmente eu o encarei.
- E tem mais – respondi, abri a bolsa e peguei a pulseira, colocando em cima da mesa, Nick arregalou os olhos e pegou.
- Onde...?
- Demi me entregou ontem – respondi e ele encarou-me – Ela disse que estava na casa, junto com o corpo do Matt.
- Meu Deus – ele disse passando as mãos pelos cabelos – Como essa pulseira foi parar lá?
- Você acha que eu sei? Não via essa pulseira há sete anos, Nick – respondi – O que vou fazer agora?
- O que vamos fazer – ele respondeu – Vamos escondê-la, quebra-la, fazer alguma coisa.
- Não adianta – respondi e ele franziu o cenho – Demi me confrontou hoje e disse que se eu não confessasse a policia, ela...
 Fui interrompida por batidas na porta, olhei para Nick já sabendo o que aquilo significava, levantei-me e segui em direção a porta. Coloquei a mão na maçaneta e olhei para Nick.
- Não... – ele sussurrou, mas já era tarde, a porta já estava sendo aberta.
- Senhorita Harris, você esta presa pelo o assassinato de Matthew Sullivan. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

4. T.P.H

 Acordei aquela manha com a sensação de dever cumprido. Assim que cheguei à cozinha, Nick estava deitado no sofá com uma caneca de café em cima da mesinha de centro.
- Parece que se divertiu até demais ontem, hein – disse encarando-o, Nick abriu um olho e gemeu.
- Fale baixo, por favor – ele pediu, sorri e fui até a cozinha.
- Você não esta atrasada pra escola? – o ouvi perguntar, olhei por cima do ombro e lá estava ele sentando-se a mesa.
- Acordei cedo – disse colocando um pouco de café na xícara – Tenho alguns minutos.
- E como foi à festa? – ele perguntou, engoli o seco e virei-me encarando a janela.
- Legal – respondi, com certeza a ressaca dele era tão grande que não prestou atenção no corte em meu lábio.
- Parece que foi sim, afinal você e Demi estavam... – ele não completou porque minha atenção era na tv.
 “...Matthew Sullivan, mais conhecido como Matt, foi encontrado morto pela empregada em sua casa, segundo a policia, ele foi encontrado com marcas enforcamento e um corte do lado esquerdo da cabeça...”
- Você não foi a festa desse...? – Nick começou, porém logo eu o interrompi.
- Você acha que eu... – respirei fundo – Não, eu não...
- Ei calma – Nick disse – Eu não estou dizendo nada, okay? Só fiz uma pergunta.
- Certo – disse e virei-me, bebi um pouco de café e vi que Nick me encarava.
- Você quer me dizer alguma coisa?
- Você acha que eu o matei? Ai meu Deus, Nick! – disse jogando as mãos para cima.
- Eu não estou dizendo que você o matou, (SeuNome) – Nick disse já irritado – Só quero que você me con...
- Nós brigamos – disse e vi Nick ficar tenso – Ele me chamou de assassina, ai eu o empurrei, depois ele me deu um soco, dois, na verdade e pronto, eu fui embora, eu juro, Nick, eu não o matei.
- Eu acredito em você – Nick disse depois de alguns minutos me encarando – Mas você sabe que isso...
- Eu sei, mas eu não o matei – respondi, ele assentiu e pegou em meu rosto.
- Vou deixar você na escola – ele respondeu, levantando-se e dando um beijo em minha testa – Vou pegar meu casaco.
***
  ‘ASSISSANA!’ Em grandes letras vermelhas, esse era o nome escrito na porta do meu armário, olhei em volta e todos me encaravam, respirei fundo e o abri o armário, peguei os livros de Geografia e os coloquei na bolsa. Aquilo sim era um inferno, eles só me encaravam, sem dizer uma palavra, com certeza pensando que eu matei o amigo deles. Respirei fundo, segui em direção a sala, porém parei assim que a vi. Ela abraçava a garota Rose, nossos olhares se encontraram, no mesmo estante que os de Rose.
- Você! – ela falou assim que me viu, andando em minha direção, sua expressão era de dor e ao mesmo tempo de raiva – Você o matou! Você matou o Matt!
- Eu... – comecei a falar, mas nenhuma palavra saia de minha boca, vi as mãos de Demi pegar em seus braços.
- Rose, não – Demi sussurrou, ela soltou-se dos braços de Demi e a encarou.
- Ta defendendo sua amiga de infância, Demi? Conte para todos que você era amiga dela e estava lá no dia que... – Rose foi interrompida pela mão de Demi em seu rosto.
- Cala a boca – e assim saiu, deixando Rose com a mão no rosto, respirei fundo e segui em direção a sala de aula.
- Hey! – ouvi, porém continuei andando – (SeuNome), espera!
- O que é? – virei-me rapidamente fazendo-a parar bruscamente.
- Você esta bem? – ela perguntou.
- Não, Lauren – respondi e comecei a andar novamente, ouvi seus passos e senti sua mão tocar meu ombro. – O que você quer, Lauren? Me deixa ir pra aula, antes que eles venham aqui e me levem algemada.
 Nem mesmo pedi licença quando entrei na sala, apenas entrei e sentei na ultima cadeira, o professor não falou nada, afinal ele estava tão concentrado em ler o livro no qual ninguém prestava atenção, peguei o caderno na bolsa e vi um bilhete cair do mesmo, olhei para lado conferindo se ninguém tinha visto, inclinei-me e o peguei do chão, logo o abrindo.
 “Estou orgulhoso. – T.P.H.”
***
- Senhorita Harris? – ouvi enquanto colocava os livros no armário, virei-me e o vi encarando-me.
- Sim? – perguntei, era um policial, ele deu alguns passos e estendeu a mão em minha direção, logo o cumprimentei.
- Sou o Policial Adams e estou investigando a morte de Matthew Sullivan – ele disse – Você pode me acompanhar até a delegacia?
- Eu estou tendo aula agora e...
- Falei com o Diretor e ele a liberou – ele respondeu interrompendo-me, engoli o seco e assenti.
- Sendo assim – disse forçando um sorriso, ele assentiu e andou em direção a saída.
***
- Eu sei que parece confuso, mas vou apenas fazer algumas perguntas e quero que me responda a verdade – ele disse sentando-se na cadeira a minha frente.
- Já passei por isso – respondi, ele encarou-me por um tempo e juntou as mãos em cima da de mesa.
- Soube que a senhorita estava presente na festa de Matthew Sullivan na noite que ele foi morto, isso é verdade?
- Sim – respondi.
- E nessa mesma festa, a senhorita e Matthew Sullivan tiveram uma desavença?
- Sim, nos brigamos – respondi calmamente.
- Por quê?
- Ele chamou-me de assassina e eu o empurrei, ele levantou-se e me deu dois socos, mas antes que ele me desse o ultimo golpe, separam a briga.
- E o que fez depois da briga?
- Eu voltei para casa e dormi – respondi e o vi franzi o cenho.
- Você não voltou para casa de Matthew Sullivan naquela noite?
- Não – respondi, depois de longos minutos, ele ajeitou-se na cadeira e assentiu.
- Certo, a senhorita já pode ir – ele disse, levantei-me e o cumprimentei mais um aperto de mão e segui em direção a saída.
***
- O que você disse a ele? – Nick perguntou assim que entrei em casa.
- A verdade – respondi.
- E que verdade?
- A verdade, Nick, meu Deus – disse irritada – Será que você pode acreditar em mim?
- Eu acredito, okay? Só que sabemos que você não disse a verdade – ele respondeu – Ou disse?
- Ele não perguntou com quem eu estava, okay? Se tivesse perguntado eu diria, com a Demetria, mas ele não perguntou.
- Quando o motivo de você esta tão mal humorada? – ele disse, porém eu já estava indo em direção ao meu quarto. Fechei a porta e sentei-me na cama, enfiei a mão no bolso da calça e pequei o bilhete. O que ele queria dizer com ‘estou orgulhoso’? E quem diabos era T.P.H?
- (SeuNome)? – ouvi a voz de Nick.
- O que é?
- Você tem visita – ele respondeu, levantei-me e fui até a porta, abrindo-a. – Lá embaixo.
- Quem é? – perguntei olhando-o, Nick encolheu os ombros.
- Vai logo, garota – ele disse e assim fiz. Não havia ninguém na sala, porém a porta estava aberta.
- Demi? – perguntei assim que a vi de costas com os braços cruzados, logo que ouviu meu nome, ela virou-se.
- Oi – respondeu meio nervosa.
- Hey – disse sorrindo – Quer entrar?
- Ah não – ela respondeu rapidamente – Podemos conversar?
- Ah claro, claro – respondi, ficamos nos encarando, até ela finalmente começar a andar em direção ao balanço e logo a segui.
- Como foi lá na delegacia? – ela perguntou sentando-se em balanço.
- Normal, eles só me fizeram perguntas – respondi, ela assentiu e mordeu o lábio.
- Que tipo de pergunta eles fizeram? – ela perguntou encarando o chão, sentei-me no outro balanço e a encarei.
- Você quer saber se eu disse que fiquei com você depois da festa – disse e ela encarou-me – Pode ficar tranqüila, eu não disse nada disso.
- Desculpa, eu não... – ela começou, porém eu a interrompi.
- Tudo bem, Demi – respondi – Alias, aquele seu tapa foi incrível.
- Obrigada – ela respondeu timidamente - Rose merecia aquele tapa á muito tempo.
- Pensei que vocês fossem amigas – disse, Demi balançou a cabeça e deu um sorriso amarelo.
- Já fomos um dia – respondeu – Rose mudou, eu mudei, as pessoas mudam. 
- Eu sinto muito – disse e ela encarou-me.
- Tudo bem – ela respondeu e ficamos nos olhando, vi um sorriso tímido nascer em seus lábios – Também é bom ver você, (SeuNome).

domingo, 20 de julho de 2014

3. Matt's Party.

- É só uma festa, Nicholas! – gritei seguindo-o até a cozinha.
- Legal, mas você não vai – ele disse colocando os pratos na pia.
- Porque não? – perguntei começando a ficar irritada.
- Porque não, (SeuNome) – ele disse virando-se para encarar-me – Porque diabos esse garoto foi te convidar para uma festa? Com certeza, eles tão aprontando algo.
- E se aprontarem? Eu não estou nem ai! – disse alto.
- Mas eu estou – ele respondeu calmo, odiava isso em Nick, sempre que discutíamos ele mantinha a classe. – Eu me preocupo com você, (SeuNome).
- Mas é só uma festa – disse – Eu juro me comportar, se eles provocarem ou fizerem alguma brincadeirinha eu volto para casa.
- Eu conheço você há 17 anos, você acha que eu caio nessa conversa? – ele perguntou cruzando os braços e arqueando as sobrancelhas.
- Por favor, Nick – pedi – Eu fiz o que você pediu, não falei com ela, não me meti em confusão, é só uma festa, por favor.
- Se eu deixar você promete não se meter em confusão e...
- E não falar com ela, tudo bem, Nick – disse, ele suspirou e assentiu – Isso! Por isso que você é meu favorito!
- Se babação ou não deixo mais. – ele disse, sorri e corri para o quarto.
***
 A casa do tal Matt não era tão longe assim, decidi ir andando, já que Nick não me deixaria até lá. Antes mesmo de chegar na rua da casa, pude ouvir o som alto tocando. Haviam vários carros estacionados em frente a sua casa, vi algumas pessoas bebendo, beijando-se ao lado de fora, botei a mão na maçaneta da porta e a girei. 
 Foi como se eu tivesse, antes de adentrar a casa, anunciar que estava entrando, não foi como hoje mais cedo no corredor da escola, eles só ficaram encarando-me, sem cochicho, apenas me encarando.
- Hey! – ouvi e olhei para o lado, era Lauren quem me chamava. Suspirei aliviada só de vê-la, pelo menos não estaria sozinha. – Oi (SeuNome).
- Lauren – disse sorrindo para ela.
- Então você decidiu vim?
- Só uma passadinha – respondi, ela assentiu então começou a falar algo, porém eu não prestava atenção. Ao lado da mesma garota ruiva, do outro lado da sala, na cozinha, Demetria estava maravilhosa, usava um vestido preto brilhoso de alças, mesmo com o básico ela estava estonteante, ela ria de algo até que finalmente seu olhar encontrou o meu. Diferente do olhar de hoje mais cedo, ela não parecia a Demetria de 11 anos que correu aterrorizada por ver sua melhor amiga morta, ela parecia a Demetria que Nick tinha me falado.
- Vou pegar mais bebida, você quer? – Lauren perguntou, fazendo com que eu desviasse o olhar e a encarasse.
- Ah? – disse e notei que ela me encarava com um olhar estranho.
- Vou pegar mais bebida – ela disse. – Quer ir comigo?
- Claro – respondi e seguimos em direção a cozinha, ou melhor, a ela.
 Demetria estava apoiada na pia, falando com a garota ruiva.
- Qual é a sua com a Demetria? – ouvi Lauren sussurrar, enchendo um copo com cerveja.
- Nada – respondi e ela me olhou incrédula – É serio.
- Quando você perguntou por ela hoje na escola eu não falei nada, mas agora, eu a vi encarando você – ela sussurrou.
- Ela é minha vizinha, só isso – respondi e Lauren assentiu, porém não pareceu engolir a historia.
***
 Estava sentada no sofá, não fazia nem dez minutos que eu tinha chegado, realmente aquela festa não estava tão boa assim, pelo menos para mim. Lauren havia ido buscar mais bebida, então eu estava sozinha. Esvaziei o copo e o coloquei em cima da mesa ao lado do sofá, virei-me e lá estava Demetria encarando-me. Ela estava na escada, com duas garotas ao seu lado, uma falava algo em seu ouvido, mas ela não prestava atenção. Porque ela estava encarando-me? Ela me ignorou na escola hoje e agora fica encarando-me?
- Aqui – fui acordada de meus pensamentos por Lauren, ela entregou-me outro copo e sentou-se ao meu lado. – Então, você vai me dizer o que rola entre você e a Demetria ou...?
- Não rola nada, eu nem a conheço – disse encarando-a.
- Qual é, eu vi vocês duas se encarando agora pouco – ela disse tomando um pouco de sua bebida – Olha eu não sou a Ally, okay? Pode me contar.
- Eu e ela... – comecei – Ta, nos éramos amiga.
- O que? – ela perguntou com as sobrancelhas arqueadas.
- Quando criança, ela era minha vizinha e nos éramos amigas – disse – Ela estava na minha casa quando tudo aconteceu.
- Nossa – Lauren disse levemente surpresa – Por isso que ela fica te encarando?
- Não sei – disse dando de ombros – Talvez sim, não sei.
- Porque vocês não se falam? Quer dizer, vocês eram amigas.
- Éramos amigas – disse tomando um gole da minha cerveja – Não somos mais.
 Lauren assentiu e ficamos em silencio, olhei para onde Demetria se encontrava, porém ela não estava mais lá, olhei para o lado e vi.
- O que é aquilo? – perguntei para Lauren, ela olhou-me confusa e eu apontei para cozinha.
- Ah, é Matt e Rose se resolvendo – ela disse calmamente, o garoto que havia anunciado a festa gritava com a garota ruiva que falava algo no ouvido de Demetria a alguns minutos antes. Ele estava alterando, enquanto a garota se encolhia encostada na geladeira, então ele levantou a mão e lhe deu uma tapa no rosto.
- Lauren, ele ta batendo nela – disse cutucando-a no ombro.
- Não há uma só festa que ele não faça isso – ela respondeu e assim que fechou a boca, Matt lhe deu outro tapa. Levantei-me rapidamente, será que ninguém se importava com a garota que estava apanhando?
- Nem pensei em ir lá, (SeuNome) – ouvi Lauren falar pegando em meu braço, o puxei levemente e segui até lá. Não iria pular em cima do garoto e o impedir de bater na garota, apenas entrei na cozinha e o vi encarando-me.
- O que esta fazendo aqui? – ele perguntou irritado.
- Pegando mais bebida – respondi e o vi vindo em minha direção.
- Estamos conversando, saia daqui! – ele disse irritado.
- Não parece que vocês estão conversando – respondi virando-me para ele.
- O que você disse? – ele disse alto, dei alguns passos para trás por causa do cheiro de álcool.
- Que vocês não parecem conversar, na verdade, você esta batendo na garota – disse encarando-o.
- E o que você tem haver com isso?
- Nada – respondi – Como disse, só estou pegando uma bebida.
 Peguei o copo e segui em direção a saída.
- É ir embora mesmo, assassina! – ele gritou e eu virei-me.
- Você me chamou de que? – perguntei deixando o copo cair no chão.
- Assassina, não é o que você é? – ele disse dando um sorriso provocador. “Não se meta em confusão” a voz de Nick ecoava em minha cabeça, não caia na provocação desse cara, (SeuNome), eu dizia para mim mesma.
- Cala a boca – disse respirando fundo. – Cala a boca.
- E se eu não calar, o que vai fazer? – ele respondeu, eu não iria cair na provocação dele, virei-me e continuei andando – Vai me matar como você matou sua amiga? Como era o nome dela mesmo? Megan? Ah sim, Megan.
 E antes mesmo que eu pensasse, eu já estava correndo em sua direção e o empurrando. Assim que ele chegou ao chão, lançou-me um olhar que chegou a ser doentio, levantou-se e sorriu.
- Eu... Sinto muito – comecei, o que eu estava pensado? Ele era bem mais forte que eu, brigar com um cara desse tamanho? Mas já era tarde, ele já estava vindo em minha direção com o punho fechado. Ele acertou meu nariz, fazendo-me cambalear para trás, pressionei a mão no nariz e antes de saber se ele estava sagrando ou não, outro punho acertou minha boca, fazendo com que eu caísse no chão, senti o gosto de ferro, olhei para ele que se preparava para outro golpe, fechei os olhos e mordi o lábio esperando outro soco, porém não aconteceu.
 Senti alguém pegar em meus braços, ajudando-me a levantar, passei o braço por seus ombros e a pessoa passou os braços por minha cintura, guiando-me para algum cômodo da casa. Seguimos pela multidão e apenas as vi encarando a mim e a pessoa que me ajudava, olhei para o lado e a vi. Era Demetria quem me ajudava, não pude esconder o sorriso assim que a vi ali, ao meu lado. Entramos em um cômodo que deduzi ser um quarto, ela guiou-me até a cama e logo sentei na mesma, Demi seguiu em direção a uma porta, olhei ao redor e realmente se tratava de um quarto, virei-me para o lado e logo a vi seguindo em minha direção.
- Coloque isso no nariz e levante a cabeça – ela disse estendendo um pano em minha direção e assim fiz. A encarei e a vi sentar-se ao meu lado, claro, mantendo certo espaço entre nós.
- O que te deu na cabeça pra arranjar briga com o Matt? – ela perguntou depois de alguns minutos em silencio.
- Não arrumei – falei com a voz abafada por causa do pano em meu rosto.
- E porque ele bateu em você? – ela perguntou, baixei a cabeça e a encarei.
- Ele... – comecei, porém ela interrompeu-me.
- Não quero saber – ela disse – Você tem que ir pra casa, Matt adora uma briga e principalmente quando está bêbado.
- Tudo bem – disse assentindo, ela franziu os lábios e levantou-se, seguindo em direção a porta.
- Vou conversar com o Matt e você dê um jeito de ir embora – ela disse encarando-me seriamente, Demi abriu a porta e antes que ela saísse disse.
- É bom ver você, Demi – Demi encarou-me e assentiu rapidamente, saindo em seguida.
 Levantei-me e segui para a porta que deduzi ser o banheiro, coloquei o pano em cima da pia e encarei o espelho. Um corte no lábio inferior e um nariz vermelho, balancei a cabeça e dei um sorriso infeliz. Primeira festa e já arranjou briga, posso até ouvir a voz de Nick me falando isso. Respirei fundo e segui em direção a saída do quarto. Caminhei normalmente pela multidão que cochichava coisas, passei pela cozinha e pude ver Demi e Matt, ela lançou um olhar e logo sai da casa.
 Isso não devia ter acontecido, uma coisa dessas logo quando eu estou tentando recomeçar, não foi uma coisa boa, principalmente para mim. Então, ouvi uma buzina e logo vi um carro parar ao meu lado, com o vidro abaixado pude ver de quem se tratava.
- Quer uma carona? – ela perguntou, mordi o lábio e sorri.
- Não seria uma má idéia – disse e segui para o outro lado, logo adentrando o carro – Belo carro.
- Obrigada – ela respondeu e dando partida.
- Como foi à conversa com o tal Matt? – perguntei tentando amenizar o clima.
- Ele disse que foi você quem o empurrou – ela respondeu encarando a estrada.
- Ele estava batendo na garota ruiva – respondi em minha defesa, Demi deu um sorriso irônico e balançou a cabeça negativamente.
- Você foi à única pessoa que se importou com a Rose – ela disse e eu a encarei.
- Ele estava batendo nela – disse.
- E você decidiu salva-la?
- Não, eu entrei pra pegar uma bebida e assim que sai, ele me chamou de... De assassina – disse e vi Demi ficar tensa. – Eu o empurrei e ele me deu um soco, depois outro e você sabe como terminou.
 Ela assentiu e então o silencio se instalou naquele carro, Demi encarava a estrada e eu também. Ela estacionou o carro em frente a sua casa e olhou-me.
- Espero que esteja bem, sabe, com esses ferimentos – ela começou.
- Estou bem sim – respondi sorrindo – Obrigada, por ter me salvado na hora da briga.
- Não salvei você – ela respondeu encarando-me – Só achei que o que Matt estava fazendo era covardia.
 Mordi o lábio e assenti, desafivelei o cinto e sai do carro, abaixei-me e a encarei mais uma vez.
- Mesmo assim, obrigada – respondi e ela assentiu com a cabeça. Segui em direção a minha casa e notei que não havia nenhuma luz acessa, andei em direção a porta e toquei a campainha, porém ninguém atendeu, com certeza Nicholas tinha saído e me deixado trancada para fora de casa, suspirei e sentei no batente da casa. Olhei para o lado e lá estava, o balanço onde eu, Demi, Nick e Megan costumávamos brincar. Ele estava desgastado, levantei-me e segui ate lá.
- Hey! – ouvi e encarei para ver quem me chamava, olhei e vi que era Demi.
- Ah oi – disse e a vi aproximar-se.
- Pensei que estivesse em casa – ela disse.
- Nick não esta em casa – disse e vi que ela me encarava atentamente – Ai eu vi esse balanço aqui sozinho e decidi fazer companhia a ele.
- Papai queria tirá-lo daqui, só que eu não deixei – ela disse analisando-o.
- Fez bem – disse – Ele é o retrato perfeito da minha infância.
- Da nossa infância – ela respondeu e então sentou-se no balanço ao lado, encarei o chão com um sorriso no rosto – Desculpe por não ter falado com você na escola...
- Não precisa pedir desculpas, Demi – disse encarando-a. – Eu sei que isso tudo é difícil, tanto pra mim quanto pra você.
 Ela assentiu e deu impulso fazendo com que começasse a se balançar, eu a encarei e percebi que ela estava sorrindo, não um simples sorriso, mas o sorriso que eu conhecia, o sorriso da minha melhor amiga Demi.
- Esta com medo de perder? – ela perguntou animadamente.
- Você não devia ter falado isso – disse e dei impulso balançando-me também. E ficamos ali, nos balançando, como se Megan não estivesse morta, como se nos tivéssemos 11 anos, como se tudo estivesse exatamente como era antes. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

2. First Day.

- Como foi dormir no seu quarto? – Nick perguntou assim que me sentei à mesa.
- Diferente – disse colocando um pouco de suco no copo. – Mas eu queria perguntar uma coisa.
- Porque não existe janela onde era pra existir uma janela no quarto de Demetria? – ele disse mordendo uma torrada. – Os pais dela fizeram aquilo.
- Por quê? – perguntei e ele arqueou as sobrancelhas – Certo.
- Olha, eu sei que isso tudo foi e é difícil pra você, mas também é pra ela – Nick disse sério – Eu sei que você quer, (SeuNome), mas eu peço que você não faça isso, assim como você sofreu, Demetria também sofreu, então deixe as coisas como estão, certo? Se você for mexer no passado não vai só magoar a si mesma, vai mago-la também e eu sei que você não quer isso.
 Suspirei e assenti, Nick tinha razão, o que eu pensei? Sair do reformatório e vê Demetria me esperando em frente de casa sorrindo e querendo saber o que aconteceu comigo durante esse tempo naquele lugar? É melhor fazer o que Nick esta pedido, quanto mais o passado estiver quieto, melhor estará para mim.
- Enfim, coma seu café da manhã extremamente delicioso que seu adorável irmão fez rapidamente porque vou deixá-la na escola – Nick disse e eu arregalei os olhos.
- Você não acha que esta exagerando? Sabe, me deixar na escola e tal – disse.
- Claro que não – ele disse – Olha, não se preocupe, só vou deixar-la na porta, não vou entrar com você.
- Tudo bem, papai – disse e ele deu um tapa em minha cabeça – Idiota.
 Tomei meu café da manhã com Nicholas fazendo palhaçadas, era tão bom ter meu irmão mais velho perto de mim, ele era minha única família, a única pessoa que ficou ao meu lado durante cinco anos.
 Terminamos o café se seguimos para a escola. Confesso que estava com um enorme frio da barriga, rever as pessoas que eu já estudei quando pequena me dava uma sensação tão estranha. Não demorou muito para chegar até a escola, já tinha ido varias vezes até lá, no tempo em que Nick estudava. Ele parou o carro e olhou-me.
- Não se meta em confusão, seja paciente e não perca a cabeça com piadinhas, certo? – ele disse rapidamente encarando-me atentamente.
- Certo – respondi, Nick inclinou-se e me deu um beijo na testa – Ta, sem afeto em publico.
- Estou falando serio, (SeuNome) – ele disse, revirei os olhos e assenti, Nick abriu o porta luvas e tirou alguns papeis de lá – O que você deve fazer é ir a sala do diretor, é só procurar uma porta com “Diretor. Forman” e entregar isso a ele, depois disso é só seguir para sala.
- Ta, Nick, agora posso ir? – disse tirando o cinto.
- Pense no que eu falei, não mexa no que esta quieto – ele disse.
- Nossa, prefiro o Nick alto astral que me tirou do reformatório – disse saindo do carro.
- Se cuida! – ele gritou, coloquei a bolsa nas costas e segui para a entrada da escola.
 Enquanto passava pelo o corredor quase pensei que tinha uma enorme seta néon apontada para mim, as pessoas olhavam para mim e cochichavam coisas, e eu sabia exatamente que coisas eram essas. Respirei fundo e continuei andando em direção a sala do diretor, porém parei assim que a vi. Ela estava de costas conversando com duas garotas e um garoto, seu cabelo estava diferente, estava ruivo, até suas roupas estavam diferentes, um salto que humanamente era impossível andar, um vestido estampado acima dos joelhos e um casaco por cima. Não sabia se ia até ela ou ficava ali e fazer o que Nick pediu, até que finalmente ela virou e percebeu que eu estava ali. Seu sorriso desapareceu imediatamente e por alguns segundos eu pude ver a Demi de cinco anos atrás, a aterrorizada Demi que correu ao ver sua melhor amiga morta na piscina e a outra segurando a arma do crime. Respirei fundo e dei um sorriso de lado, mas ela apenas virou e voltou a encarar suas amigas. Engoli o seco, desviei o olhar e voltei procurar a sala do diretor, respirei fundo e bati algumas vezes, escutei um ‘entre’ e assim fiz.
- Senhorita Harris! – o diretor disse levantando-se.
- Oi – disse forçando um sorriso.
- Sente-se – ele pediu apontando para a cadeira a sua frente, assenti e fiz o que ele pediu.
- Meu irmão Nicholas pediu para entregá-lo isso – disse dando o papel para ele que pegou rapidamente.
- Ótimo – ele disse, então entrelaçou os dedos e olhou-me seriamente – Eu espero que a senhorita possa se reencontrar aqui, como eu sempre digo, o passado fica no passado.
- Com certeza – respondi dando um sorriso amarelo, o diretor Forman suspirou contente como se tivesse acabado de fazer algo heróico – Aqui esta seus horários.
- Obrigada – disse pegando o papel e levantando-me.
- Até logo, senhorita – ele disse assim que fechei a porta. O corredor estava com poucas pessoas agora, olhei a procura de Demetria, porém não a encontrei. Fui ate o armário 115 que passaria a ser meu armário, enquanto caminhava a procura do tal armário, olhava meus horários, agora seria aula de Pré-Calculo. Abri meu armário e logo tirei os livros de calculo que lá havia, joguei tudo na bolsa e segui em direção a sala de aula. Assim que cheguei na sala, o professor não tinha chegado ainda, o que foi ótimo, porque odeio chegar atrasada. Como esperado, o caminho até a ultima carteira foi do mesmo jeito que cheguei aqui, cheio de olhares e cochichos. Para minha sorte o professor não demorou a chegar, ele era bem novo para ser professor, acho que tinha entre os 34 anos, tinha uma barba por fazer, cabelos cortado estilo soldado, era bem bonito pra falar a verdade.
- Abram o livro na pagina 113 – ele disse sem ao menos dá bom dia.
- Professor? – ouvi um garoto falar, o professor tirou a atenção do livro e olhou para o garoto – Temos uma aluna nova.
- Ah é? – ele perguntou desacreditado, então todas as cabeças daquela sala viraram para mim, e por fim, o professor. – Ah, claro, você é a...
- (SeuNome) Harris – disse um pouco baixo, ele arqueou as sobrancelhas como se não tivesse escutado, limpei a garganta e falei um pouco mais alto – (SeuNome) Harris.
- Nunca a convide para uma festa na piscina – ouvi alguém comentar, o professor semi-cerrou os olhos e encarou-me.
- Seja bem vinda, Srta. Harris, sou professor Bradley – ele disse educadamente, assenti e desviei o olhar – Tudo bem, vamos voltar ao conteúdo.
***
 A aula foi até legal, tirando o fato das piadinhas de ‘acho que não vai ter festa da piscina agora tão cedo’ e ‘agora é proibido da festa da piscina em Dallas’ e etc. Coloquei minha bolsa nas costas e sai em direção saída da sala, como era de se esperar a saída da sala de aula até o meu armário foi cheio daqueles olhares que me dava nos nervos, coloquei os livros no armário e segui para o refeitório. O temido refeitório. Felizmente ninguém olhou-me assim que entrei no refeitório, estavam ocupados com outra coisa, agradeci a essa tal coisa mentalmente. Peguei minha bandeja e segui para uma mesma fazia, aquele refeitório era bem diferente do refeitório lá do reformatório. Acho que era porque todas que estavam lá era iguais a mim, todas cometeram algum tipo de coisa errada. Peguei o suco, porém apenas ouvi o som de um flash, cocei os olhos e olhei para onde vinha o flash.
- Oi – era uma garota, cabelos ondulados castanhos, bem pequena, vestia um vestido amarelo não tão longo e nem tão curto de alças, uma bolsa a tira colo e uma maquina fotográfica em seu pescoço.
- Oi – disse meio surpresa, ela colocou sua bandeja na mesa e sentou-se em minha frente.
- Sou Ally Brooke – ela disse.
- Sou... – comecei, porém ela interrompeu-me.
- (SeuNome) Harris – ela disse com certa animação na voz – Todo mundo conhece você, bem, pelo menos todo mundo aqui em Dallas.
- Eu... – comecei, porém novamente fui interrompida, não por Ally Brooke, mas sim por outra garota, ela era alta, cabelos pretos e longos, uma maquiagem bem forte marcava seus olhos e um batom bem escuro marcava seus lábios.
- Sempre inconveniente, hein Ally – a garota disse, também sentando-se a mesa, bebeu um pouco do seu suco e virou-se para mim – Sou Lauren.
- Cala a boca, Jauregui – ela disse e olhou para mim. – Sou do jornal da escola e você é a mais nova 'celebridade' do momento.
- Celebridade? Uau – disse balançando a cabeça negativamente.
- Estou aqui para fazer uma entrevista – Ally disse séria – Claro, se você quiser.
- Tudo bem – disse assentindo, ela sorriu triunfante e vi a tal Lauren bufar ao seu lado. – Você também é do jornal?
- Não, sou a pessoa que controla a Ally pra que ela não pergunte demais – ela disse dando de ombros.
- Vamos lá, primeira pergunta... Não, calma – Ally disse e começou a remexer na bolsa, depois de alguns minutos retirou de lá um gravador, mexeu em alguns botões e colocou na boca.
- Antes de tudo, não respondo perguntas sobre...  – respondi rapidamente.
- Oh não vai ser esse tipo de pergunta – ela disse – Queremos saber mais sobre você, não sobre o que você fez.
- Ally – Lauren a repreendeu.
- Certo – ela apertou um botão e o colocou perto da boca – Como era sua vida lá no reformatório?
- Normal – respondi, Ally Brooke pareceu desapontada com minha resposta e suspirou.
- Você já brigou lá?
- Hum... Teve uma vez, eu já estava lá há um ano e nunca me meti em confusão, ai uma menina, Maya, ela já foi pra lá umas duas vezes – comecei e Ally sorria maravilhada enquanto eu falava – Não gostou muito de mim e um dia, do nada, ela me deu um soco.
- Serio? – Lauren quem perguntou.
- E você revidou? – Ally perguntou.
- Não, quer dizer, eu tentei, mas ela era bem mais forte que eu e isso só contribui para que eu apanhasse mais – disse suspirando – Mas logo depois ela foi mandada pra ser minha companheira de quarto, os primeiros dias foram difíceis, mas depois nos conhecemos melhor e ela se tornou a minha melhor amiga lá dentro.
- E falando em melhores amigas, você tinha uma melhor amiga aqui fora? – ela perguntou e eu senti meu estomago embrulhar. Sim, eu tinha, na verdade tinha duas, uma eu matei e a outra, bem, a outra eu perdi.
- Tinha sim – respondi e vi que Lauren me encarava – Megan e...
- Megan foi à garota que você... – Ally começou, porém apenas vi Lauren pegar o gravador e apertar em um botão.
- Chega por hoje – Lauren disse e devolveu o gravador a Ally que pegou e guardou na bolsa.
- Eu sinto muito – Ally começou, balancei a cabeça negativamente e forcei um sorriso.
- Não tem problema – disse, ela assentiu e abriu a boca para falar algo, porém foi interrompida por outra pessoa.
- Atenção! – ouvimos e virei-me para voz, era um garoto, estava com um casaco do time e falava de cima da cadeira – Hoje, festa, na minha casa, vocês receberam o convite, claro, só aqueles que eu escolher.
 Ouvi alguns cochichos, uns de animação, outros de desapontamento, virei-me para Ally que anotava algo em um bloco de papel.
- Podemos continuar a entrevista – disse, ela levantou a cabeça e olhou-me.
- Vamos, mas não agora – ela disse – Tenho que preparar minha equipe para essa festa, mas não se preocupe, você será a matéria principal.
- Tudo bem então – disse sorrindo, dei mais uma olhada para a mesa do garoto que tinha acabado dá o tal comunicado e tive uma surpresa. Lá estava Demi, na mesma mesa que o garoto, ela conversava animadamente com uma garota ruiva.
- Então, aquele garoto namora a Demetria? – perguntei para Ally que arqueou as sobrancelhas.
- Você a conhece? – Ally perguntou interessada, cocei a nuca nervosa e limpei a garganta.
- Ela... – comecei, porém Ally interrompeu-me.
- Quem não conhece a Demetria – Ally disse revirando os olhos – Mas não, eles não são namorados.
- Bem que o Matt queria, mas Demetria não é de um homem só – Lauren disse olhando-me. – Mas eles vivem se pegando por ai.
- E quem é aquela sentada no colo dele? – perguntei olhando para a garota com longos cabelos pretos sentada em seu colo.
- Nem tente entender, querida – Ally disse suspirando.
***
 Ally e Lauren decidiram me acompanhar até o meu armário, não sabia por que elas fizeram aquilo, mas era bom conhecer outras pessoas ali.
- Qual sua próxima aula? – Lauren perguntou encostada no armário ao lado do meu.
- Acho que seja Literatura – disse, assim que abri meu armário vi algo cair dele, um envelope, olhei para Lauren confusa e ela abaixou-se para pegar, logo entregando-me. – O que...
- Eu tenho uma ideia do que seja – ela disse encarei o envelope – Olha, garota.
- Certo – disse assenti, abri o envelope lentamente, havia algo escrito, li e depois de um tempo, olhei para Lauren – É um convite.
- Exatamente – ela disse assentindo – Você foi convidada para festa do Matt.