quarta-feira, 17 de setembro de 2014

16. Plan.

- Quem esta aí?
 Senti meu coração parar. Os policias estavam atrás de mim, com suas armas apontas em minha direção, seu eu me mexesse, estaria morta.
- Quem esta aí? – a voz perguntou novamente, a voz era de Nick. Poderia me virar e ir até ele, porém se eu virasse, ele poderia esta com os policiais. Não poderia ficar ali e correr o risco de ser presa, cuidadosamente coloquei o bilhete no bolso, ajeitei o capuz e dei uma olhada para o lado. Poderia correr o mais rápido possível e entrar no carro de Lauren, que estava aberto, porém caso estivesse certa, os policias poderiam esta com armas em punho e atirar assim que corresse. Respirei fundo e antes de ouvi a voz de Nick novamente, comecei a correr, passei por alguns arbustos e acabei ganhando alguns arranhões, mesmo assim continuei correndo. Entrei no carro de Lauren que estava estacionado na esquina da rua. Abri a porta do banco de trás, jogando-me lá dentro, levei alguns minutos para me recompor, meu coração estava acelerado e eu estava suando. Olhei para os lados e não vi ninguém, ninguém havia me seguido, respirei aliviada, foi então que vi dois vultos correndo em direção ao carro. Antes mesmo de chegar perto, pude perceber que uma era Lauren e a outra era Demi. A porta do motorista e do carona foi aberta, e logo as duas entraram.
- Você por acaso perdeu o juízo? – Demi disse um pouco ofegante.
- Seu irmão quase viu você – Lauren disse olhando-me.
- Ele só não te seguiu porque eu e Lauren impedimos – Demi voltou a falar. – O que estava fazendo aqui?
- Não consegui – disse e olhei para Lauren. – Não consegui nada.
- Não conseguiu o que? – Demi perguntou e encarou Lauren – Porque a (SeuNome) esta aqui Lauren?
- Não posso dizer – ela respondeu desviando o olhar. – Só ela pode dizer a você.
- Vou contar Demi – disse – Só que não aqui.
***

- Vou deixar vocês conversarem sozinhas – Lauren disse indo até a porta do seu quarto. Demi estava em pé ao lado da porta e eu sentada na cama, encarando o guarda-roupa. 
- O que está acontecendo? – Demi perguntou de braços cruzados. – Porque você estava na sua casa correndo o risco de ser pega?
- Eu fui falar com o Tom – disse encarando-a e a vi arquear as sobrancelhas.
- E porque você quer falar com o Tom? – Demi perguntou.
- É complicado de explicar – disse levantando. – Sabe no dia da festa do Matthew, quando eu recebi aquela mensagem?
- A mensagem do Nicholas – Demi respondeu.
- Não era uma mensagem dele, era uma mensagem do Tom – respondi – No dia seguinte, quando aconteceu aquilo com a Rose, eu recebi um bilhete, um bilhete dele.
- E o que isso tem haver?
- Tom estava me vigiando – continuei – Ele sabia de todas as coisas que eu fazia, sabia que eu iria á festa, sabia onde era meu armário na escola...
- Por isso que você foi ate sua casa – Demi completou sentando-se na poltrona que havia no quarto. – Mas porque você quer conversar com ele?
- Porque eu preciso de respostas – disse encarando-a – Preciso saber por que ele fez tudo isso.
- E conseguiu alguma coisa? – Demi perguntou, mordi o lábio, não queria meter Demi nisso, já tinha Lauren e agora ela, isso poderia ser perigoso e se caso algo acontecesse algo com elas, nunca me perdoaria.
- Sim – respondi depois de um tempo – Na verdade, quase.
- E então? – abri a boca para falar, porém fui interrompida com a porta do quarto sendo aberta rapidamente.
- Eles estão aqui! – Lauren disse ofegante.
- Quem? – perguntei.
- Os policiais. – Lauren disse e senti meu coração parar – Eles estão falando com minha tia.
- Você tem que se esconder, (SeuNome) – Demi disse aflita. – Agora, vai!
- Onde? – perguntei também aflita olhando para os lados.
- No guarda roupa – Demi disse indo até o próprio e abrindo a porta.
- Será o primeiro lugar que eles irão procurar – disse olhando-a.
- Vai logo, eles estão revistando a casa – Lauren sussurrou, mordi o lábio e segui para o guarda roupa, antes de entrar virei-me para Demi – E você?
- Vou ficar aqui – ela disse – Agora fique aí e não faça um movimento.
 Antes que eu respondesse, vi a porta sendo fechada, ouvi alguns sussurros e passos.
- Lauren, procurei você pela casa toda – ouvi uma voz feminina e deduzi ser a da tia de Lauren. – O detetive que falar com você.
- Você é Lauren Jauregui? – ouvi e senti um calafrio, era voz do detetive Nathan Foster.
- Sim, algum problema? – Lauren perguntou.
- Soubemos que você e a senhorita Harris eram amigas, isso é verdade?
- Sim, por quê?
- Ela esta sendo procurada pelo o assassinato de Matthew Sullivan e está foragida, a senhorita a viu ou tem alguma informação? – o detetive perguntou.
- Não – Lauren respondeu cheguei até pensar que ela estava realmente falando a verdade.
- Você tem certeza?
- Porque não teria? Afinal eu mesma estou afirmando isso – Lauren disse e tive que me segurar para não soltar uma risada – Mas não se preocupe, se eu tivesse não mentiria para um policial.
- Certo – ele disse dando uma pausa – Obrigado por responder as perguntas.
- Estarei aqui se precisar saber mais. – logo ouvi alguns passos e o som da porta sendo fechada. O quarto ficou silencioso e eu não tinha coragem de abrir a porta, o detetive poderia está escondido.
- Ele já foi – vi a porta sendo aberta por Demi.
- Que sufoco – Lauren disse deitando-se na cama.
- Será que ele notou algo? – Demi perguntou encarando-me e logo depois Lauren.
- Acho que não, Lauren chegou até me convencer – disse encarando-a e dando uma piscadela, Demi nos olhava, porém logo desviou.
- Então, conseguiu falar com o Tom? – Lauren perguntou sentando-se na cama, fui até lá e sentei-me ao lado de seus pés.
- Era isso que eu iria falar para Demi quando você apareceu – respondi, tirei o bilhete de dentro do bolso da calça.
- O que é isso? – Demi pegou lendo e perguntou.
- Algum tipo de código – disse passando para Lauren.
- Fale com ele, o que esta procurando por você – Lauren leu e olhou-me – O que ele esta tentando dizer?
- O detetive – respondi e a vi arquear as sobrancelhas – Nathan Foster, ele sabe onde encontrar o Tom.
- Como assim? Ele conhece o Tom? – Demi perguntou confuso.
- Talvez, eu não sei, mas foi o que Tom escreveu – disse dando um suspiro – Isso tudo é tão confuso, seu eu for procurar por ele, serei presa.
- É isso que Tom quer – Demi respondeu – Talvez o detetive nem conheça Tom e isso seja apenas mais um dos joguinhos dele.
- Mas se eles realmente se conhecem? – Lauren disse, mordi o lábio e levantei-me.
- Bem, tenho que correr esse risco.
- Você não ta pensando em ir até ele, não é? – Demi perguntou levantando-se também.
- Demi, eu tenho que... – comecei, porém logo fui interrompida.
- Eu tenho uma idéia melhor – ela disse encarando-me, olhei para Lauren e logo depois para ela – Eu posso ir até ele.
- Não vou deixar você se meter nisso.
- Pare de tentar me proteger, quero fazer isso por mim também – ela disse encarando-me nos olhos.
- Se ela quer isso, deixa-a – Lauren disse olhando-me – Agora continue, Demi.
- Irei até o detetive e digo que você está escondida naquela casa abandonada que costumávamos brincar, lembra? – Demi explicou e logo assenti – Bem, se ele tiver contato com Tom, com certeza passará essa informação a ele.
- Mas se for uma emboscada? – perguntei.
- Se for verdade o que Tom escreveu no bilhete, o detetive irá falar com ele – Lauren quem disse, mordi o lábio e olhei para Demi.
- Você não precisa fazer isso, Demi – disse pela ultima vez.
- Mas eu quero, eu preciso, okay? – Demi disse firme e vi que ela não iria desistir.
***
 - Ela não devia está fazendo isso – disse, Demi tinha acabado de sair do carro. Estávamos no carro de Lauren que estava estacionando a alguns metros da cafeteria.
- Ela mesma disse que queria, você não pode fazer nada – Lauren disse olhando-me.
- Mas... Mas se algo acontecer a ela? – perguntei olhando para Lauren. – Não quero magoá-la novamente.
- Você não vai, Demi está fazendo isso por conta própria – Lauren disse, suspirei e virei-me, de onde estávamos dava para quem entra e quem saia da cafeteria.
- Obrigada por está fazendo tudo isso, Lauren – quebrei o silencio depois de um tempo, virei-me e a encarei – Você me acolheu na sua casa sem pensar duas vezes, acreditou em mim quando mais ninguém fez isso... Obrigada.
- Não precisa agradecer – ela disse sorrindo – Só fiz isso porque sei que você é uma boa pessoa.
- Você realmente é minha melhor amiga – disse e a puxei para um abraço – Tudo que você fez e está fazendo, nem sei como agradecer a você.
- Só se mantenha longe da prisão – ela disse sorrindo assim que separamos o abraço, ficamos nos encarando por alguns minutos. Desviamos o olhar por ver alguém abrindo a porta do banco de trás.
- Pronto – era Demi, Lauren ajeitou-se no banco e eu fiz o mesmo – Tudo bem por aqui?
- Falou com ele? – perguntei rapidamente, Demi encarou-me, mordeu o lábio e finalmente respondeu.
- Do mesmo jeito que ensaiamos.
- E qual foi à reação dele? – Lauren perguntou.
- Cheguei e sentei na mesma mesa que ele, ele não parecia me conhecer, então falei que sabia onde você estava – Demi respondeu – Disse que você estava na casa abandonada que costumávamos brincar quando criança e falei o exato endereço, depois levantei e fui embora.
- Ele não desconfiou? – perguntei, Demi apenas balançou a cabeça negativamente – Certo, agora é só esperar para finalmente eu ir atrás do meu irmão morto.
- E iremos sair que horas? – Demi perguntou, a encarei com as sobrancelhas arqueadas.
- Como assim iremos? Será apenas eu – disse – Não levarei ninguém comigo.
- Mas eu dei a idéia – Demi falou irritada.
- Eu sei e agradeço, mas tanto você quanto Lauren foram longe demais com isso – disse firme – Vocês fizeram suas partes, agora falta a minha.
- Ele é um assassino, (SeuNome) – Demi disse – Você não pode encontra-lo sozinha.
- Não se preocupe – respondi olhando-a pelo retrovisor – Ele é assassino, tenho metade do mesmo sangue que ele, sei me defender. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

15. He's Watching Me.

 Demi havia saído há algumas horas. Contar a verdade foi como se eu tivesse tirando algo pesado da consciência. Mesmo assim aconteceu algo que eu mais temia. Demi não acreditou em mim. Mesmo contando toda verdade, uma verdade que eu não disse a ninguém, uma verdade que eu jurei não contar.
- (SeuNome)? – ouvi a voz de Lauren, porém não me movi, continuei encarando a janela que estava fechada. – (SeuNome)?
 Lauren voltou a chamar-me, porém novamente não me movi, então ouvi alguns passos e logo a vi sentar-se ao meu lado.
- Você esta assim desde que Demi saiu daqui – Lauren falou – No que esta pensando?
- Em um jeito de acabar com tudo isso – respondi depois de alguns minutos, virei-me para ela – Você acredita no que eu disse?
- Sobre o assassinato da Megan? – Lauren perguntou e eu assenti – Sim.
- Você esta falando isso... – comecei, porém fui interrompida por Lauren.
- Por que sou sua amiga? Não só por causa disso – ela disse – Eu sei quando as pessoas mentem e não acho que você esta mentindo sobre isso.
- Demi não acha isso – respondi dando um suspiro e voltando encarar a janela.
- Demi esta assustada, (SeuNome) – Lauren respondeu – Ela viveu isso, passou cinco anos acreditando em uma coisa e essa noticia a deixou confusa.
- Ela prometeu que... – comecei, porém não consegui terminar.
- Escuta, Demi esta confusa, assustada, ela só precisa de um tempo – ela disse pegando em meu ombro – Ela gosta de você e só precisa de um tempo para ver que você não esta mentindo sobre isso.
- Eu espero – disse suspirando.
- No que esta pensando em fazer? – Lauren perguntou depois de algum tempo em silencio. – Sabe, sobre o seu irmão?
- Estava pensando nisso – disse e virei-me novamente para encara-la – Acho que esta na hora de falar com ele.
- O que?! Você não...
- É minha única chance, Lauren – disse – Quero saber por que ele esta fazendo tudo isso, preciso de respostas.
- E como você vai fazer isso? Você nunca o viu e quem sabe ele não esta em outro lugar agora?
- Tom não é assim, ele sabia que eu iria para a festa do Matt, colocou o bilhete no meu armário, me viu com a Demi no balanço... – disse pensativa – Ele esta me vigiando.
- E onde você irá procurar por ele? – Lauren perguntou.
- Na minha casa.
***

 Lauren iria atrair Nick para sala, onde conversaria sobre mim, perguntando se ele sabia de alguma noticia minha. Então eu entraria pela porta dos fundos e iria até meu quarto. E assim foi. Estava no banco de trás apenas observando o movimento, não havia uma viatura, o que facilitou muito, porém tinha que esta atenta, algum policial poderia aparecer e eu não poderia ser presa, pelo menos não agora. Senti meu celular vibrar e vi que era uma mensagem de Lauren, era o sinal para que eu entrasse na casa. Sai do carro e corri até os fundos da casa, era noite e estava escuro, então não tinha problema algum. Abri a porta e não pude evitar o sorriso que formou em meus lábios, eu queria muito entrar ali sem correr o risco de ser presa, respirei fundo e segui em direção a porta da cozinha. Ouvi as vozes de Nick e Lauren, subi rapidamente a escada sem fazer um barulho, era muito boa nisso, costumava sair escondida do meu “quarto” lá no reformatório, para olhar a lua quando não conseguia dormir.
 Meu quarto estava exatamente igual. Não havia nada bagunçado, a cama arrumada, os quadros do mesmo modo, a escova de cabelos ainda em cima da penteadeira do mesmo jeito que eu havia deixado no dia que fugi. Tinha que arranjar um jeito de falar com Tom, de fazer com que ele me ouvisse, fui até a janela e dei um rápida olhada para rua, apenas alguns carro. Olhei para o quintal da casa e foi então que vi. Havia alguém sentado no balanço, dei alguns passos para trás, será que era... Não, ele não se atreveria... Voltei a olhar para o balanço, porém o vulto havia sumido. Minhas mãos estavam geladas e minha respiração descompassada, Tom realmente estava me observando. Consegui me recompor e corri para a porta, porém antes de abrir a mesma, ouvi algumas vozes, e uma delas eram do Nick. Pensei que meu coração iria sair pela boca, Nicholas não estava sozinha, ele poderia esta com o detetive Foster, olhei para um lado e para o outro, tinha que me esconder. Abaixei-me e deslizei para debaixo da cama, respirava pela boca de tão nervosa, encolhi-me o máximo que podia e logo ouvi a porta do quarto abrir.
- ...Nenhum sinal dela – Nick adentrou no quarto falando, havia duas pessoas com ele.
- A policia esta atrás dela, não é? Vi no jornal local – reconheci a voz de Lauren.
- Está e é isso que me preocupa – Nick voltou a falar – Ela não deveria ter feito isso, faz com que ela pareça realmente culpada por algo que não cometeu.
- Porque isso logo agora? Quer dizer, ela não tinha sido inocentada quando foi presa pela primeira vez? – estremeci em ouvi aquela voz, era a voz de Demi.
- Encontraram a pulseira no armário dela – Nick respondeu. Então era isso, alguém tinha pegado à pulseira no dia da “social” e logo depois haviam colocado em meu armário, denunciaram e a policia foi até lá, como não pensei nisso antes – Segundo o detetive Foster, eles receberam uma denuncia anônima e logo foram lá, abriram o armário e acharam à pulseira, a mesma que estava perto do corpo de Matthew Sullivan.
- Isso é tão confuso – Lauren quem falou – Quem diabos faria uma coisa dessas a (SeuNome)?
- Não faço a mínima ideia – Nick respondeu e o ouvi suspirar – Espero que ela esteja bem onde estiver.
- (SeuNome) sabe se cuidar, Nick – Demi disse, logo os três seguiram em direção a porta, fechando-a em seguida. Esperei alguns minutos e finalmente sai debaixo da cama. Passava as mãos no casaco que usava quando a porta foi aberta de repente, fazendo-me dá um pulo para trás. Era isso. Eles haviam me pegado.
- (SeuNome)?! – Demi quase gritou, respirei aliviada em ver que era ela.
- Pensei que fosse... – comecei, porém Demi interrompeu-me fechando a porta.
- O que você esta fazendo aqui? – ela perguntou sussurrando.
- Vim... – dei uma pausa – Vim pegar algumas roupas.
- E porque não pediu a Lauren? Ou então a mim? – Demi sussurrou – Se a policia pegar você aqui...
- Eu sei, mas tive que vim – sussurrei de volta – Preciso que você ajude a Lauren a enrolar o Nick lá embaixo e não deixe que ele sai para fora, principalmente para os fundos da casa.
- Por quê? O que vai fazer?
- É uma coisa importante, não posso falar agora, mas preciso que faça isso – pedi, Demi mordeu o lábio e depois de alguns minutos assentiu.
- Certo, mas faça o que for fazer rápido – ela disse, ficamos nos olhando, até finalmente Demi desviar o olhar e pegar algo em cima da cama. – Deixei meu casaco.
- Obrigada, Demi – disse sorrindo, ela retribuiu e saiu. Voltei a olhar para janela e vi que o balanço estava balançando, senti um calafrio e respirei fundo, coloquei o capuz e fui até a porta do quarto. A saída chegou a ser mais fácil que a entrada, pude ouvi as vozes de Nick, Demi e Lauren, fechei a porta e andei cuidadosamente até o balanço. Olhei por cima dos ombros e não vi ninguém, a casa de Demi estava silenciosa e não havia uma luz ligada, o único som eram dos carros que passavam em alta velocidade pela rua. Cruzei os braços assim que cheguei perto do balanço, olhei em volta novamente, não à procura da policia ou alguma outra pessoa, olhei em volta a procura de Tom.
- Sei... Sei que você esta ai, Thomas – disse sentindo a voz falhar – Vi você aqui... Não precisa se esconder... Só quero falar com você... Apenas isso.
 Não obtive nenhuma resposta, apenas o som dos carros e o som do vento, respirei fundo, Thomas não iria aparecer, como fui idiota em acreditar que ele iria aparecer e iríamos conversar? Balancei a cabeça negativamente e voltei a andar em direção ao carro de Lauren. Então ouvi um barulho, na verdade foi um rangido, o rangido do balanço, virei-me rapidamente, porém não havia ninguém ali. Mas havia algo, havia um papel em cima do balanço, corri até lá e peguei o papel. Com a mesma caligrafia do outro bilhete, Thomas havia escrito algo, um tipo de código.
“Fale com ele, o que esta procurando por você”. No mesmo tempo que entendi de quem ele falava, escutei a porta sendo aberta atrás de mim e uma voz.

domingo, 7 de setembro de 2014

14. The Truth.

 Fiquei pensando sobre a conversa de ontem com Lauren. Fazia todo o sentido, ele tinha me ferrado uma vez e estava fazendo isso novamente. Mas havia tantas coisas em questão, porque novamente? Será que ele não tinha acabado com a minha vida de uma vez? Fui acordada com varias batidas na porta, será que era a policia? Eles tinham me achado? Não, ninguém tinha me visto, Lauren não havia falado e muito menos Demi.
- Eu mato aquele idiota! – ouvi a voz de Demi, fui até a sala e a vi, com Lauren ao seu lado.
- O que vocês estão fazendo aqui? – perguntei para Lauren, já que Demi andava de um lado para o outro, sussurrando algo para si mesma.
- Você nem imagina – Lauren disse sentando-se no sofá, a encarei confusa e logo depois olhei para Demi.
- O que aconteceu, Demi?
- Aquele filho de uma mãe! – ela disse alto jogando as mãos para o alto.
- Demi, olha para mim – disse segurando seus braços – O que aconteceu?
- Tim Parker, Tim aconteceu! – ela disse puxando seus braços levemente e sentando-se na poltrona ao lado, olhei para Lauren confusa.
- Ele escreveu algo sobre vocês no jornal – Lauren disse calmamente.
- Ele fez o que?! – saiu mais como um grito, Lauren pegou sua bolsa que estava ao seu lado no sofá, abrindo-a e tirando uma folha de lá. Respirei fundo e peguei a folha, havia uma foto minha saindo do carro de Demi e com uma manchete acima, dizendo; “Mais que amigas de infância?”. Arqueei as sobrancelhas e virei-me para Demi.
- O que foi? – ela perguntou.
- Você esta desse jeito por causa disso? – perguntei cruzando os braços.
- Como assim por causa disso? Você ta vendo o que ele escreveu, (SeuNome)? – Demi disse levantando-se.
- É só uma foto, Demi – disse, Demi balançou a cabeça negativamente e bufou.
- Só uma foto? Quantas vezes vou ter que dizer que você não conhece o Tim, ele escreve isso aqui e todos acreditam, aquele garoto tem o poder de fazer isso!
- E se as pessoas acreditarem? Faz diferença?
- Claro que faz! – Demi disse alto – As pessoas vão pensar que nos estamos juntas.
- E não estamos? – perguntei arqueando as sobrancelhas, Demi desviou o olhar – Entendi.
- (SeuNome)... – ela começou, porém eu a interrompi.
- Esta com vergonha, não é? Mas quer saber, Demetria, eu não estou nem ai – disse encarando-a – Não quer que as pessoas pensem que você tem algo com uma assassina, não é? Não quer que as pessoas pensem que você tem algo com alguém fora do seu grupinho de amigos? Porque você continua aqui então? Porque já não foi embora?
- (SeuNome)... – era Lauren quem falava, Demi encarava-me com os olhos marejados.
- Preciso esfriar a cabeça – disse indo em direção a saída.
- A policia esta atrás de você – Demi disse baixo.
- Fica tranqüila, não irei matar ninguém – disse abrindo a porta e saindo.
***

  A expressão de Tim mudou assim que me viu encostada no capô do seu carro. Estávamos no estacionamento da escola, havia apenas os carros dos professores e de Tim.
- Oi Tim Parker – disse acenando.
- O que você faz aqui? – ele perguntou e senti sua voz tremer.
- Esta com medo, Tim? – perguntei com a sobrancelha arqueada.
- Medo? Eu não estou... – ele deu uma pausa – Não estou com medo.
- Eu espero, afinal não quero que você tenha medo de mim – disse dando alguns passos em sua direção. – Quero conversar com você, não tínhamos uma entrevista para terminar?
- Sim... Cla... Claro – Tim disse gaguejando.
- Ótimo! – disse forçando um sorriso – Primeira pergunta... Não, eu posso fazer uma pergunta primeiro? Você se incomoda?
- N... Não – ele disse, parei em sua frente e vi que Tim estava suando.
- Porque você escreveu aquilo sobre Demi e eu no jornal? – perguntei, o vi franzir o cenho.
- Eu não sei do que você... – não o deixei terminar, fechei o punho e lhe dei um soco, fazendo-o dar alguns passos para trás.
- Não minta para mim, Tim Parker – disse vendo-o colocar a mão onde meu punho atingiu.  – Porque você escreveu aquilo?
- Por que... – ele começou, porém o interrompi com um chute entre suas pernas, fazendo-o cair de joelhos.
- Eu devia matar você aqui mesmo, sabia? – disse agachando-me ao seu lado – Sempre existe uma primeira vez, não?
- Você... Você não teria coragem – ele murmurou, dei um sorriso de lado e lhe dei outro soco, acertando seu nariz. Levantei-me e afastei-me, Tim agora estava levantando-se, ele tossiu e pude ver o sangue pingando no chão, fui até ele e lhe dei outro chute, porém agora no estomago.
- Você irá desmentir tudo aquilo que escreveu – disse olhando-o, Tim tossia ainda no chão.
- Mas você sabe que é verdade – ele disse encarando-me e pude ver a raiva em seus olhos – Vi você e Demi se beijando... Porque quer que eu desminta? Ela negou você?
- Cala a sua boca! – disse dando-lhe outro chute na costela.
- Demi sempre foi uma vadia – ele disse tossindo, senti um calafrio percorrer todo meu corpo – Ela também me negou, sabia? Mas quando estávamos juntos principalmente na cama, ela não...
 Senti a raiva crescer e me joguei em cima dele, dando vários socos em seu rosto, Tim apenas protegia o rosto com os braços. Cada soco que eu dava sentia mais ódio, não só de Tim Parker, mas de todos. Minha mãe, aquele detetive Natan Foster, Matt, Tom, todos que me acusaram... Sai de cima de Tim, que já tossia e tinha o rosto ensangüentado, assim como minhas mãos.
- Se eu souber que você esta escrevendo algo sobre nos duas, eu acabo com você, Tim – disse encarando-o, virei-me e sai dali.
***

- (SeuNome)! – Demi disse assim que entrei na casa – Onde você se meteu?
- Estávamos preocupadas com... – Lauren parou de falar assim que olhou para minhas mãos, Demi também encarava, segui em direção ao quarto de Lauren.
- O que você fez, (SeuNome)? – Demi perguntou, virei-me e a encarei. – Porque tem sangue em suas mãos?
- Por que... Porque eu... – não consegui responder.
- De quem é esse sangue? – Lauren quem perguntou, mordi o lábio – Responde, (SeuNome).
- Do Tim – sussurrei.
- Eu ouvi direito? O que você fez com o Tim? – Demi perguntou.
- Não fiz nada – respondi, Demi balançou a cabeça negativamente.
- E porque tem sangue dele em suas mãos? – ela perguntou alto – Não acredito que você...
- Não acredita em que, Demi? Que eu o matei? É isso? – perguntei encarando-a – Mas pode ficar tranqüila, eu não o matei, mas eu deveria, afinal seria mais um para minha lista.
- Porque você fala assim? Você fala com tanta certeza sobre a morte da Megan e do Matt que até parece que...
- Que eu os matei? Mas não é isso que a policia disse e diz? – disse com as sobrancelhas arqueadas, Demi cruzou os braços e respirou fundo.
- Estou começando a pensar que você... – ela começou, senti o ódio que senti quando batia em Tim voltar, segui até ela com ódio no olhar.
- Que eu os matei? É isso mesmo, Demetria? – disse e a vi dá alguns passos para trás – Odeio te desapontar, mas você esta totalmente errada.
- O que você...
- Eu não matei o Matt e isso acho que você deve saber – disse – E muito menos matei a Megan, sabia? Ah não, isso você não deve saber por que estava em New York, não era mesmo?
- Mas... – ela começou. – Você não matou a Megan? Mas...
- A arma do crime estava em minhas mãos e eu não neguei a policia? Sabe por que não fiz isso? Porque eu fui obrigada, eu contei a você, sabia? Nas milhares de cartas que eu escrevia a você e eu nunca tinha resposta...
- Você foi obrigada a matar a Megan? – Demi perguntou interrompendo.
- Eu fui obrigada a levar a culpa pela a morte dela – disse e vi tanto Demi quanto Lauren arregalar os olhos. Era isso. Eu havia falado. – Eu não matei a Megan, Demi, eu nunca matei ninguém.
 Demi desviou o olhar e foi até o sofá, sentando-se ao lado de Lauren e passando as mãos pelos cabelos, engoli o seco e virei-me para as duas.
- E quem... Quem fez isso? – ela perguntou depois de alguns minutos em silencio, respirei fundo e olhei para Lauren.
- T.P.H – respondi e vi Lauren arquear as sobrancelhas surpresa, voltei a olhar para Demi e a vi olhando-nos. – Para ser mais exata... Thomas Peter Harris, mais conhecido como Tom... Mais conhecido como meu meio irmão.
- Mas... – Demi encarou o chão, eu sabia que sua cabeça estava confusa, aquilo tudo era confuso, era confuso até para mim, imagina para ela. – Mas Tom estava morto antes...
- Exatamente – disse e sentei-me na poltrona – Tom sempre foi estranho, lembra? Ele vivia no quarto, nunca queria brincar, você sempre pedia para chamá-lo, mas Tom nunca vinha. Meu pai também suspeitava disso e ele estava levando Tom até um psicologo quando...
- Quando aconteceu o acidente... – Demi completou – Mas o funeral... Eu estava lá, vi o caixão...
- Eu também vi e acredite, vê-lo depois de dois anos depois do acidente foi... – dei uma pausa – Estava eu, você, Megan e Nick brincando no balanço, lembra? Aí a Megan foi beber água, passou vários minutos e ela não tinha voltado e...
- Eu mandei você ir até lá – Demi disse com certeza lembrando-se daquele dia.
- Isso e fui... Assim que cheguei à cozinha, não vi Megan e então ouvi seus gritos... Então fui até lá e quando vi... Foi bem na hora que Tom acertava com a pedra em sua cabeça... Vi seus olhos encarando-me pedindo ajuda... Tom estava com um sorriso de dever cumprido no rosto... Ele a empurrou na piscina e percebeu que eu estava olhando-o... Fiz isso para salvar nosso pai, ele disse para salvar nossa família... Ele foi ate mim e pegou em minha mão... Eu não sabia o que fazer, estava assustada...
- Você era uma criança, (SeuNome) – Lauren disse e eu a encarei sentindo um nó na garganta.
- Não, eu deveria ter gritado... Deveria ter ajudado-a... – disse soluçando – Papai ficará orgulhoso de você, (SeuNome), quando alguém perguntar diga que teve que fazer... Eu tentei falar alguma coisa, mas ele me interrompeu, dizendo sempre a mesma frase... Eu tive que fazer, eu tive que fazer... Depois disse que estaria comigo e não deixaria ninguém me prender, foi quando gritei por Nick e você, Demi... Vocês vieram... Demi saiu correndo chorando... Fiquei tonta e acabei desmaiando, só que antes disso, eu vi Tom de trás de alguns arbustos e ele estava sorrindo... Quando acordei estava no hospital e eles disseram que me levaria até a delegacia...
 Não consegui terminar, eu estava chorando, Demi estava chorando, Lauren estava chorando. Mesmo revivendo tudo aquilo, senti que algo pesado havia saindo de minhas costas, prometi nunca contar isso e agora estava eu ali, contado a Demi e Lauren. 
- Isso é... – Demi disse quebrando o silencio, levantou-se e encarnou-me – Confuso demais... Eu vi seu irmão sendo enterrado... Vi a pedra em sua mão... O corpo de Megan naquela piscina...
- Eu sei que é confuso, mas... – levantei-me ficando em sua frente – Lembra do que você prometeu para mim? Que sempre...
- Eu sinto muito, (SeuNome) – ela disse baixo – Mas acho que não consigo.