sábado, 9 de agosto de 2014

7. Best Friends Again.

 - Isso é ridículo! – Nick disse batendo o punho contra a mesa, fazendo com que o Diretor Forman encolhe-se em sua poltrona.
- Eu sei, Sr. Harris, mas... – ele começou com a voz baixa.
- O senhor e nenhuma dessas mulheres podem tirar o direito da minha irmã de escutar! – Nicholas disse irritado, o Diretor assentiu rapidamente.
- Eu sei, mas elas insistem que a Srta. Harris seja expulsa da escola.
- Por quê? – Nicholas pergunta cruzando os braços, o Diretor o encara e depois desvia o olhar, encarando-me.
- Por causa da... Da morte de...
- Da morte de Matthew Sullivan? Não seja idiota! – Nicholas explodiu, arregalei os olhos e toquei no braço de Nicholas.
- Nick... – sussurrei, ele olhou-me e depois olhou para o Diretor, que parecia irritado.
- Desculpe, Diretor – Nick pediu – Mas é a verdade, minha irmã não matou Matthew Sullivan e isso foi mais que provado.
- Mas as mães de nossos alunos acham que sim – ele disse mais calmo agora, Nick passou as mãos nos cabelos recém cortados e suspirou.
- Tudo bem – ele disse respirando fundo – E o que o senhor vai fazer?
 O Diretor Forman olhou para Nick e logo depois para mim, suspirou e levantou-se.
- Seu pai era um grande amigo – ele começou olhando através de Nick, talvez para a porta ou um objeto qualquer – E ele era um homem bom. Vou contra todas aquelas mães lá fora e deixa-la, srta. Harris, não só pelo seu pai, mas por seu irmão e por você, porque vejo que a senhorita é uma ótima garota também.
 Olhei para Nick surpresa, ele tinha um sorrisinho vitorioso no rosto, voltei a encarar o Diretor e lancei um sorriso.
- Muito obrigada, Diretor – respondi sorrindo, ele deu um breve aceno com a cabeça.
- Obrigado – Nick agradeceu estendo a mão em sua direção, logo o Diretor Forman o cumprimentou.
 Assim que o Diretor abriu a porta, as mães ainda continuavam lá, suas placas dizendo ‘QUEREMOS A EXPULSÃO DE (SEUNOME) HARRIS’ e outras realmente ousadas ‘NÃO QUEREMOS UMA ASSASSINA ESTUANDO AQUI’.
- Então Diretor Forman? – uma perguntou assim que o Diretor fechou a porta, muitas mães ali que eu nunca tinha visto na vida, mas conhecia algumas, a maioria eram grandes amigas de minha mãe.
- A Srta. Harris fica – assim que fechou a boca, começou o cochicho algumas dizendo que isso era errado, que não admitiria isso, que não aceitaria seu filho estudando com uma assassina, etc. Baixei a cabeça para não vê-las olhando-me, porém antes mesmo de isso acontecer, reconheci um rosto ali. Cabelos loiros, talvez a mais baixa, Dianna Lovato. Lembro-me muito bem de como eu a chamava, de tia. Nick e Megan não a chamavam assim, como era mais velhos a chamavam de senhora ou senhorita, menos eu. Lembro-me de como eu a via como uma segunda mãe, de como eu gostava do jeito que ela me tratava.
- Mas ela foi presa! – uma gritou fazendo com que eu desviasse o olhar.
- Por assassinato! – outra completou.
- Do meu filho! – ouvi e procurei a dona da voz, ao lado de Dianna, lá estava à mãe de Matthew. Tirando o cabelo escuro e brilhoso, ele não parecia nada com a mãe.
- Senhoras, eu sei que todas aqui querem a segurança de seus filhos, mas não podemos culpar a Srta. Harris, ela foi presa, porém já esta livre, porque comprovaram que não é a culpada pela morte do Sr. Sullivan! – O diretor Forman disse alto.
- Ela é culpada sim! – ouvi outra falar, desviei o olhar da mãe de Matt e olhei para Nick.
- Vamos embora, daqui, dessa cidade – sussurrei para ele.
- Não podemos, não podemos da esse gostinho para eles – ele sussurrou de volta – Sabemos que você não é a culpada e eles terão que saber também.
- Mas eu não me importo, não me importo deles saberem ou não, só quero deixar isso tudo para trás – minha voz já estava falha, senti minha visão embaçar por conta das lagrimas e vi Nick pegando em meus ombros.
- Não chore, você não tem porque chorar – ele pediu e inclinou-se dando me um beijo na testa.
***

- Que barra, hein – Ally disse sentando-se ao meu lado. – Soube que algumas mães fizeram um protesto pedindo pra você sair da escola, é verdade?
- É sim – respondi vendo Lauren sentar-se a minha frente.
- E então? – Ally perguntou abrindo a garrafa de suco.
- Não conseguiram, o poder de persuasão do meu irmão é muito forte – comentei com um sorriso. Ficamos em silencio por alguns minutos, era primeira vez que Ally falava comigo, bem, falado sem nenhuma suspeita.
- E como vai à matéria especial para o Matt? – perguntei e ela lançou um rápido olhar para Lauren.
- Legal, as pessoas realmente viam Matthew Sullivan como um herói. – Ally disse.
- Um herói extremamente arrogante, esnobe e mimado – Lauren disse revirando os olhos – Hipócritas.
- Enfim, como era a cela que você ficou? – Ally perguntou mudando de assunto radicalmente.
- Te controla, Ally – Lauren pediu irritada, dei um sorrisinho e balancei a cabeça negativamente.
- Suja, silenciosa e aterrorizante – respondi. – Mas não fiquei lá muito tempo a ponto de enlouquecer, mas já esta tudo bem agora, eles não tem porque me prender, claro, se alguém for encontrado morto e eu tiver brigado com a vitima.
 Ally começou um novo assunto que eu não sabia muito bem, na verdade, eu não estava mais prestando atenção. Suas mãos estavam sobre a mesa e ela encarava-me, Demi mordeu o lábio e movimentou a cabeça em direção a porta, demorei um minuto até perceber o que ela queria. Demi levantou-se e seguiu para a saída, virei para Ally e Lauren e levantei-me.
- Você já vai? – Ally perguntou.
- Tenho que terminar alguns exercícios de Química, coisa rápida, mas preciso ir – disse pegando minha bandeja.
- Certo, nos vemos por ai – Lauren disse sorrindo, retribui o sorriso e segui em direção a esteira colocando minha bandeja lá rapidamente. Passei pela mesa de Ally e Lauren acenando, seguindo até a saída do refeitório. Já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha limpado minhas mãos em minha blusa, eu estava suando e nervosa. Fui até o armário de Demi, porém ela não estava lá, cocei o queixo pensando onde ela estaria... Campo de futebol. Andei apressadamente até lá, o que Demi queria falar comigo? Ela parecia diferente, sua expressão facial estava diferente, apesar das outras garotas sentadas na mesma mesa que ela, Demi parecia não pertencer ali, parecia esta em outro mundo.
 Assim que entrei no campo de futebol percebi Demi sentada em uma arquibancada, respirei fundo e andei até lá, tentando parecer calma. Ela encarava o chão, logo sentei-me ao seu lado.
- Eu sinto muito – ela começou levantando a cabeça e encarando-me – Pela aquela “manifestação” de mães no pátio.
- Já superei – respondi encarando-a, Demi continuou encarando-me como se soubesse o que eu iria falar.
- É, minha mãe estava lá também – ela respondeu.
- Eu a vi – disse – No meio de varias outras mães, algumas delas eu até conhecia.
- Tentei convencê-la de não ir, mas... – ela começou, porém parou – Não imagino o que você deve esta passando agora.
- Quando eu as vi com todos aqueles cartazes, eu me senti muito mal – disse encarando-a – Mas logo passou.
- Como você consegue ser assim? – ela perguntou e eu arquei as sobrancelhas – Sabe, forte.
- Nem eu sei – disse desviando o olhar e olhando para frente – Acho que passei por coisas piores que mães super preocupadas por seus filhos estarem estudando na mesma escola que uma assassina.
 Então o som da brisa que batia em meu rosto e bagunçavam os cabelos de Demi era o único som ali, passei alguns minutos olhando para frente e nem percebi que Demi me encarava.
- O que foi? – perguntei um pouco envergonhada.
- Nada, é que... – ela deu uma pausa – Você esta aqui. Depois de cinco anos você esta livre.
- E isso é estranho?
- Não, na verdade é... É maravilhoso – ela respondeu com um sorriso – Você aqui faz com que eu lembre da antiga Demi.
- Aquela que tinha cabelos castanhos e sardas? – perguntei, vendo-a sorrir.
- Também, faz com que eu... – ela me encarou nos olhos, um olhar diferente, que eu não sabia explicar, que nem por um milhão de dólares eu desviaria – É bom ter você aqui.
- Eu sei – respondi sorrindo e logo Demi acompanhou-me, então a senti entrelaçando seu braço no meu.
- Quero recomeçar – Demi disse animada – Quero voltar a ser sua amiga, para depois voltar a ser sua melhor amiga.
- Vou pensar na sua proposta – disse com um tom de brincadeira, Demi sorriu e deu um leve soco em meu braço.
- Por quê? A vaga de melhor amiga já foi preenchida? – ela perguntou e senti certo ciúme em sua voz.
- O que?
- Nada, nada – ela disse revirando os olhos, logo ouvimos o sinal bater – Acho que devemos ir.
- Também acho – disse levantando-me, eu e Demi seguimos em silencio até a saída do campo de futebol, assim que chegamos ao corredor, virei-me para ela – Pode ficar tranquila, a vaga de melhor amiga continua sendo sua.
***
  Eu e Nick estávamos assistindo um filme qualquer de ação, Nicholas adorava, porém eu só estava assistindo porque tinha prometido a ele. Senti meu celular vibrar no bolso, olhei para o lado e Nick nem piscava o olho. Cuidadosamente peguei o telefone e segui para cozinha, atendendo rapidamente.
- Pronto – disse atendendo.
- Oi, é a Lauren – escutei no outro lado da linha – É, pedi a Ally seu numero e ela me deu, também não sei como ela descobriu, mas você sempre tem que esperar coisas como essa da Ally. Enfim, queria saber se você esta livre hoje?
- Hum, acho que sim, Nicholas não disse nada sobre sair hoje.
- Ótimo então, vai ter uma festa aqui perto de casa, como a Ally disse que não iria, já que como não é de alunos lá da escola, ela prefere não ir, então pensei em chamar você, o que acha?
- Festa? Você sabe o que aconteceu na ultima – disse.
- Olha, as pessoas que vão a essa festa são pessoas bem mais maduras que o Matt, pode ter certeza – ela explicou – Mas se não quiser vim, tudo bem.
- Não, eu vou, só preciso convencer o Nick.
- Ótimo, te passo um SMS com o endereço, nos vemos em breve, eu espero – e logo Lauren desligou. Espiei Nick sentando no sofá super concentrado no filme, eu teria que pedir a ele, afinal ele é responsável por mim. Porém, sei que ele não deixaria era uma festa. Respirei fundo e voltei para sala, sentando-me ao seu lado novamente.
- Nick – o chamei, porém ele apenas resmungou algo – Nicholas.
- O que? – ele respondeu, mas ainda olhava para a TV.
- Eu vou a uma festa – disse, porém ele não demonstrou nenhuma reação – Eu posso ir?
- Para onde? – ele perguntou sem encarar-me novamente, revirei os olhos e levantei-me, seguindo para as escadas.
 Vesti outra blusa e calcei as botas, peguei o casaco em cima da poltrona que havia em meu quarto e passei um pouco de perfume, na verdade, muito perfume e escovei os cabelos. Assim que abri a porta, senti o celular vibrar e deduzi ser o SMS de Lauren, peguei e abri, era o endereço da casa. Desci rapidamente, encontrando um Nicholas ainda estava entretido no filme, balancei a cabeça negativamente e segui para porta.
- Nicholas vou a uma festa, certo? – perguntei.
- Certo – ele resmungou, realmente era um filme muito bom, Nicholas nem reparava que eu estava indo a uma festa. Bem, já que ele deixou é meu dever ir, eu o avisei. Pego a chave do carro e saio de casa. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

6. New Friends.

- Vou tirá-la daqui – Nick dizia.
 Já fazia 24 horas que eu estava naquela prisão de Dallas, eu mal tinha pregado o olho, novamente. Pelo menos, Nick já tinha entrado em contato com meu advogado, Henry. Estávamos na sala de interrogatório, esperando o policial Adams.
- Eles não podem te prender, (SeuNome) – o advogado Henry disse – Não tem provas contra você
- É – respondi e olhei para Nick. – Não aquento passar nem mais um dia aqui, quando vou sair?
- Se depender de mim, você não demora nem mais cinco minutos aqui. – o advogado respondeu – Não se preocupe, vou tirá-la daqui o mais rápido possível.
- Eu espero – respondi, ele olhou para mim e para Nick.
- Antes de tudo, vocês não estão escondendo nada de mim. certo? – ele perguntou, pensei em contar sobre a pulseira.
- Contaríamos se tivesse algo – Nick respondeu rapidamente, o advogado assentiu e logo ouvimos a porta da sala abrir, era o policial Adams.
- Sou o advogado da Senhorita Harris – Henry disse levantando-se e estendo a mão em direção ao policial, que logo a cumprimentou, então voltou a sentar-se – Qual é a situação dela?
- Conversamos com alguns alunos que estavam na festa da vitima, e segundo eles, a srta. Harris e sr. Sullivan tiveram uma briga – o policial disse.
- Isso eu sei, mas não é o bastante para o senhor prender minha cliente – ele disse.
- Não é, porém nossos legistas nos enviaram essas fotos – ele disse entregando algumas fotos para Henry.
- Eu ainda não entendi. – Henry disse ainda olhando as fotos.
- Perto da mão do Sr. Sullivan – o policial disse apontando na foto – Essa pulseira.
- Uma pulseira? É tudo o que o senhor tem? – Henry disse debochado.
- É a pulseira da srta. Harris – ele respondeu e olhou-me – Que sumiu do local do crime.
- E quem garante que essa pulseira é de minha cliente? – Henry disse.
- Essa foto – o policial disse entregando mais uma foto para Henry, porém fui rápida e peguei. Realmente era uma foto minha usando a pulseira.
- Ora, policial Adams, essa foto é de cinco anos atrás – Henry disse – A srta. Harris nem mesmo lembra dessa pulseira.
- Mesmo assim... – o policial Adams continuou, porém foi interrompido por Henry.
- São fotos, policial – ele disse – E essa pulseira, pelo o amor de Deus, qualquer um pode ter essa pulseira, sejamos sinceros, o senhor não tem motivos nenhum para prender minha cliente.
 O policial Adams mordeu o lábio e encarou-me.
- Vou liberar a senhorita, porém estaremos investigando – ele respondeu e respirei aliviada. 
***
- Obrigado, Henry – Nick disse assim que chegamos em casa.
- Só fiz meu trabalho – ele respondeu sentando-se no sofá – Precisamos conversar sobre a tal pulseira.
- Eu não sei como ela foi parar lá, Henry – respondi – Eu nem mesmo sabia onde ela estava, eu havia perdido-a no dia do enterro do meu pai e de Tom.
- De alguma forma alguém esta aprontando para cima de você – ele respondeu.
- E eu não faço a mínima idéia de quem seja – respondi.
- Bem, precisamos tomar muito cuidado, porque se essa pulseira for encontrada – ele disse dando uma pausa em seguida – Você sabe.
- Sim – respondi assentindo, ele olhou o relógio de pulso e olhou-me.
- Já esta em minha hora – ele respondeu levantando-se.
- Obrigada, Henry – respondi e ele sorrindo, pegando em meu ombro e apertando.
- Como disse ao seu irmão, só fiz meu trabalho – disse e logo se despediu.
- Foi ela – Nick disse voltando para sala.
- Quem?
- Demetria, ela cumpriu o que disse – Nick disse com certa raiva em sua voz.
- Não foi ela, Nick – respondi – Você mesmo ouviu que foi as fotos do legista, sei lá.
- E você acha que eles mandaram as fotos por quê? Não adianta defende-la, essa garota denunciou você, (SeuNome).
- Nicholas, não foi ela, okay? Demi não...
- Eu não acredito! – ele disse irritado – Você acha que ela não teria coragem? Por favor, né, (SeuNome)!
- Não quero discutir Nicholas – disse andando em direção a escada.
 Eu estava certa, certo? Demi não teria coragem de me denunciar, já fomos amigas e estávamos começando a ter um bom relacionamento, a minha Demi não faria isso, não mesmo.

***
 Nicholas disse que eu não precisava ir à escola, o que foi uma coisa boa, odiaria ver aqueles idiotas me olhando como se eu fosse uma assassina. Passei a manha toda no quarto lendo, na verdade tentando. Minha cabeça estava cheia de perguntas, quem teria colocado minha pulseira ao lado do corpo do Matt, quem teria mandado aquela mensagem, o bilhete do tal T.P.H... Olhei para o relógio e vi que eram três da tarde, levantei-me e deixei o quarto.
- Onde você vai? – Nick perguntou assim que me viu.
- Andar por ai – respondi.
- (SeuNome)... – ele começou, porém logo eu o interrompi.
- Só vou andar, Nick, não vou matar ninguém – respondi e sai. Não sabia onde iria, na verdade, eu só queria pensar. Então me lembrei da cafeteria que eu e meu pai costumávamos ir. Não estava tão diferente, coloquei a mão na maçaneta e entrei, respirei aliviada em ver que a cafeteria não estava tão cheia, segui em direção a uma mesa. Assim que sentei percebi que a algumas mesas, Demi encarava algo na mesa, seu cabelo estava amarrado em um coque e ela parecia pensativa. Será que ela tinha mesmo me denunciado? Demi, minha melhor amiga? Não, ela não... Não teria coragem.
- O que vai querer? – fui acordada de meus pensamentos por alguém, levantei o olhar e percebi um garoto com expressão cansada perguntar.
- Café – respondi, ele assentiu e saiu, voltei a olhar para Demi que agora me encarava, sua expressão diferente, ela mordeu o lábio e levantou-se, vindo em minha direção.
- Posso sentar? – ela perguntou com a voz rouca, encolhi os ombros e logo ela sentou-se – Soube que você...
- Fui presa, é verdade – respondi rapidamente e ela assentiu, respirei fundo e depois de alguns minutos, engoli o seco e perguntei. – Foi você? Você me denunciou?
- Não – ela respondeu sem olhar-me – Não fui eu... Não consegui.
- Não conseguiu? – perguntei encarando-a, Demi colocou uma mecha ruiva atrás da orelha e encarou-me.
- Eu ia denunciar você, realmente ia, mas não... – ela engoliu o seco – Não consegui fazer, estava em frente à delegacia e simplesmente eu...
- Eu sabia – respondi sorrindo e ela encarou-me.
- Sabia o que?
- Que não foi você – disse sorrindo, levei minha mão até a sua em cima da mesa, Demi olhou para nossas mãos e depois olhou para mim, a afastei rapidamente. – Oh desculpe.
- Não tem problema – ela respondeu dando um sorriso de lado, então ouvimos a porta da cafeteria abrir, virei-me e vi um grupo de pessoas entrando, e uma delas era Rose.
- Demi? – ela disse assim que nos viu, Demi olhou-me e logo levantou-se – O que você ta fazendo com essa assassina?
- Estou... – ela olhou-me mais uma vez – Estávamos apenas conversando.
- Ah esqueci, vocês eram amigas antes – ela disse irônica, balancei a cabeça negativamente – Quer saber? É bom você ficar ai mesmo.
 E assim saiu com o grupo, indo em direção a uma mesa, olhei para Demi que encarava as mãos.
- Como você consegue ser amiga de uma pessoa como ela? – perguntei.
- Rose às vezes é insuportável, porém é uma boa pessoa – Demi respondeu sem olhar-me.
- Na verdade, como você consegue ser amiga de pessoas como aquelas? Você é tão mais inteligente que eles.
- Ela estava aqui quando eu não tinha nenhuma amiga – ela respondeu finalmente olhando-me – Eu precisava de amigos e eles estavam lá.
- Entendi – respondi, logo o garoto veio deixar meu café, Demi suspirou e levantou-se.
- Eu já vou... – assenti e tomei um gole de café, Demi suspirou e seguiu em direção a saída da cafeteria. Enquanto tomava meu café e encarava os novos amigos de Demi, fiquei pensando se tudo fosse diferente. Se nada tivesse acontecido. Demi, Megan e eu, sentadas em uma dessas mesas conversando sobre algo sem importância, talvez sobre roupas ou garotos ou talvez não. Talvez nem fossemos amigas mais, mesmo assim nunca saberia, porque Megan esta morta e Demi, bem, Demi tinha novas amigas agora. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

5. Easy Choices.

 Abri os olhos rapidamente sentando-me na cama, demorou alguns minutos até eu finalmente me acalmar, passei as mãos pela testa e percebi que estava suando, levantei-me e segui em direção para fora do quarto.
 Por cinco anos eu sempre sonhava o mesmo sonho, a morte de Megan. Porém agora o sonho era diferente, era com o T.P.H. Enquanto seguia em direção a cozinha, pensava no sonho. Eu estava em uma sala vazia e ele estava sentando em minha frente, sorrindo e eu gritando, mas não conseguia ouvir som nenhum. Ele sempre falava a mesma coisa.“Você devia ter feito isso”. Abri a porta da geladeira, pegando uma garrafa de água logo em seguida. Não contei a ninguém sobre o bilhete e aquilo estava mexendo comigo de um jeito, mas o que poderia fazer? Se contasse a Nick ele com certeza diria que era alguém tentando fazer uma brincadeira de mal gosto, a policia nem pensar, Lauren eu tinha acabado de conhecer e Demi... Ela era minha melhor amiga, ela foi minha melhor amiga, não poderia metê-la nisso novamente. Enquanto colocava o copo na pia, vi algo se mexer entre o jardim, continuei olhando e novamente a coisa se mexeu. Mordi o lábio e abaixei-me pegado uma lanterna debaixo da pia, eu poderia subir e voltar para o quarto ou chamar o Nick, isso eram as escolhas fáceis, mas eu odiava coisas fáceis, então andei até a porta da cozinha abrindo-a em seguida.
- Quem está ai? – perguntei com a lanterna ligada – Quem está ai?
 Andei em direção ao jardim com passos lentos, se estava com medo? Muito, mas eu não me importava, iluminei o jardim, porém não havia ninguém ali. Então escutei um barulho, de uma pessoa, na verdade.
- Merda – ouvi, olhei para o lado e andei até lá.
- O que esta fazendo? – perguntei iluminando-a com a lanterna. Demi tirava algumas folhas da roupa.
- Meu Deus! – ela deu um grito assustada.
- Desculpe – respondi, Demi colocou uma mão sobre o peito e apoiou a outra no joelho. – O que estava fazendo?
- O que eu...? Estava... – ela olhou-me – O que você estava fazendo?
- Insônia – respondi encarando-a – Você não respondeu minha pergunta.
- Eu estava... – ela mordeu o lábio e encarou o chão – Insônia, também.
 Ficamos no encarando, eu sabia que Demi estava mentindo, ela não me encarava nos olhos e era um sinal.
- Vou voltar – disse quebrando o silencio, ela assentiu nervosa – Boa noite.
- Boa noite – ela respondeu, assenti e virei-me indo em direção a porta da cozinha – (SeuNome)!
- Sim? – respondi encarado-a, Demi mordeu o lábio e encarou-me.
- Porque você mentiu? – ela perguntou.
- Eu menti? Sobre o que?
- Você não ficou o resto da noite comigo – ela respondeu cruzando os braços.
- Eu não...
- Você me disse que não tinha falado com os policias, sabe, sobre ter ficado comigo depois da festa, mas você não ficou, você mentiu.
- Não menti, eu fiquei com você, no balanço, lembra? – disse.
- É, mas você saiu depois da mensagem – ela respondeu e pude ver um olhar desapontado, engoli o seco.
- Era o Nick, eu disse – respondi, ela balançou a cabeça negativamente e deu um sorriso infeliz.
- Certo, era o Nick – Demi disse e levantou sua mão, balançando algo no ar, uma pulseira – Enquanto a isso?
- O que... – era uma pulseira realmente, minha pulseira, arregalei os olhos e segui até lá. – Onde você conseguiu isso?
- Adivinha – ela disse – Na casa do Matt.
- Na casa... Do Matt? – perguntei, Demi passou uma mão pelo o cabelo e balançou a cabeça negativamente.
- Rose estava certa – ela disse e percebi sua voz embargada – Você matou o Matt.
- Demi, eu não matei ninguém – respondi sentindo um nó na garganta.
- Velhos hábitos nunca morrem, não é mesmo? – ela disse irônica – Porque você voltou? A cidade estava tão melhor sem você, todos tinha esquecido o assassinato da Megan, até você... – Demi disse com a voz falha.
- Eu não matei ninguém, Demi, eu juro.
- Não acredito que por um segundo deixei você entrar na minha vida de novo – ela disse, baixei a cabeça, vi a pulseira cair bem perto de meus pais, abaixei-me e a peguei. Levantei a cabeça, porém Demi já estava seguindo em direção a sua casa.
***
- Você esta bem? – Nick perguntou, olhei para ele e assenti rapidamente – Não parece.
- Não dormi bem, só isso – disse.
- Você nem tocou na comida, aconteceu alguma coisa, (SeuNome)?
- Porque não fomos para outro lugar? – perguntei.
- Como assim? – Nick perguntou confuso.
- Porque não mudamos de cidade depois que sai do reformatório? Seria muito melhor, sabe, recomeçar uma vida em outro lugar, com outras pessoas.
- O que houve, (SeuNome)? Porque esta falando essas coisas...
- Quer saber? Vou para aula – disse levantando-me e indo em direção a sala, peguei minha bolsa e tratei de sair daquela casa.
 Não consegui pregar o olho, comer ou fazer qualquer coisa. Passei o resto da noite só encarando aquela pulseira e pensando em como ela foi parar lá. Eu realmente não passei o resto da noite com Demi, ficamos nos balançando e logo depois recebi uma mensagem: 
“Uma Harris nunca deixa isso barato, não desonre sua família”. 
 Não era o Nick, era um número confidencial, Demi perguntou quem era, eu tive que responder que a mensagem era do Nick, então segui em direção pra casa, apenas isso. Quando éramos criança, mamãe sempre guardava uma chave reserva em um vaso ao lado da porta dos fundos, então peguei a chave e entrei em casa. Não voltei para a casa do Matt e não o matei, eu estava tentando refazer minha vida, porque eu mataria um cara que... Que me bateu. Era isso. Por isso que o policial me chamou e Rose disse que eu tinha matado-o. Vingança. 
 Nem percebi que já estava em frente da escola, passei tanto tempo pensando que mal percebi. Andei pelo os corredores de cabeça baixa, não por causa dos olhares, e sim, por causa de Demi, não queria encará-la, não com ela pensando que eu matei seu amigo.
- (SeuNome) – olhei para o lado e vi Lauren parada ao meu lado, encarando-me.
- Hey – disse forçando um sorriso.
- Como está? – ela perguntou enquanto abria meu armário.
- Péssima – respondi – E você?
- Levando – ela respondeu – Soube que você falou com o policial.
- Pois é, parece que eu sou a principal suspeita – disse com um tom irônico.
- São todos uns idiotas – Lauren disse – Matt não era uma pessoa maravilhosa, vivia se metendo em briga e tinha vários inimigos.
- Mas para eles eu sou a única – respondi, Lauren mordeu o lábio e encarou-me.
- Não acho que você tenha matado o Matt – ela respondeu e eu sorri, pela primeira vez naquele diz.
- Obrigada – respondi sorrindo, ela retribuiu – Pelo menos alguém.
- Mas a investigação ainda esta acontecendo, certo? Daqui a pouco vão achar o culpado – Lauren disse e eu suspirei.
- Espero que esteja certa – respondi, então o sinal tocou – Nos vemos no refeitório.
- Claro – ela respondeu, sorri e segui para sala de aula.
***
 Sentei ao lado de Lauren e olhei o refeitório a procura de Demi, e lá estava ela. Rose estava com a cabeça em seu ombro e parecia chorar, Demi também estava com os olhos inchados, nossos olhares se encontraram e pude sentir o ódio e a magoa trasbordando por eles.
- Problemas no paraíso? – Lauren perguntou fazendo com que eu desviasse o olhar.
- O que? – perguntei, ela deu um sorriso de lado e bebeu um pouco de seu suco – Cadê a Ally?
- Deve esta em alguma reunião do jornal – Lauren respondeu revirando os olhos – Com certeza estão discutindo sobre a próxima matéria do jornal.
- Você e Ally são amigas há muito tempo? – perguntei.
- Há dois anos, ela me ajudou com tudo isso aqui quando cheguei – ela respondeu.
- Chegou de onde? – perguntei e vi Lauren ficar tensa.
- Los Angeles – ela respondeu, mordeu o lábio e encarou-me – Reformatório de Los Angeles.
- Oh – murmurei surpresa – Nossa.
- Pois é – ela disse forçando um sorriso – Temos uma coisa em comum.
- E o que você fez para ir, sabe, para um reformatório?
- Briga de rua – ela respondeu e arquei as sobrancelhas surpresa – Não pense que eu sou disso, minha mãe tinha acabado de morrer e eu estava naquela fase de revolta, então comecei a sair com pessoas desse tipo e acabei me metendo e você sabe como acontece.
- E você mora com quem hoje?
- Minha tia, ela me tirou de lá – respondeu – Sabe, você e Ally são as únicas que sabem disso.
 Sorri e assenti, Lauren tinha confiado em mim para contar isso, será que eu não deveria confiar nela também? Contar sobre o bilhete, talvez me ajudasse um pouco. Abri a boca para contar sobre o bilhete, porém fui interrompida por Ally.
- Hey – Ally disse sentando-se na mesa.
- Oi – respondi e ela olhou-me.
- Então, como foi à reunião? – Lauren perguntou rapidamente.
- Vamos fazer um especial em homenagem ao Matt – ela respondeu olhando para seu prato.
- E a entrevista da (SeuNome)? – Lauren perguntou.
- Vamos ter que adiar – Ally disse e finalmente olhou-me – Vamos fazer a homenagem ao Matt primeiro.
- Justo – respondi e ela apenas assentiu e encarou seu prato. Comemos em silencio e de vez em quando percebia alguns olhares de Lauren para Ally, mas minha cabeça estava tão longe que eu nem mesmo comi nada.
- Nos vemos por ai – disse para Lauren levantando-me.
- Onde você vai? – ela perguntou.
- Não estou com muita fome, vou andar por ai – respondi, ela assentiu, deixei minha bandeja e segui para fora do refeitório, andei até meu armário, porém parei assim que vi. Demi estava parada em frente a ele, olhou-me e começou a andar em minha direção.
- Campo de futebol – ela sussurrou ao passar por mim, assenti entendo o recado. 
 Depois de alguns minutos segui em direção ao campo de futebol, olhei em direção as arquibancadas e lá estava Demi.
- Oi – respondi, Demi encarou-me e cruzou os braços.
- Você precisa se confessar – ela disse.
- Confessar o que?
- Não se faça de idiota – ela respondeu ríspida – Confessar a policia o que você fez.
- Eu não fiz nada, Demi – respondi.
- Fala a verdade pelo menos uma vez na vida, (SeuNome) – ela disse – Ou você diz a policia o que fez ou eu vou ter que dizer.
- Você... – comecei, porém ela interrompeu-me rapidamente.
- Você vai fazer isso hoje, ou então... – ela disse encolhendo os ombros e logo saindo dali.
***
- Nick? Podemos conversar? – disse adentrando na cozinha.
- Claro, o que houve? – ele respondeu cruzando os braços, engoli o seco e sentei-me na cadeira.
- Quero que você me escute, até o fim, sem dizer nada, okay? – disse, Nick franziu o cenho e sentou-se a mesma também.
- Você esta me assustando – ele respondeu – O que houve, (SeuNome)?
- Sabe quando eu fui chamada à delegacia? Ser interrogada sobre a morte do Matt? – disse encarando minhas mãos em cima da mesa – Eu disse para você que todos os alunos que estavam na festa foram chamados, eu estava mentindo.
- (SeuNome)... – ele começou.
- Me deixa terminar – pedi – Eu fui chamada porque sou a principal suspeita da morte do Matt.
- O que?
- Como você sabe, eu tinha brigado com ele – disse ainda encarnado minhas mãos, não conseguia encara-lo – E como eu apanhei, eu fui a principal suspeita, essas coisas de vingança.
- Mas você não fez isso – Nick disse – Ou...
- Não! Mas eu menti em relação a isso – disse – Não passei o resto da noite com a Demi, ela me trouxe até aqui, depois ficamos conversando, então recebi uma mensagem.
- De quem?
- Não sei, não tinha nome algum – respondi – Nick, eu juro que não matei o Matt, porque eu mataria aquele garoto?
- Eu acredito em você – ele respondeu pegando em minha mão, então finalmente eu o encarei.
- E tem mais – respondi, abri a bolsa e peguei a pulseira, colocando em cima da mesa, Nick arregalou os olhos e pegou.
- Onde...?
- Demi me entregou ontem – respondi e ele encarou-me – Ela disse que estava na casa, junto com o corpo do Matt.
- Meu Deus – ele disse passando as mãos pelos cabelos – Como essa pulseira foi parar lá?
- Você acha que eu sei? Não via essa pulseira há sete anos, Nick – respondi – O que vou fazer agora?
- O que vamos fazer – ele respondeu – Vamos escondê-la, quebra-la, fazer alguma coisa.
- Não adianta – respondi e ele franziu o cenho – Demi me confrontou hoje e disse que se eu não confessasse a policia, ela...
 Fui interrompida por batidas na porta, olhei para Nick já sabendo o que aquilo significava, levantei-me e segui em direção a porta. Coloquei a mão na maçaneta e olhei para Nick.
- Não... – ele sussurrou, mas já era tarde, a porta já estava sendo aberta.
- Senhorita Harris, você esta presa pelo o assassinato de Matthew Sullivan.