sexta-feira, 12 de setembro de 2014

15. He's Watching Me.

 Demi havia saído há algumas horas. Contar a verdade foi como se eu tivesse tirando algo pesado da consciência. Mesmo assim aconteceu algo que eu mais temia. Demi não acreditou em mim. Mesmo contando toda verdade, uma verdade que eu não disse a ninguém, uma verdade que eu jurei não contar.
- (SeuNome)? – ouvi a voz de Lauren, porém não me movi, continuei encarando a janela que estava fechada. – (SeuNome)?
 Lauren voltou a chamar-me, porém novamente não me movi, então ouvi alguns passos e logo a vi sentar-se ao meu lado.
- Você esta assim desde que Demi saiu daqui – Lauren falou – No que esta pensando?
- Em um jeito de acabar com tudo isso – respondi depois de alguns minutos, virei-me para ela – Você acredita no que eu disse?
- Sobre o assassinato da Megan? – Lauren perguntou e eu assenti – Sim.
- Você esta falando isso... – comecei, porém fui interrompida por Lauren.
- Por que sou sua amiga? Não só por causa disso – ela disse – Eu sei quando as pessoas mentem e não acho que você esta mentindo sobre isso.
- Demi não acha isso – respondi dando um suspiro e voltando encarar a janela.
- Demi esta assustada, (SeuNome) – Lauren respondeu – Ela viveu isso, passou cinco anos acreditando em uma coisa e essa noticia a deixou confusa.
- Ela prometeu que... – comecei, porém não consegui terminar.
- Escuta, Demi esta confusa, assustada, ela só precisa de um tempo – ela disse pegando em meu ombro – Ela gosta de você e só precisa de um tempo para ver que você não esta mentindo sobre isso.
- Eu espero – disse suspirando.
- No que esta pensando em fazer? – Lauren perguntou depois de algum tempo em silencio. – Sabe, sobre o seu irmão?
- Estava pensando nisso – disse e virei-me novamente para encara-la – Acho que esta na hora de falar com ele.
- O que?! Você não...
- É minha única chance, Lauren – disse – Quero saber por que ele esta fazendo tudo isso, preciso de respostas.
- E como você vai fazer isso? Você nunca o viu e quem sabe ele não esta em outro lugar agora?
- Tom não é assim, ele sabia que eu iria para a festa do Matt, colocou o bilhete no meu armário, me viu com a Demi no balanço... – disse pensativa – Ele esta me vigiando.
- E onde você irá procurar por ele? – Lauren perguntou.
- Na minha casa.
***

 Lauren iria atrair Nick para sala, onde conversaria sobre mim, perguntando se ele sabia de alguma noticia minha. Então eu entraria pela porta dos fundos e iria até meu quarto. E assim foi. Estava no banco de trás apenas observando o movimento, não havia uma viatura, o que facilitou muito, porém tinha que esta atenta, algum policial poderia aparecer e eu não poderia ser presa, pelo menos não agora. Senti meu celular vibrar e vi que era uma mensagem de Lauren, era o sinal para que eu entrasse na casa. Sai do carro e corri até os fundos da casa, era noite e estava escuro, então não tinha problema algum. Abri a porta e não pude evitar o sorriso que formou em meus lábios, eu queria muito entrar ali sem correr o risco de ser presa, respirei fundo e segui em direção a porta da cozinha. Ouvi as vozes de Nick e Lauren, subi rapidamente a escada sem fazer um barulho, era muito boa nisso, costumava sair escondida do meu “quarto” lá no reformatório, para olhar a lua quando não conseguia dormir.
 Meu quarto estava exatamente igual. Não havia nada bagunçado, a cama arrumada, os quadros do mesmo modo, a escova de cabelos ainda em cima da penteadeira do mesmo jeito que eu havia deixado no dia que fugi. Tinha que arranjar um jeito de falar com Tom, de fazer com que ele me ouvisse, fui até a janela e dei um rápida olhada para rua, apenas alguns carro. Olhei para o quintal da casa e foi então que vi. Havia alguém sentado no balanço, dei alguns passos para trás, será que era... Não, ele não se atreveria... Voltei a olhar para o balanço, porém o vulto havia sumido. Minhas mãos estavam geladas e minha respiração descompassada, Tom realmente estava me observando. Consegui me recompor e corri para a porta, porém antes de abrir a mesma, ouvi algumas vozes, e uma delas eram do Nick. Pensei que meu coração iria sair pela boca, Nicholas não estava sozinha, ele poderia esta com o detetive Foster, olhei para um lado e para o outro, tinha que me esconder. Abaixei-me e deslizei para debaixo da cama, respirava pela boca de tão nervosa, encolhi-me o máximo que podia e logo ouvi a porta do quarto abrir.
- ...Nenhum sinal dela – Nick adentrou no quarto falando, havia duas pessoas com ele.
- A policia esta atrás dela, não é? Vi no jornal local – reconheci a voz de Lauren.
- Está e é isso que me preocupa – Nick voltou a falar – Ela não deveria ter feito isso, faz com que ela pareça realmente culpada por algo que não cometeu.
- Porque isso logo agora? Quer dizer, ela não tinha sido inocentada quando foi presa pela primeira vez? – estremeci em ouvi aquela voz, era a voz de Demi.
- Encontraram a pulseira no armário dela – Nick respondeu. Então era isso, alguém tinha pegado à pulseira no dia da “social” e logo depois haviam colocado em meu armário, denunciaram e a policia foi até lá, como não pensei nisso antes – Segundo o detetive Foster, eles receberam uma denuncia anônima e logo foram lá, abriram o armário e acharam à pulseira, a mesma que estava perto do corpo de Matthew Sullivan.
- Isso é tão confuso – Lauren quem falou – Quem diabos faria uma coisa dessas a (SeuNome)?
- Não faço a mínima ideia – Nick respondeu e o ouvi suspirar – Espero que ela esteja bem onde estiver.
- (SeuNome) sabe se cuidar, Nick – Demi disse, logo os três seguiram em direção a porta, fechando-a em seguida. Esperei alguns minutos e finalmente sai debaixo da cama. Passava as mãos no casaco que usava quando a porta foi aberta de repente, fazendo-me dá um pulo para trás. Era isso. Eles haviam me pegado.
- (SeuNome)?! – Demi quase gritou, respirei aliviada em ver que era ela.
- Pensei que fosse... – comecei, porém Demi interrompeu-me fechando a porta.
- O que você esta fazendo aqui? – ela perguntou sussurrando.
- Vim... – dei uma pausa – Vim pegar algumas roupas.
- E porque não pediu a Lauren? Ou então a mim? – Demi sussurrou – Se a policia pegar você aqui...
- Eu sei, mas tive que vim – sussurrei de volta – Preciso que você ajude a Lauren a enrolar o Nick lá embaixo e não deixe que ele sai para fora, principalmente para os fundos da casa.
- Por quê? O que vai fazer?
- É uma coisa importante, não posso falar agora, mas preciso que faça isso – pedi, Demi mordeu o lábio e depois de alguns minutos assentiu.
- Certo, mas faça o que for fazer rápido – ela disse, ficamos nos olhando, até finalmente Demi desviar o olhar e pegar algo em cima da cama. – Deixei meu casaco.
- Obrigada, Demi – disse sorrindo, ela retribuiu e saiu. Voltei a olhar para janela e vi que o balanço estava balançando, senti um calafrio e respirei fundo, coloquei o capuz e fui até a porta do quarto. A saída chegou a ser mais fácil que a entrada, pude ouvi as vozes de Nick, Demi e Lauren, fechei a porta e andei cuidadosamente até o balanço. Olhei por cima dos ombros e não vi ninguém, a casa de Demi estava silenciosa e não havia uma luz ligada, o único som eram dos carros que passavam em alta velocidade pela rua. Cruzei os braços assim que cheguei perto do balanço, olhei em volta novamente, não à procura da policia ou alguma outra pessoa, olhei em volta a procura de Tom.
- Sei... Sei que você esta ai, Thomas – disse sentindo a voz falhar – Vi você aqui... Não precisa se esconder... Só quero falar com você... Apenas isso.
 Não obtive nenhuma resposta, apenas o som dos carros e o som do vento, respirei fundo, Thomas não iria aparecer, como fui idiota em acreditar que ele iria aparecer e iríamos conversar? Balancei a cabeça negativamente e voltei a andar em direção ao carro de Lauren. Então ouvi um barulho, na verdade foi um rangido, o rangido do balanço, virei-me rapidamente, porém não havia ninguém ali. Mas havia algo, havia um papel em cima do balanço, corri até lá e peguei o papel. Com a mesma caligrafia do outro bilhete, Thomas havia escrito algo, um tipo de código.
“Fale com ele, o que esta procurando por você”. No mesmo tempo que entendi de quem ele falava, escutei a porta sendo aberta atrás de mim e uma voz.

domingo, 7 de setembro de 2014

14. The Truth.

 Fiquei pensando sobre a conversa de ontem com Lauren. Fazia todo o sentido, ele tinha me ferrado uma vez e estava fazendo isso novamente. Mas havia tantas coisas em questão, porque novamente? Será que ele não tinha acabado com a minha vida de uma vez? Fui acordada com varias batidas na porta, será que era a policia? Eles tinham me achado? Não, ninguém tinha me visto, Lauren não havia falado e muito menos Demi.
- Eu mato aquele idiota! – ouvi a voz de Demi, fui até a sala e a vi, com Lauren ao seu lado.
- O que vocês estão fazendo aqui? – perguntei para Lauren, já que Demi andava de um lado para o outro, sussurrando algo para si mesma.
- Você nem imagina – Lauren disse sentando-se no sofá, a encarei confusa e logo depois olhei para Demi.
- O que aconteceu, Demi?
- Aquele filho de uma mãe! – ela disse alto jogando as mãos para o alto.
- Demi, olha para mim – disse segurando seus braços – O que aconteceu?
- Tim Parker, Tim aconteceu! – ela disse puxando seus braços levemente e sentando-se na poltrona ao lado, olhei para Lauren confusa.
- Ele escreveu algo sobre vocês no jornal – Lauren disse calmamente.
- Ele fez o que?! – saiu mais como um grito, Lauren pegou sua bolsa que estava ao seu lado no sofá, abrindo-a e tirando uma folha de lá. Respirei fundo e peguei a folha, havia uma foto minha saindo do carro de Demi e com uma manchete acima, dizendo; “Mais que amigas de infância?”. Arqueei as sobrancelhas e virei-me para Demi.
- O que foi? – ela perguntou.
- Você esta desse jeito por causa disso? – perguntei cruzando os braços.
- Como assim por causa disso? Você ta vendo o que ele escreveu, (SeuNome)? – Demi disse levantando-se.
- É só uma foto, Demi – disse, Demi balançou a cabeça negativamente e bufou.
- Só uma foto? Quantas vezes vou ter que dizer que você não conhece o Tim, ele escreve isso aqui e todos acreditam, aquele garoto tem o poder de fazer isso!
- E se as pessoas acreditarem? Faz diferença?
- Claro que faz! – Demi disse alto – As pessoas vão pensar que nos estamos juntas.
- E não estamos? – perguntei arqueando as sobrancelhas, Demi desviou o olhar – Entendi.
- (SeuNome)... – ela começou, porém eu a interrompi.
- Esta com vergonha, não é? Mas quer saber, Demetria, eu não estou nem ai – disse encarando-a – Não quer que as pessoas pensem que você tem algo com uma assassina, não é? Não quer que as pessoas pensem que você tem algo com alguém fora do seu grupinho de amigos? Porque você continua aqui então? Porque já não foi embora?
- (SeuNome)... – era Lauren quem falava, Demi encarava-me com os olhos marejados.
- Preciso esfriar a cabeça – disse indo em direção a saída.
- A policia esta atrás de você – Demi disse baixo.
- Fica tranqüila, não irei matar ninguém – disse abrindo a porta e saindo.
***

  A expressão de Tim mudou assim que me viu encostada no capô do seu carro. Estávamos no estacionamento da escola, havia apenas os carros dos professores e de Tim.
- Oi Tim Parker – disse acenando.
- O que você faz aqui? – ele perguntou e senti sua voz tremer.
- Esta com medo, Tim? – perguntei com a sobrancelha arqueada.
- Medo? Eu não estou... – ele deu uma pausa – Não estou com medo.
- Eu espero, afinal não quero que você tenha medo de mim – disse dando alguns passos em sua direção. – Quero conversar com você, não tínhamos uma entrevista para terminar?
- Sim... Cla... Claro – Tim disse gaguejando.
- Ótimo! – disse forçando um sorriso – Primeira pergunta... Não, eu posso fazer uma pergunta primeiro? Você se incomoda?
- N... Não – ele disse, parei em sua frente e vi que Tim estava suando.
- Porque você escreveu aquilo sobre Demi e eu no jornal? – perguntei, o vi franzir o cenho.
- Eu não sei do que você... – não o deixei terminar, fechei o punho e lhe dei um soco, fazendo-o dar alguns passos para trás.
- Não minta para mim, Tim Parker – disse vendo-o colocar a mão onde meu punho atingiu.  – Porque você escreveu aquilo?
- Por que... – ele começou, porém o interrompi com um chute entre suas pernas, fazendo-o cair de joelhos.
- Eu devia matar você aqui mesmo, sabia? – disse agachando-me ao seu lado – Sempre existe uma primeira vez, não?
- Você... Você não teria coragem – ele murmurou, dei um sorriso de lado e lhe dei outro soco, acertando seu nariz. Levantei-me e afastei-me, Tim agora estava levantando-se, ele tossiu e pude ver o sangue pingando no chão, fui até ele e lhe dei outro chute, porém agora no estomago.
- Você irá desmentir tudo aquilo que escreveu – disse olhando-o, Tim tossia ainda no chão.
- Mas você sabe que é verdade – ele disse encarando-me e pude ver a raiva em seus olhos – Vi você e Demi se beijando... Porque quer que eu desminta? Ela negou você?
- Cala a sua boca! – disse dando-lhe outro chute na costela.
- Demi sempre foi uma vadia – ele disse tossindo, senti um calafrio percorrer todo meu corpo – Ela também me negou, sabia? Mas quando estávamos juntos principalmente na cama, ela não...
 Senti a raiva crescer e me joguei em cima dele, dando vários socos em seu rosto, Tim apenas protegia o rosto com os braços. Cada soco que eu dava sentia mais ódio, não só de Tim Parker, mas de todos. Minha mãe, aquele detetive Natan Foster, Matt, Tom, todos que me acusaram... Sai de cima de Tim, que já tossia e tinha o rosto ensangüentado, assim como minhas mãos.
- Se eu souber que você esta escrevendo algo sobre nos duas, eu acabo com você, Tim – disse encarando-o, virei-me e sai dali.
***

- (SeuNome)! – Demi disse assim que entrei na casa – Onde você se meteu?
- Estávamos preocupadas com... – Lauren parou de falar assim que olhou para minhas mãos, Demi também encarava, segui em direção ao quarto de Lauren.
- O que você fez, (SeuNome)? – Demi perguntou, virei-me e a encarei. – Porque tem sangue em suas mãos?
- Por que... Porque eu... – não consegui responder.
- De quem é esse sangue? – Lauren quem perguntou, mordi o lábio – Responde, (SeuNome).
- Do Tim – sussurrei.
- Eu ouvi direito? O que você fez com o Tim? – Demi perguntou.
- Não fiz nada – respondi, Demi balançou a cabeça negativamente.
- E porque tem sangue dele em suas mãos? – ela perguntou alto – Não acredito que você...
- Não acredita em que, Demi? Que eu o matei? É isso? – perguntei encarando-a – Mas pode ficar tranqüila, eu não o matei, mas eu deveria, afinal seria mais um para minha lista.
- Porque você fala assim? Você fala com tanta certeza sobre a morte da Megan e do Matt que até parece que...
- Que eu os matei? Mas não é isso que a policia disse e diz? – disse com as sobrancelhas arqueadas, Demi cruzou os braços e respirou fundo.
- Estou começando a pensar que você... – ela começou, senti o ódio que senti quando batia em Tim voltar, segui até ela com ódio no olhar.
- Que eu os matei? É isso mesmo, Demetria? – disse e a vi dá alguns passos para trás – Odeio te desapontar, mas você esta totalmente errada.
- O que você...
- Eu não matei o Matt e isso acho que você deve saber – disse – E muito menos matei a Megan, sabia? Ah não, isso você não deve saber por que estava em New York, não era mesmo?
- Mas... – ela começou. – Você não matou a Megan? Mas...
- A arma do crime estava em minhas mãos e eu não neguei a policia? Sabe por que não fiz isso? Porque eu fui obrigada, eu contei a você, sabia? Nas milhares de cartas que eu escrevia a você e eu nunca tinha resposta...
- Você foi obrigada a matar a Megan? – Demi perguntou interrompendo.
- Eu fui obrigada a levar a culpa pela a morte dela – disse e vi tanto Demi quanto Lauren arregalar os olhos. Era isso. Eu havia falado. – Eu não matei a Megan, Demi, eu nunca matei ninguém.
 Demi desviou o olhar e foi até o sofá, sentando-se ao lado de Lauren e passando as mãos pelos cabelos, engoli o seco e virei-me para as duas.
- E quem... Quem fez isso? – ela perguntou depois de alguns minutos em silencio, respirei fundo e olhei para Lauren.
- T.P.H – respondi e vi Lauren arquear as sobrancelhas surpresa, voltei a olhar para Demi e a vi olhando-nos. – Para ser mais exata... Thomas Peter Harris, mais conhecido como Tom... Mais conhecido como meu meio irmão.
- Mas... – Demi encarou o chão, eu sabia que sua cabeça estava confusa, aquilo tudo era confuso, era confuso até para mim, imagina para ela. – Mas Tom estava morto antes...
- Exatamente – disse e sentei-me na poltrona – Tom sempre foi estranho, lembra? Ele vivia no quarto, nunca queria brincar, você sempre pedia para chamá-lo, mas Tom nunca vinha. Meu pai também suspeitava disso e ele estava levando Tom até um psicologo quando...
- Quando aconteceu o acidente... – Demi completou – Mas o funeral... Eu estava lá, vi o caixão...
- Eu também vi e acredite, vê-lo depois de dois anos depois do acidente foi... – dei uma pausa – Estava eu, você, Megan e Nick brincando no balanço, lembra? Aí a Megan foi beber água, passou vários minutos e ela não tinha voltado e...
- Eu mandei você ir até lá – Demi disse com certeza lembrando-se daquele dia.
- Isso e fui... Assim que cheguei à cozinha, não vi Megan e então ouvi seus gritos... Então fui até lá e quando vi... Foi bem na hora que Tom acertava com a pedra em sua cabeça... Vi seus olhos encarando-me pedindo ajuda... Tom estava com um sorriso de dever cumprido no rosto... Ele a empurrou na piscina e percebeu que eu estava olhando-o... Fiz isso para salvar nosso pai, ele disse para salvar nossa família... Ele foi ate mim e pegou em minha mão... Eu não sabia o que fazer, estava assustada...
- Você era uma criança, (SeuNome) – Lauren disse e eu a encarei sentindo um nó na garganta.
- Não, eu deveria ter gritado... Deveria ter ajudado-a... – disse soluçando – Papai ficará orgulhoso de você, (SeuNome), quando alguém perguntar diga que teve que fazer... Eu tentei falar alguma coisa, mas ele me interrompeu, dizendo sempre a mesma frase... Eu tive que fazer, eu tive que fazer... Depois disse que estaria comigo e não deixaria ninguém me prender, foi quando gritei por Nick e você, Demi... Vocês vieram... Demi saiu correndo chorando... Fiquei tonta e acabei desmaiando, só que antes disso, eu vi Tom de trás de alguns arbustos e ele estava sorrindo... Quando acordei estava no hospital e eles disseram que me levaria até a delegacia...
 Não consegui terminar, eu estava chorando, Demi estava chorando, Lauren estava chorando. Mesmo revivendo tudo aquilo, senti que algo pesado havia saindo de minhas costas, prometi nunca contar isso e agora estava eu ali, contado a Demi e Lauren. 
- Isso é... – Demi disse quebrando o silencio, levantou-se e encarnou-me – Confuso demais... Eu vi seu irmão sendo enterrado... Vi a pedra em sua mão... O corpo de Megan naquela piscina...
- Eu sei que é confuso, mas... – levantei-me ficando em sua frente – Lembra do que você prometeu para mim? Que sempre...
- Eu sinto muito, (SeuNome) – ela disse baixo – Mas acho que não consigo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

13. Runaway.

 Senti minhas pernas vacilarem, meu quarto começou a rodar e eu estava com dificuldade para respirar. Era isso mesmo? Eu estava sendo mais uma vez presa? Pela morte do Matt?
- Onde ela esta? – ouvi a voz grossa do detetive perguntar, soltei um suspiro que saiu mais como um engasgo, ele não poderia me prender, não por uma coisa que eu não cometi, olhei para os lados e avistei a janela aberta. Era isso. Eu deveria fazer isso, não poderia ser presa por algo que eu não cometi. Ouvi os passos subindo as escadas, passei a mão pelo rosto e percebi que estava suando frio. Me arrastei pelo quarto em direção a janela, eu teria que pular, a janela não era tão alta, mas seria um belo tombo. Respirei fundo e prendi a respiração. Senti minhas costas bater contra grama, meu peito pegava fogo e notei que estava com um pequeno corte no cotovelo. Levantei-me um pouco tonta e antes mesmo de perceber já corria em direção a casa de Demi. Botei a mão no bolso do shorts e percebi que tinha deixado o celular em cima da cama, respirei fundo e olhei para cima, nenhum luz estava acesa, assim como a casa parecia silenciosa, segui silenciosamente até a porta dos fundos e girei a maçaneta, estava aberta. Fiquei até tonta de felicidade, abri a porta bem devagar e notei que a casa estava escura, fechei a porta do mesmo jeito que abri e segui pela cozinha, passando pela sala e avistando as escadas. A casa de Demi não havia mudado muito, eu conhecia aquela casa muito bem, subi as escadas vagarosamente e vi que a segunda porta a esquerda estava entre aberta, se Demi tivesse mudado de quarto, eu com certeza estaria fudida. Respirei fundo mais uma vez e entrei no quarto. Não havia ninguém, mas sabia que aquele quarto era de Demi. Primeiramente pelo o cheiro, depois pela as coisas que enfeitavam o quarto, fotos dela com Rose, Matt e outras garotas, vários pôsteres da Kelly Clarkson, etc. Fui até a janela e pude ver duas viaturas da policia paradas em frente de casa.
- (SeuNome)? – por um segundo pensei que fosse a policia, que eles haviam me encontrado e me levariam, porém assim que virei não pude deixar de suspirar aliviada assim que vi Demi.
- Demi! – disse indo até ela e abraçando-a.
- O que aconteceu? – ela perguntou assim que separei o abraço e fechei a porta, passando a chave.
- A policia – disse, não queria mentir para Demi, ela arregalou os olhos.
- O que?!
- Eles vieram me prender – disse e apontei para janela, Demi olhou e seguiu até lá, depois de alguns minutos virou-se para mim.
- Prender você? Por quê?
- Parece que tem um novo detetive no caso da morte do Matt – disse aflita andando de um lado para outro – Ele veio me prender... Eu não quero...
- Calma – ela disse indo até mim e segurando meus braços – Explica direito, já não foi provado que você não é culpada?
- Foi, quer dizer, não – disse sentando-me em sua cama – Eles me liberaram porque não tinham provas, Henry disse que a pulseira poderia ser de qualquer uma...
- E a pulseira é sua, (SeuNome)? – Demi perguntou sentando ao meu lado.
- Não sei, eu tinha uma pulseira daquela, lembra? Você quem me deu e eu tinha perdido no dia do enterro do papai e de Tom – disse e enterrei meu rosto em minhas mãos. – Eles iriam me prender...
- Escuta, (SeuNome) me escuta – Demi disse balançando meu ombro, suspirei e a olhei, Demi mordeu o lábio e levantou-se, indo em direção a cômoda ao lado da janela, pegando algo. – Toma.
- O que... – comecei e a vi virar-se, entregando-me uma chave – A chave do seu...
- Carro, isso – ela disse assentindo, Demi deu alguns passos até mim e ajoelhou-se a minha frente, para poder olhar em meus olhos – Ele esta na garagem, você fica lá, com certeza eles irão vim até aqui, afinal somos vizinhas, os deixo revistarem a casa e quando eles forem embora, vou até o carro e veremos o que fazer.
- Você faria isso por mim? – perguntei encarando-a, Demi mordeu o lábio e deu um sorriso tímido.
- Claro que faria – ela disse – É o mínimo que eu posso fazer.
- Você sabe que não precisa se envolver com isso – disse colocando uma mecha do seu cabelo para trás.
- Não irei cometer esse erro novamente, estou com você – ela disse e mesmo que a policial estivesse vindo em direção a sua casa, peguei em seu pescoço, selando nossos lábios.
- Vai (SeuNome) – Demi sussurrou assim que separamos o beijo, sorri e levantei-me.
- Obrigada – disse encarando-a, Demi deu de ombros, respirei fundo e abri a porta.
***

 Haviam passado alguns minutos que eu estava no carro de Demi. O policial Adams tinha me liberando por falta de provas, afinal como o próprio Henry disse qualquer um pode ter essa pulseira. E porque ele estava atrás de mim e porque tinham colocado outro detetive no caso? Eles não tinham nenhuma prova contra mim, a não ser que eles tivessem. Mas que prova seria essa? Tinha a pulseira, mas ela tinha sumido e... Era isso! Alguém tinha pegado a pulseira para me denunciar, mas quem seria essa pessoa? Era alguém que estava na festa e...
- (SeuNome)! – ouvi e vi que Demi batia no vidro, apresei em baixar o vidro rapidamente.
- Eles já foram? – perguntei.
- Acho que sim, mesmo assim melhor você ficar esperta – Demi disse e deu a volta no carro, entrando no banco carona.
- Você viu o Nick? – perguntei encarando o volante.
- Ele estava acompanhando o detetive, parecia aflito – ela disse – Ele estava preocupado, você devia ter falado com ele.
- Não pude, Demi – disse finalmente encarando-a – Já ia descendo quando aquele detetive chegou, consegui ouvi-lo e entrei em pânico, não poderia ser presa por algo que eu não cometi.
- O que você vai fazer? – ela perguntou, respirei fundo e voltei a encarar o volante.
- Sinceramente? Eu não sei – disse suspirando – Não posso voltar para casa...
- Você pode ficar na minha – Demi disse e eu a encarei.
- Não posso fazer isso, você já mentiu para policia, não vou metê-la mais nisso – disse e a senti pegar em meu rosto, aquele toque macio, quente, me permiti fechar os olhos.
- Vou procurar um lugar – disse ainda com os olhos fechados – Mas quero que você faça uma coisa para mim.
- O que? – Demi perguntou rapidamente, abri os olhos e a encarei.
- Prometa que sempre acreditará em mim, sempre – disse e a vi ficar confusa – Qualquer pessoa pode me acusar, menos você, não conseguiria viver com isso, mais uma vez.
- Não preciso prometer – ela disse sorrindo – Eu acredito em você.
- Mesmo assim prometa – disse firme, Demi assentiu e selou nossos lábios. Enquanto nossas línguas formavam uma perfeita sincronia, pensei em quanto queria Demi por perto, em quanto eu... Eu a amava.
- Eu prometo – ela sussurrou ainda com nossas testas coladas.

***
- Você tem certeza que quer ficar aqui? – Demi perguntou.
- Tenho sim – disse e logo vi Lauren voltar com duas xícaras na mão.
- É chocolate quente – Lauren respondeu sentando-se na poltrona a minha frente, sorri e bebi um gole. Estávamos na casa de Lauren, liguei para ela no caminho e disse que quando chegasse contaria tudo, e foi assim que fiz. Ela ouviu cuidadosamente e no final disse que eu poderia ficar na sua casa.
- Então você mora com sua tia? – Demi perguntou. Ela era a única que não tinha concordado com a ideia, mesmo que não tenha falado, porém conhecia Demi muito bem para saber que ela não tinha gostado nada.
- Sim, mas ela passa o dia todo no seu ateliê – Lauren respondeu dando um gole em seu chocolate quente – Ela só vem à noite, então você pode andar pela casa de dia, até a noite quando ela chega.
- E onde (SeuNome) irá dormir? – Demi perguntou, Lauren lançou-me uma rápida olhada e voltou a encarar Demi.
- No meu quarto – ela respondeu obvia, olhei para Demi e a vi arquear as sobrancelhas. – Fica tranquila Demi, eu sei que vocês duas estão juntas.
- O que?! – Demi perguntou quase gritando, arregalei os olhos assim como Demi.
- Você sabe? – perguntei e vi Lauren assentir.
- Eu vi vocês duas se beijando na festa – Lauren respondeu sorrindo, olhei para Demi que parecia envergonhada. – Enfim, você ficara no meu quarto, minha tia não costuma andar lá.
- Isso é ótimo – disse forçando um sorriso. – E será só por alguns dias.
- O que você esta pensando em fazer? – Demi perguntou.
- Provar que eu não matei o Matt – disse e a vi semi cerrar os olhos – Não se preocupem, eu cuidarei disso sozinha.

***
 Estava deitada em um colchão ao lado da cama de Lauren. Não conseguia pregar os olhos, minha cabeça estava a um milhão. O fato da policia esta atrás de mim, eu sendo uma fugitiva, colocando pessoas que eu gostava nisso, não conseguia ficar quieta deitada no colchão.
- Não consegue dormir? – ouvi a voz de Lauren falar baixinho.
- Não – respondi depois de alguns minutos. – Desculpe por ter acordado você.
- Não acordou, já estava acordada – ela disse. – Você quer conversar?
- Agora não é uma boa hora para conversar – respondi encarando teto.
- Certo então – Lauren respondeu e ficamos em silencio.
- Alguém esta armando para cima de mim – disse.
- E quem seria essa pessoa? – Lauren perguntou depois de alguns minutos depois.
- Eu não sei – disse – Quer dizer, acho que sei sim.
- E quem seria?
- T.P.H – respondi. Lauren era a primeira pessoa para quem eu contava isso, nem Nick, nem Demi. – No dia do assassinato do Matt, recebi uma mensagem e no dia seguinte recebi um bilhete.
- Dessa tal T.P.H? – Lauren perguntou.
- Sim.
- E você já tem uma ideia de quem seja? – ela perguntou, mordi o lábio, contava ou não contava? Já estava aqui mesmo, não iria esconder nada.
- Acho que seja o Tim – falei e fiquei alguns minutos em silencio – Tem tudo haver, quer dizer, T de Tim e P de Parker, mas e o H?
- Certo, mas o assassinato do Matt foi antes do Tim chegar aqui – Lauren disse.
- Exatamente e ainda tem a mensagem... – disse pensativa.
- Que mensagem?
- A que eu recebi do tal T.P.H, segundo a mensagem, ele era um Harris – disse. – E o Tim não é um Harris, certo?
- Pelo o que eu sei não – Lauren respondeu – Mas quem sabe ele pode ser algum primo distante ou sei lá.
- Pensei nessa possibilidade, mas porque um primo perdido iria querer me ferrar? E meu pai é filho único, e a família da minha mãe me odeia.
- Mas isso não muda o fato de que pode ser alguém da sua família. – Lauren falou e eu gelei. Apenas um nome veio em minha mente. E esse nome me ferrou uma vez e estava fazendo isso novamente. 

"Próximo capitulo será revelador... Qualquer coisa venham na ask, até mais"