quinta-feira, 9 de outubro de 2014

20. Little Explosion.

 Fiquei pensando no que Demi havia me falado. Eu teria que esquecer isso, teria que viver com isso, não por mim, mas sim por causa de Demi e Nick. Seria difícil, toda vez que fechava os olhos via o corpo de Thomas no meio daquelas pedras, seu olhar sem vida, a boca entre aberta. Porem, como ela mesma disse, eu teria que tentar viver com isso, por ela.
- (SeuNome) – ouvi e virei-me rapidamente, seu cabelo loiro caindo nos ombros, seu semblante sério, Dianna.
- Ah... Oi – disse e a vi caminhar até mim, olhei em volta procurando alguma câmera, realmente era inacreditável ver Dianna falando comigo.
- Soube que você foi inocentada – ela disse mantendo uma distancia segura.
- Encontraram a arma do crime – disse levemente incomodada com aquilo, e com certeza ela também estava.
- Soube disso também – ela engoliu o seco e demorou um pouco para falar – Thomas, foi a digitais dele na arma.
- Sim, foi o Tom – disse sentindo-me cada vez mais desconfortável com aquilo.
- Então ele está vivo – ela afirmou e pude senti um calafrio, não estava mais – E se ele está vivo... Seu pai também deve está.
- Eu não... – não sabia responder e pela primeira vez desde que tudo isso ocorreu me veio essa possibilidade na mente, se Thomas estivesse sobrevivido ao acidente, papai também... – Eu não sei dizer.
- Bem, só perguntei por que deve ser difícil ver pessoas que supostamente estariam mortas aparecer assim.
- É bem difícil mesmo – disse – Mas já passei por coisas piores.
 Ela assentiu e forçou um sorriso, retribui o falso sorriso e segui em direção a casa. Abri a porta ainda pensando no que Dianna havia falado, papai estaria vivo? Mas se estivesse porque não...
- (SeuNome)? – ouvi a voz de Nick.
- Sim? – perguntei e logo o vi levantar-se do sofá.
- Não consegui conversar com você depois que... – ele parou – Bem, você sabe e depois que você saiu para a escola...
- Vai logo ao assunto, Nicholas – disse, ele assentiu e fez um sinal para eu sentar no sofá, revirei os olhos, porém obedeci.
- Queria falar sobre o... Sobre o Tom – ele disse.
- O que tem ele? – perguntei rapidamente, Nick mordeu o lábio e fez um sinal para eu aproximar-se dele, logo fiz o que ele mandou.
- Deve ser difícil, é difícil para mim – Nick começou – Saber que o nosso irmão...
- Meio irmão – o corrigi.
- O nosso meio irmão pode está vivo, é uma noticia e tanto – ele deu uma pausa, parecendo escolher bem às palavras – Não faço a mínima idéia do porque ele fez aquilo com aquele garoto e colocou a culpa em você, mas quero que saiba que iremos passar por isso juntos, como sempre.
- Eu sei – disse sorrindo, ele retribuiu e logo levantei-me – Nick, qual era a relação do papai com a Dianna, mãe da Demi?
- O que? Não entendi – ele disse confuso.
- Quer dizer, eles eram amigos de longa data, não eram?
- Eles se conheciam desde crianças – Nick respondeu – Pelo menos é isso que eu sei, mas porque a pergunta?
- Por nada – respondi – Vou subir, tenho teste de Literatura amanha.
- Boa sorte então – Nick disse sorrindo, forcei um sorriso e logo subi em direção ao quarto, antes de entrar em meu quarto, parei e fiquei olhando para a porta ao lado do quarto de Nick, o quarto dos nossos pais. A porta ficava trancada, eu e Nick concordamos que seria melhor assim. Passava por essa porta e nunca me deu vontade de abri-la, mas agora a olhando, senti uma vontade enorme de ver o que havia lá dentro. Balancei a cabeça negativamente, era uma idéia ridícula, abri a porta do quarto, jogando-me em cima da cama, senti meus olhos pesarem e logo adormeci.
 Os barulhos dos trovões me fizeram acordar, abri os olhos assustada, estava chovendo? Mas quando cheguei da escola não havia um sinal que iria chover, levantei-me sentando-se na cama, virei-me e congelei assim que vi.
- Olá irmãzinha – ele estava com a mesma roupa que tinha o encontrado, porém a roupa estava suja de barro e estava rasgada em algumas partes, Thomas estava sentado na janela do meu quarto.
- Tom? – sussurrei na verdade, como ele poderia está ali? Ele não havia morrido? Eu o vi no meio daquelas pedras...
- Está surpresa? Pensou que eu estivesse morto, maninha? – ele disse aproximando-se de mim, levantei-me rapidamente e dei alguns passos para trás.
- A policia está atrás de você – disse e senti minhas costas baterem contra o guarda roupa, Tom deu um sorriso irônico e balançou a cabeça negativamente.
- Como você é burra – ele disse ficando sério – Eu estou morto, sua idiota! A policia irá achar meu corpo e irão achar você, (SeuNome).
- Se eu não tivesse feito... – comecei, mas fui interrompida por suas mãos em meu pescoço.
- O que fez estaria morta? Bem, isso você tem razão – ele disse apertando suas mãos em torno de meu pescoço – Mas a policia não acreditará, não é? Ou você acha que irão? Afinal você já matou alguém antes, não é mesmo (SeuNome)?
- Eu... Eu não... Matei ninguém – disse com dificuldade, Thomas deu uma gargalhada aterrorizadora.
- Você matou sim, (SeuNome) – ele disse – Uma Harris nunca desaponta a família, você matou alguém (SeuNome) e agora é uma Harris oficialmente.
- Eu não... – comecei, porém era em vão, Thomas já apertava meu pescoço com força.
- É sim – ele disse – Alem de matar alguém você mentiu para policia, você é uma mentirosa assim como eu, assim como nosso querido papai.
 Senti minhas pernas vacilarem, o quarto rodou e senti minhas costas deslizando para o chão, Thomas me olhava com um olhar de dever cumprindo e sabia que o que estava para acontecer...
 Abri os olhos rapidamente, olhei para o lado e vi que ainda estava manhã e não chovia. Passei a mão na testa e vi que a mesma esta encharcada, minha respiração estava descompassada e minha roupa grudava no corpo por conta do suor. Levei um tempo até finalmente perceber que tudo tinha sido um sonho, que Thomas estava morto, que não estava em meu quarto... Então me dei conta que estava chorando, as lagrimas agora se misturavam com o suor, havia sido o pior sonho que tive com Thomas ali falando aquelas coisas, acusando-me por sua morte, que era verdade, ele não havia mentido. Eu o matei. E não sabia se conseguiria esconder aquilo, pela primeira vez pensei em mim e não nas outras pessoas. Poderia tentar viver com essa culpa, mas sabia que iria enlouquecer caso não contasse e não queria acabar como Thomas, uma pessoa louca, psicótica.
Tomei um banho demorado, tentei não pensar no sonho, mas era impossível, quando fechava os olhos via Thomas no meu quarto, com as mãos em meu pescoço. Sai do banheiro, vesti-me apressadamente e sai do quarto, cheguei à cozinha e vi Nick sentando a mesa lendo o jornal.
- Uma garota ligou para você – Nick disse encarando-me – Lauren, você conhece?
- Sim, mas o que ela queria? – perguntei.
- Falar com você – Nick falou – Disse que você estava dormindo, então ela disse que ligava depois e desligou.
- Ela não disse o que queria? – perguntei e Nick apenas balançou a cabeça negativamente. Corri em direção as escadas, entrando em meu quarto e pegando meu celular, disquei seu numero e não demorou a atender.
- Alô.
- Oi Lauren, aqui é a (SeuNome), acho que isso você sabe – comecei e pude ouvir seu riso do outro lado da linha – Nick disse que você queria falar comigo.
- Só liguei para saber se você estava bem – ela disse e não pude evitar de sorrir. – Você está?
- Não... Quer dizer, posso melhorar um pouco – disse seguindo para fora do quarto – Você pode me encontrar daqui a vinte minutos? Em frente de casa.
- Claro, mas o que você quer fazer?
- Não se preocupe, só chegue em vinte minutos – disse, me despedi e logo desliguei, guardei o telefone no bolso.
- Nicholas, você ainda tem seu taco de beisebol? – perguntei da escada, logo ouvi seus passos, então Nick apareceu no fim da escada.
- Tenho sim, por quê? – ele perguntou desconfiado.
- Vou “jogar” um pouco – disse e virei-me, indo até seu quarto.
***

 Estava parada em frente de casa com o taco de beisebol do lado esperando Lauren. Eu não só estava com aquele sonho na cabeça, mas também estava com o que Thomas falou no sonho. "Alem de matar alguém você mentiu para policia, você é uma mentirosa assim como eu, assim como nosso querido papai."
 O que ele queria dizer com aquilo? Papai mentiu para policia? Sobre o que?... Vi o carro de Lauren parar em frente de casa, levantei-me rapidamente levando o taco comigo.
- Oi – ela disse sorrindo, sorri de volta adentrando no carro, joguei o taco no banco de trás e coloquei o cinto – Não sabia que íamos jogar beisebol, vou logo dizendo que não...
- Você sabe onde fica o cemitério? – perguntei interrompendo-a, Lauren encarou-me confusa e levou um tempo até finalmente responder.
- Sei sim, mas por que...
- Me leve até lá – disse olhando para frente, Lauren assentiu e ligou o carro seguindo em direção ao cemitério.
 Ninguém falava nada, tanto eu quanto Lauren, sabíamos que havia um clima estranho ali, mas preferíamos assim. Ela não perguntou e eu a agradeci mentalmente, não queria explicar uma coisa que até mesmo para mim, parecia loucura. O caminho até o cemitério não demorou, o que foi uma coisa boa, Lauren estacionou seu carro em frente ao cemitério e encarou-me.
- Pronto – ela disse – Agora me diz por que estamos aqui.
- Preciso fazer uma coisa – disse desafivelando o cinto, sai do carro e abri a porta do banco de trás.
- O que vai fazer, (SeuNome)? – ela perguntou enquanto pegava o taco, fechei a porta, abaixei-me e a encarei pela janela do carro.
- Se você quiser esperar por mim tudo bem, mas se não... – dei uma pausa – De qualquer maneira, isso será rápido.
- (SeuNome)! – Lauren chamou, respirei fundo e segui para entrada do cemitério, rapidamente pude ouvir a porta do carro sendo fechada e os passos de Lauren – O que você vai fazer com esse taco, (SeuNome)?
 Já sabia onde ficava a lapide, sentia meu coração bater forte contra o peito e minha respiração ficando rápida.
- (SeuNome)! – senti sua mão em meu braço, fazendo-me virar para encara-la – O que você vai fazer?
- Você já viu aquelas pessoas que só conseguem relaxar quando quebra alguma coisa? – disse e vi Lauren ficar mais confusa ainda, ela abriu a boca para falar algo, porém continuei – Bem, se não viu, vai ver agora.
 Puxei meu braço de volta e parei bem em frente a lapide, agachei-me e vi as letras prateadas.
- Não quero que você venha me visitar mais, Thomas – sussurrei – Sei que você não está aí, mesmo assim irá observar o que eu vou fazer.
 Levantei-me e olhei para a lapide do papai, respirei fundo e levantei o braço que segurava o taco, me concentrei bastante, porém antes de abaixar o braço, vi seu vulto ficar em minha frente, entre a lapide e eu.
- Não faça isso – Lauren disse, abri a boca para protestar e voltei a fechá-la assim que percebi que estava chorando.
- Eu preciso... – comecei e logo Lauren tirou o taco de minhas mãos.
- Escuta, sei que sentimento é esse, querer quebrar algo para se sentir melhor – Lauren disse encarando-me – Acredite em mim, você não vai se sentir melhor, mas sei algo que pode fazer você sentir melhor.
- O que? – perguntei, Lauren sorriu e pegou em minha mão, puxando-me para saída do cemitério.
- Confie em mim. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

19. Welcome Back.

Não consegui dormir quando cheguei em casa. A sensação de esta livre, de volta para minha casa foi incrível, mas logo minha consciência voltou a me assombrar. Assim que fechava os olhos via as cenas dos últimos acontecimentos, Thomas enforcando Demi, Thomas caindo, Thomas morto. Fiquei deitada na cama olhando para o teto com medo que a policia a qualquer hora entrasse por aquela porta e me prendesse, porém agora eles tinham razão. Eu realmente tinha matado algo, meu próprio irmão.
 Quando o despertador tocou, eu já havia acordado, tomando um banho rápido e vestindo a primeira roupa que vi. Antes mesmo de chegar à cozinha, pude sentir o cheiro de panquecas, Nicholas.
- Bom dia – ele disse sorridente assim que me viu, forcei um sorriso e sentei-me a mesma – Como esta se sentindo?
- Legal – respondi sem encará-lo, logo Nick me serviu com duas panquecas e sentou-se a mesa.
- Estava pensando em fazemos algo diferente, o que acha? – ele perguntou – Podemos tirar férias, você merece alguns dias de folga.
- E a escola? – perguntei finalmente encarando-o, mas logo desviando.
- Estava pensando em ficarmos por lá mesmo – ele respondeu, fiquei um momento em silencio – Sabe, eu pensei que quando você saísse do reformatório essa cidade poderia te ajudar e me enganei completamente, essa cidade nunca vai esquecer do que aconteceu, então estava pensando em...
- Não posso – respondi encarando-o, Nick franziu o cenho confuso – Gosto daqui... Mesmo com tudo.
- Mas naquele dia você... – Nick começou, porém logo o interrompi.
- Estou atrasada, Nicholas – respondi levantando-me – Até mais.
- (SeuNome)... – ele chamou-me, porém já estava na sala pegando minha mochila e andando até a porta.
 Se Nicholas falasse isso há alguns dias, com certeza eu iria. Concordo com ele quando disse que essa cidade nunca irá esquecer do que eu supostamente fiz, mas algo não me deixa ir embora, tem tantas coisas para serem descobertas, varias coisas para serem esclarecidas...
- (SeuNome)! – por um momento pensei que fosse Nick ou até mesmo a policia, porém não era nenhum dos dois. Era Lauren. Vi seu carro parar ao meu lado e a vi sorrindo no volante.
- Lauren – disse sorrindo, não tive chance de vê-la.
- Quer uma carona? – ela perguntou, sorri de lado e entrei no banco carona. – Fui até sua casa, mas seu irmão disse que você já havia saído.
- Pelo menos não fui tão longe – disse e a vi sorrir.
- Minha tia não deixou vê-la – Lauren disse prestando atenção na estrada – Disse que você precisava de espaço, afinal você tinha acabado de ser inocentada. Mas então?
 Sabia do que ela queria saber, mas não sabia se estava preparada para falar sobre. Confiava muito em Lauren, ela me apoiou, mentiu para a policia, mas não sabia se devia contar.
- Ele apareceu – respondi um pouco baixo, Lauren lançou um rápido olhar para mim. – E respondeu todas as perguntas.
- E? – Lauren perguntou interessada.
- E... Thomas era um psicopata – respondi lembrando do seu olhar animalesco, então comecei a contar, pelo menos uma boa parte, que ele havia matado Megan por causa de seu pai que supostamente queria matar nosso pai, depois por Matt e por fim seu envolvimento com Nathan Foster.
- Meu Deus – ela disse – Isso é pior do que eu imaginava.
- Ele falava com tanta vontade, se eu não o conhecesse, acreditaria.
- E (SeuNome), isso não pode ser verdade? – Lauren disse e eu a encarei – Como uma pessoa pode...
- Thomas era louco, Lauren – disse – E papai sabia, é claro, e foi por isso que ele levou Thomas a um psiquiatra e foi aí que ele fez aquele acidente de carro acontecer.
- E onde esta o Thomas agora? – Lauren perguntou depois de alguns minutos, engoli o seco.
- Ele... – dei uma pausa, estava suando frio – Ele fugiu.
- O que?!
- Thomas descobriu que Demi estava gravando e tentou pegar, tentei segura-lo, mas ele era bem mais forte que eu e me jogou contra parede – disse sem encara-la – Demi correu e se escondeu no carro, Thomas não a achou e fugiu.
- Pelo menos vocês ficaram com a gravação, certo? – Lauren perguntou e então lembrei que Demi não havia falado nada sobre a gravação.
- Eu acho que sim – respondi.
- Pelo menos esta tudo bem agora, a policia irá pega-lo e você finalmente será inocentada de todas as acusações. – Lauren disse sorrindo.
***
 Lauren estacionou o carro no estacionamento da escola, desafivelou o cinto e antes de abrir a porta do carro, virou-se para mim.
- Você não vai sair? – ela perguntou olhando-me enquanto eu encarava o prédio atentamente.
- Vou, é só que... – não consegui mais continuar, estava me sentindo estranha, pensar em entrar naquela escola novamente me deixava nervosa e ainda tinha o Tim.
- Lauren – disse finalmente olhando-a – O que aconteceu com o Tim?
- Ele não foi à escola – ela disse cautelosamente, assenti e voltei a encarar o prédio – Você esta nervosa, né?
- Sim, muito – disse – É diferente agora, porque antes todos eles achavam que eu era assassina e agora...
- Alguns ainda acham – ela disse e dei um sorriso de lado – Mas existem alguns que tem a certeza agora que você não é.
- Mas...
- Vamos lá, (SeuNome) – ela disse pegando em meu ombro – Cadê aquela (SeuNome) que foi encontrar o irmão supostamente morto só para provar sua inocência?
- Eu acho que não consigo – disse encarando-a.
- Eu vou está ao seu lado, garota – ela disse sorrindo – Não se preocupe, certo?
 Assenti e sorri, desafivelei o cinto e logo estava caminhando em direção a entrada da escola com Lauren ao meu lado. Senti-me no meu primeiro dia de aula, todos olhando para mim, todos cochichando, mas ao contrario do meu primeiro dia de aula, eles me olhavam diferente, pelo menos alguns, vi algumas pessoas sorrindo para mim e outras até acenavam. Estava começando a me acostumar com aquilo e até sorrir de volta, porém o sorriso que estava para aparecer se desfez rapidamente. Em frente ao meu armário estava um grupinho, não um grupinho qualquer, mas o grupinho de Demi.
- O que...? – sussurrei para Lauren que também parecia confusa, meu olhar encontrou o de Demi e ficamos nos encarando sem demonstrar nenhuma reação, desviei o olhar rapidamente assim que vi Ally vindo em nossa direção.
- Parece que não sou só eu que acredito em sua inocência agora – ela disse abrindo os braços.
- Eles tiveram uma ajudinha – respondi separando a abraço, olhei para o grupinho que parecia me aguardar. – O que eles estão fazendo lá?
- Bem vinda de volta você que foi inocentada pela a morte do nosso amigo – Ally disse revirando os olhos. – E olha que até a Rose esta lá.
- Acho que isso não vai prestar – disse e encarei Lauren.
- Fica tranquila – ela disse dando uma piscadela, respirei fundo e andei até lá.
- (SeuNome) – foi Rose quem falou, ela tinha um sorriso forçado no rosto – Queríamos da boas vindas, já que fomos bastante idiotas com você.
- Não precisa – disse assim como ela dando um sorriso mais falso do mundo.
- É claro que não – ela sussurrou e abraçou-me, sussurrando em meu ouvido – Não pense que só porque a policia inocentou você, ainda não te ache uma assassina.
- Claro... – disse separando abraço, Rose se afastou, engoli o seco e vi Demi aproximando-se.
- Estou feliz por ter voltado – ela disse e abraçou-me, fiquei surpresa por ela ter me abraçado, assim como todos ali.
- Também estou – separei o abraço e a vi encarar o chão , logo outros garotos me cumprimentaram, uns chegaram até dizer que sempre souberam que eu não tinha matado o amigo deles, queria sair o mais rápido possível dali, aquele ambiente estava me sufocando e parece que alguém percebeu isso.
- (SeuNome), temos que ver o professor de Literatura, não é mesmo? – Lauren perguntou e eu a encarei confusa.
- Ah... – ela arqueou as sobrancelhas e logo entendi – Ah sim, claro... Até mais pessoal e obrigada por... Por isso.
- Até mais ex-assassina – Rose disse encarando-me – Ou não.
 Respirei fundo e segui para longe dali com Lauren.
***

 Demi estava sentada em uma das arquibancadas no campo de futebol, o sol batia contra seu rosto e ela olhava para frente, o vento batendo em seus cabelos ruivos, mordi o lábio e segui até lá em passos lentos.
- Procurei por você – disse encarando-a, ela deu um sorriso de lado e fez um sinal com a cabeça para que eu sentasse ao seu lado.
- Queria um momento sozinha – ela respondeu, logo me sentei e a encarei – Vi você entrando no carro da Lauren hoje.
- Ela veio me buscar – respondi, Demi assentiu e finalmente olhou-me – Como está se sentindo?
- Não sei ainda – ela respondeu – Às vezes esqueço de tudo, mas em questão de minutos que tudo volta.
- Pelo menos você tem esses minutos de esquecimento – disse suspirando – Toda vez que fecho os olhos, o vejo no meio daquelas pedras, morto, nem consegui dormir essa noite.
- Eu também não – Demi disse tocando meu rosto – Mas depois eu lembro que você salvou minha vida e...
- Não salvei a vida de ninguém – disse tirando sua mão do meu rosto – Eu matei alguém...
- Shh – Demi disse colocando seu dedo indicador sob meus lábios – Você me salvou, você nos salvou, (SeuNome). Poderíamos está mortas e Tom... Poderia está por aí matando outras pessoas.
- Acho que não vou conseguir... – não terminei a frase porque já sentia as lagrimas querendo sair.
- Você vai conseguir, sim – Demi disse pegando em meu rosto em suas mãos e encarando-me – Você nos salvou, será que é tão difícil assim de entender? Você me salvou e eu sempre, sempre serei agradecida por isso.
- Mas...
- Escuta – Demi disse séria – Você vai esquecer isso e vai viver sua vida, okay? Por você, por Nick... Por mim.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

18. Innocent.

 Tom sempre foi, como posso dizer, esquisito. Nunca o vi com amigos, na escola ele sempre ficava na dele, quase nunca sai do quarto. Eu e Demi sempre o chamávamos para brincar, porém ele nunca ia. Papai dizia que a morte de sua mãe sempre mexeu com ele. Ela havia morrido no seu parto, e no fundo Thomas se sentia responsável. Depois de três anos, papai conheceu a mamãe e começaram a namorar, foram morar juntos e papai levou Tom, mamãe sempre teve um pé atrás com ele, mas nunca disse, sempre o tratava bem, como um filho, ou um quase filho. Eu sempre notava que Tom tinha ciúmes do papai comigo e com Nick, mas ele nunca falava nada, ele era muito calado. E era isso que me perturbava, às vezes eu não via Thomas o dia todo, ele vivia trancando no quarto e saia apenas para comer, e era raras as vezes que ele comia. Mas eu o via, às vezes quando eu, Demi, Megan e Nick brincávamos no balanço e o via nos espiando pela janela, e muitas vezes Demi via também, porque pedia para chamá-lo. Mas a resposta era sempre a mesa: Estou ocupado. Sempre me perguntava no que ele estava ocupado, mas agora eu sabia.
- Você quer ir embora? – Demi quebrou o silencio. Estávamos sentadas no capô do carro de Lauren, no mesmo lugar que havia estacionado quando cheguei. Os últimos acontecimentos ainda estavam frescos em minha cabeça e eu não sabia o que fazer, então apenas andei até o carro e fiquei lá.
- Ele tinha razão – respondi sem encara-la – Eu sou uma Harris, o mesmo sangue que ele, eu sou igual a ele.
- Não, você não é – Demi disse e eu a encarei. – Você não é igual a ele.
- Eu passei cinco anos ouvindo isso, mas sabe, eu sabia que não era verdade – disse – Sabia que não era assassina, mas agora eu sou.
- Não, você não...
- Para! – gritei e a vi arregalar os olhos – Para de dizer isso! Você sabe que é verdade!
- Olha para mim – ela disse e pude ver que assim como eu, Demi estava chorando – Ele ia me matar, se você não tivesse feito isso... Eu estaria morta agora e... E você também.
- O que vou fazer? – perguntei e senti Demi abraçando-me.
- Vamos passar por isso – ela sussurrou em meu ouvido – Se você não tivesse feito isso, estaríamos mortas... A policia vai entender... Ela tem que entender.
- Não vão, Demi – disse separando o abraço – Olha o meu “currículo”, Megan, supostamente o Matthew, agora o Tom...
- O detetive, Nathan Foster – Demi disse – Consegui gravar a parte que Tom dizia que o conhecia, eles podem ligar isso a morte do Matt e...
- Está mentindo para si mesma, Demi – disse – Quando descobrirem o corpo do Tom... Eu irei para cadeia e nunca sairei de lá.
- Então vamos nós duas – Demi disse séria – Se você for, eu também...
- Não irei deixar isso – disse olhando-a – Você não tem culpa do que eu fiz.
- Você fez isso para nos salvar, (SeuNome) – ela disse pegando em meu rosto – Ele iria nos matar, você teve que fazer.
 Fechei os olhos e senti seus lábios nos meus, então nada mais importava, nem o que eu tinha acabado de fazer, apenas eu e Demi ali.
- Eu te amo tanto – sussurrei ainda de olhos fechados – Você é a única parte boa na merda que é minha vida.
- Então somos duas – ela sussurrou de volta – Eu também te amo, (SeuNome).
- Mesmo depois do que eu fiz? – perguntei, Demi afastou-se um pouco e olhou-me nos olhos.
- Mais do que nunca depois de ter me salvado – ela respondeu – Iremos passar por isso juntas, iremos contar a policia... Meu pai conhece o policial...
- Seu pai me odeia – disse – Assim como toda a cidade, não posso mais fugir, Demi.
- O que esta querendo dizer? – Demi perguntou, dei um beijo em sua testa e desci do capô do carro, abrindo a porta. – Você não esta pensando em se entregar, não é?
- Não estou pensando – disse olhando-a – Eu vou.
***

 Demi estacionou o carro em frente a um restaurante, pedi para que ela dirigisse afinal minha cabeça ainda estava cheia dos últimos acontecimentos.
- Porque parou aqui? – perguntei vendo-a desafivelar o cinto.
- Estou com fome, você não está? – ela perguntou, a encarei por um minuto – Que foi, (SeuNome), precisamos esquecer o que acabou de acontecer, pelo menos por enquanto.
- Pode ir, eu fico aqui mesmo – disse encarando a estrada.
- Eu sei que isso esta sendo difícil – Demi disse – Mas você não pode ficar assim.
- Já disse que não vou, Demi – falei mais uma vez, a ouvi bufar.
- Por mim – ela pediu – Antes de você se entregar, preciso... Preciso de você, comigo, pelo menos até você... Se entregar.
 Droga! Ela sabia como fazer, sabia como me “amolecer”, revirei os olhos e desafivelei o cinto. Logo senti seus braços em volta do meu corpo e um sorriso formar-se assim que separou o abraço.
- Vamos – Demi disse e saiu do carro, logo fiz o mesmo e seguimos até a entrada do restaurante. Para minha sorte – ou não – havia poucas pessoas no estabelecimento, alguns homens sentados no balcão bebendo e falando alto, apenas algumas pessoas sentadas a mesa comendo algum tipo de sopa, logo senti Demi pegar em minha mão e puxar-me até uma mesa afastada de todas.
- Alguém pode me reconhecer aqui, Demi – sussurrei olhando em volta, porém parecia que ninguém havia notado a presença de duas adolescentes ali.
- Eles estão prestando atenção no jogo – Demi disse e olhou para a pequena televisão que ficava acima do balcão. Logo uma mulher entre 40 anos veio nos atender, pedi apenas café, enquanto Demi pediu uma salada e um refrigerante diet.
- Tem certeza que não quer nada? – Demi perguntou enquanto a mulher anotava seu pedido, apenas balancei a cabeça negativamente, a mulher assentiu e saiu. Ficamos em silencio, até nossos pedidos chegares, senti o olhar de Demi em mim mesmo encarando a xícara de café.
- Meu pai conhece alguns advogados – Demi disse e logo eu a encarei – Ele pode...
- Já tenho um advogado, lembra? – disse dando um gole em meu café – Henry.
- Mas... – Demi começou, porém parou assim que me viu pegar o celular, olhei para a tela e vi que era uma chamada de Lauren, rapidamente atendi.
- (SeuNome) – Lauren estava ofegante e pude perceber certo barulho no fundo.
- Oi Lauren – disse com um pouco de dificuldade para ouvi-la – Onde você está?
- Estou... Deixa para lá, você tem alguma televisão por perto? – Lauren perguntou.
- Tenho, quer dizer... – comecei, porém logo ela interrompeu-me.
- Poe no jornal local – mandou, olhei para Demi que parecia confusa.
- Amigo! – chamei e vi o homem atrás do balcão olhar-me – Você pode colocar no jornal local?
 Ele assentiu e mudou de canal, o jogo estava no intervalo, então os homens que assistiam não se importaram.
- Pronto Lauren – disse e olhei para a televisão, o policial Adams quem falava, reconheci o prédio da delegacia as suas costas.
-... Então ela é inocente, policial? – ouvi a voz de uma repórter.
- Encontramos a arma do crime com digitais de um novo suspeito – o policial Adams disse.
- Então a senhorita Harris está inocentada de vez desse caso? – outro repórter perguntou.
- Até que se prove o contrario, sim – ele disse.
- E quem é o novo suspeito, policial? – o repórter perguntou, vi o policial Adams morder o lábio, logo vi o outro policial ao seu lado sussurrar algo em seu ouvido.
- O novo suspeito é... – ele fez uma pausa – Thomas Harris.
 Olhei para Demi que tinha os olhos arregalados, logo os repórteres começaram a fazer varias perguntas.
- Não podemos falar mais que isso – ele respondeu sério – É só isso.
- Só mais uma pergunta, policial Adams – uma repórter perguntou – (SeuNome) Harris é realmente inocente?
- Sim – ele respondeu depois de alguns minutos, logo desceu da bancada, houve um corte e logo os dois ancoras do jornal apareceram. Olhei para Demi sem acreditar e ela também parecia não acreditar.
- Você é inocente – ela falou com um sorriso.
***

 Pessoas, repórteres, policiais, todos em frente à delegacia, pude ver o carro de Nick estacionado perto de algumas viaturas. Pulei do carro e pude ouvi Demi gritar, corri até a frente da delegacia, tive que empurrar algumas pessoas, até finalmente chegar. Perto de uma viatura o policial Adams, Nicholas e mais outro policial estavam conversando.
- (SeuNome)? – e logo vi Nick correr em minha direção e por fim seus braços envolver meu corpo, sorri em senti-lo ali, meu irmão.
- Nick – sussurrei sentindo a voz falhar.
- Se eu não tivesse tão feliz por vê-la, eu estaria gritando com você por ter fugido – ele disse separando e olhando-me, logo vi vários flashes me fazendo ficar tonta, porém não era só os flashes, mas as varias perguntas que comecei a ouvir.
- Afastem-se! – ouvi e reconheci ser a voz do policial Adams.
- Como está se sentido em saber que é inocente, (SeuNome)? – uma repórter perguntou, Nick ficou em minha frente.
- Ela não irá responder perguntas agora – Nick disse irritado.
- Afastem-se! – o policial pediu novamente, logo depois virou-se para mim.
- Então é verdade? – perguntei, o policial Adams deu uma rápida olhada para Nick e logo depois para mim. – Estou inocentada mesmo?
- Sim – ele respondeu e eu fiquei olhando-o esperando que ele continuasse – Encontraram uma prova, importantíssima na verdade.
- Que prova?
- A arma do crime – ele respondeu depois de um tempo, arregalei os olhos – Havia um terreno baldio ao lado da casa do senhor Sullivan, depois que recebemos a ligação dizendo que deveríamos revistar seu armário na escola, voltamos às investigações na casa dele e conseqüentemente revistamos o tal terreno.
- Então encontraram a arma? – perguntei e logo ele assentiu.
- Levamos aos legistas e encontraram o sangue do senhor Sullivan e... – ele deu uma pausa, olhou mais uma vez para Nick com um olhar cuidadoso – As digitais eram de Thomas Harris, seu irmão.
 Engoli o seco só em ouvir seu nome, porém logo que ouvi lembrei do que queria fazer antes de saber da noticia, olhei para o lado e a vi entre os jornalistas. Tinha um sorriso nos lábios, mas seus olhos não mentiam, ela estava preocupada.
- O que vocês vão fazer agora? – perguntei voltando a olhar o policial Adams.
- Procurar por Thomas Harris – ele disse obvio, assenti e fiquei encarando-o – Algum problema, senhorita Harris?
- Não... – dei uma pausa – Policial, o que aconteceu com o outro detetive?
- O Foster? – ele perguntou e logo assenti – Ele foi afastado do caso.
- Por quê? – perguntei interessada, ele cruzou os braços e desviou o olhar.
- Não estou autorizado para falar desse assunto – ele respondeu.
- Certo – disse e mordi o lábio, o policial assentiu e seguiu em direção a delegacia, olhei mais uma vez para Demi. – Policial!
- Sim? – ele perguntou virando-se e olhando para mim.
- Eu tenho... Tenho um anuncio para fazer – disse tomando coragem, ele ficou um tempo encarando-me e logo assentiu.
- Atenção! – ele disse de frente para os jornalistas – A senhorita Harris quer fazer um anuncio.
 Respirei fundo e segui até ele em passos lentos, não queria olhar para Demi, mas não consegui e acabei olhando. Demi estava suando frio, sua expressão era de pânico e eu a vi murmurar algo, com certeza pedindo para eu não fazer isso. Finalmente cheguei até o policial ficando ao seu lado, focalizei em Demi que balançava a cabeça negativamente no meio dos jornalistas loucos para saber o que eu diria.
- Eu... – engoli o seco, olhei para Demi e logo depois para Nick que tinha uma expressão confusa no rosto – Eu... Eu estou feliz em saber que a verdade veio à tona, obrigada, é só isso.